terça-feira, 31 de julho de 2007

A Barra da Tijuca não é para principiantes.

Estamos no séc XXI (pelo menos é o dizem) e relíquias do passado são atrações turísticas. Gente do mundo inteiro vai ao velho mundo conhecer as ruínas da Roma antiga, peças do renascimento, cidadelas medievais. Aqui no Rio, para ser velho basta ser do séc XIX, vá lá cada um tem a velharia que pode. O centro da cidade está cheio de coisas do tipo: arcos da Lapa, Real gabinete Portuguez(é com Z mesmo) de leitura e quejandos. O símbolo da modernidade, ou pós-modernidade carioca é a Barra da Tijuca com a sua face de Miami.
Para quem não conhece, é claro. Por fora bela viola...
No primeiro dia do nosso Barra Conexions, que não tinha nem nome ainda, passei um grande sufoco para achar um endereço neste moderno bairro planejado.
Como carioca típico pensei em perguntar a qualquer pedestre como poderia achar o meu destino. Para minha surpresa descobri atônito: NÃO EXISTEM PEDESTRES NA BARRA.Pelo menos não como no resto da cidade. Explico: quem está a pé nas grandes avenidas não mora na Barra, só anda de ônibus (do trabalho para casa e vice versa) e só sabe chegar aonde trabalha.
Nas ruas interiores :NÃO PASSAM ÔNIBUS. Isso mesmo, pelo menos na não na frequência e da forma como a gente conhece.
Tentei me aventurar sem informante e entrei em inúmeras,eu disse INÚMERAS, ruas sem saída que davam em pórticos de acesso a condomínios tais como pontes elevadiças davam acessos a feudos, todos como uma só entrada e uma só saída.
Até que achei os únicas pessoas disponíveis na rua que conhecem a Barra como um todo. Não, não são os moradores. São os taxistas.Uma espécie de casta com dons e direitos especiais passados de pai para filho, de mestre para aprendiz sobre os místérios e caminhos da Barra.
E eles me revelaram seu segrego:para chegar ao meu endereço eu só poderia entra em um único, eu disso UM ÚNICO ACESSO POSSÍVEL, numa grande avenida. Não havia outra forma. Nesse momento me lembrei dos ônibus espacias que , para entrar na atmosfera, tinham algumas únicas janelas de tempo possível enquanto estavam em órbita.
Assim eu me sentia: em órbita na avenida das américas.
Definitivamente, não é qualquer um que circula na Barra impunemente. A Barra não é para principiantes.
Se isso é modernidade eu vou me mudar par Romênia.

Pra não dizer que não falei mal do PT- parte1 ou Cesar Maia e Nelson Piquet

Pois é, começo aqui uma sequência de esculhambação ao PT e ao Lula. Começo de leve, devo avisar.
Hoje, no globo,uma notícia e uma entrevista me chamaram a atenção:
Cesar Maia, em entrevista, dizia que a vaia era algo normal na vida de um homem público. Cesar pode ter ficado furioso com a vaia que recebeu, mas não é idiota,arrogante e esquerdista demais o suficiente para negar o óbvio. Unanimidade não é burrice, unamidade é uma impossibilidade perigosa.
Nelson Piquet perdeu a carteira de motorista por excesso de velocidade. Em nosso país vira notícia o fato de Piquet não contestar a infração, fazer o curso do Detran, admitir que errou e ainda posar para uma foto do jornal numa sala de aula com outros motoristas anônimos.
Como diria Lula: "Nuncantesnahistoriadestepaiz" o óbvio virou manchete de jornal.
Que venham os moralistas pois de imoralistas já temos aos montes.

Francis Motta da Tijuca é f...oda ,hein?

Grande Ludwig! Tem andado prolixo (andado?!?). Deixa Pra Lá.
Do Bergmam só assisti dois Filmes: Morangos Silvestres e Fanny e Alexander. Então lá vai Sérgio:

"Um epitáfio, quem diria, para Bergmam.
Só um louco faria,
ou tentaria
dizer com palavras
o que o mestre eloquentemente
bradava silenciosamente
com epifanias"

Obrigado, Bergman.



Tudo que tenho pra expressar sobre Bergman é pouco, pois fui mais apreciador de seus admiradores (especialmente Woody Allen). Mas não esqueço de um evento causado por ele, que mudou minha percepção do mundo.

Como devem imaginar, sou dessa geração 70/80, catequizada, condicionada a gostar de tudo que é da "esquerda" ou "socialista". Além disso, acredito que a minha geração tenha sido a primeira a saber sobre cinema (ou melhor, ter essa arrogância,pretensão) não pelo cinema, mas majoritariamente pela TV. Até os anos 70 a maioria das pessoas assistiam filmes no cinema, e poucas pessoas tinham tv, e a própria TV brasileira não transmitia tanto filme, até porque o cinema era barato até então, e assistir "Reis dos Reis" numa telinha em P&B seria no mínimo burrice nesses idos. Já quem nasceu nos anos 70 passou a ver filme em casa direto, mais que seus pais e avós, e ir ao cinema passou a ser um evento mais social, ou cultural quando você não queria engolir "enlatados de faroeste". Sei que até os 16 anos ví mais filmes por tv doque por outras mídias (nem falar de videocassete, por favor...).

O mau de ser educado pela TV em cinema, ainda mais uma TV saindo da ditadura, é que existe a obrigação de apreciar muita velharia, mesmo que de qualidde (como os musicais e os épicos). E é tudo made in USA. Eu era doido pra pegar um ônibus e conhecer o Brooklyn, o Harllen. Eu queria tanto dar um pulo na Madison Square Garden! Queria saber que barca eu pegava pra conhecer New York. Cês não imaginam a decepção geopolítica e geocultural criada pelo cinema na minha cabeça.

Ainda acho que é muito diferente falar de cinema com quem tem menos de 40 anos. Taí: quem te menos de 40 anos possui o vício de falar de filmes, e os com mais de 40 têm mais facilidade de falar de cinema. Não pelo que assitiram, mas como assistiram. Eu assisti Ben Hur diversas vezes, mas minha mãe saiu de Queimados nos anos 60 pra assisti-lo no cinema Olinda, na Tijuca, na maior sala de cinema do estado na época. Tira onda até hoje com isso. É outra coisa...

Mas o que interessa é que no inicio dos nos 80 algumas emissoras procuravam ganhar audiência exibindo filmes que foram degolados pela censura, mesmo que fossem obras inofensivas, no que diz respeito aos teores ideológicos, só por conter sexo, saliva ou mucosas demais. Meus pais não puderam ir ao cinema assitir "O último Tango em Paris" uns 10 anos antes, e lá estava eu no sofá com eles, assistindo esse filme com eles na TV! E da-lhe Carlos Saura, Passolini, Bergman, etc.

Certa noite foi anunciado "Sonata de Outono". Eu me lembro de ter ficado hipnotizado pelo modo como aquele filme era diferente. Muito diferente. Os filmes franceses e italianos, preservando algumas coerências, me lembravam o filme brasileiro (mais nas deficiências técnicas que nas virtudes). Mas um filme de um suéco rolando na Noruéga, com um ritmo tão diferente, com uma lógica de "organizar" as imagens tão diferente, me chamou atenção. Só "Ran", do Kurosawa, tinha atingido minha mente daquele jeito, até então. Logicamente, eu não poderia digerir o que era. Minha mente periférica apenas disparou : "Que merda é essa de ver filme na televisão? Vou parar com isso!! A tv não tem a menor sensibilidade ou respeito com os filmes, especialmente quando eles prestam. Filme é filme, cinema é cinema!" Esse chilique meio esnobe, essa indignação meio precária, foi o bastante pra perceber que havia algo além de filme pra divertir. Uma heresia até então para um cara como eu, que até hoje se apruma todo pra ir ao cinema ver "Transformers". Mas foi necessário perceber que o mundo é muito maior, e nem de longe pode ser reproduzido por uma Hollywood. E que a existência humana (com sua mediocridade, sua graça, sua vitalidade) pode ser sugerida em uma película.

Obrigado, Bergman, por ter me mostrado o papel do cinema, como arte, como algo que pode ir além do discurso, pode ser literário e eterno como um "Ulisses". Pode ser filosófico, pode ser humano. E pode estar acima das boçalidades ideológicas desses três últimos séculos. Obrigado por não ter se mudado para Los Angeles, mas ter preservado uma rotina da casa pro teatro, do teatro pra casa. Agradeço por não ter virado celebridade e nem figura excêntrica, mas simplesmente ter continuado com seus programas de Tv, algumas peças, e tal. Obrigado por não se tornar uma celebridade, a ponto de muitos acharem que você já estivesse morto há decadas. Apesar de sua obra ser tão pessoal ( ou justamente por isso) você não fez de sua obra um passe para uma vida aristocrática no Show Business. Celebridade, no sentido perjorativo que possue hoje em dia, não se encaixa no seu histórico, e ainda bem.

E obrigado, por fim, por ter feito uma obra que não é isenta ou alienada, mas simplesmente uma obra que ninguém conseguiu sequestrar ideológicamente. Tentaram, mas ninguém pode engavetar suas obras em nenhuma inclinação política, ou um movimento cultural besta qualquer. não é bolchevich, não é hippie, não é punk, não é "muderno", não é nenhuma porra dessas. É Bergman.

Foi Kurosawa, foi Kubrick, e agora Bergman. Acabou! Quero ver quem, nesse momento de luto, me aponte um diretor que fará de sua morte alguma perda significativa como no caso desses três. E não me venham com Speilberg!!!!

E não posso me esquecer: obrigado por Liv Ullmann. Sempre me amarrei nela.




Recomendo este filme:

"Colour Me Kubrick: A True...ish Story". Sente só: é uma história, até onde pude investigar, real de um sujeito que se fazia passar por Stanley Kubrick, e não raramente se dava bem com esse caô. John Malchovich está hilário.

Uma gogoroba da semana: A tapióca com doce de leite da rodoviária de Campo Grande.

Vinho: Esse frio tá pedindo um frisante. Vai um lambrusco, como os de Sorbara. Lambrusco é legal por ser barato (mesmo os de ótima qualidade) e agradar geral, até aquela mina chata que diz não gostar de vinho, porque acha amargo. Se quer evitar azia, o negócio é não tomar essas versões "amabile", que são enjoativos. Lambrusco que é lambrusco é TINTO e SECO. Saiu disso, virou acomodação de placas tectônicas meramente mercadológicas. Procurem um Riunite secco.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

BERGMAN

Estamos de luto, morreu o maior mestre do cinema na história.
"Mainardi" vc está encarregado de fazer uma poesia em homenagem ao nosso mestre.
Já estou procurando o filme para a gente ver.

domingo, 29 de julho de 2007

Não resisti...

Vídeo da semana

Até que enfim, não estou sozinho newste negócio. Juro que até sábado eu posto o "pós-modernismo" editado. Seguindo a linha editorial de nosso amigo Luiz faço as seguintes recomendações: Filme: Passageiro 57, Vinho Latitud 33º, Gororoba: Joelhinho do Girão (Grajaú).
Gostaria de ler comentários sobre a atitude do governo cubano no PAN.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Satisfação

Sinto-me honrado e gratificado de ter participado desse início dessa "conexão".
Apesar dos debates "PÓS MODERNO" =HORRÍVEL, temos tido um crescimento e aprendizado, junto com uma boa dose de piada e bobagens, típica do sexo masculino.
Espero manter a frequência dos debates e que sempre possamos ter convidados, aliás, o autor desse blog é um furão desgraçado, Freud poderia estudá-lo muito bem.
Falta ainda uma mensagem do Luis "Blinder", nosso Doutor.
VALEU PELO BLOG ,"MAINARDI".

Primeiros passos...

Saudações, caros membros. Esse é apenas um ensáio, um aquecimento, já que o moderador ainda vai ditar o ritmo dos trabalhos. Venho apenas antecipar minha gratidão de poder contribuir para esse blog, que acredito ser nada mais que um banco de nossas idéias e aspirações. E por essa natureza é que venho defender aqui um primeiro conjuto de propostas. Isso poderia ser papo interno, que ninguém deveria saber, mas me justifico no paragrafo ai embaixo.

Primeriamente acho importante que esse blog registre o seu processo de construção, mostre bastidores e making-offs. Existem blogs que são tão bem acabados e se esforçam em esconder as engrenagens. Espero que o Barra Conexions fuja desse padrão. Sejamos toscos para defender a palavra e a liberdade, se for preciso. Esse blog, acredito, não se propõe a ser um mei profissional ou panfletário (mas se pintar patrocínio das lojas Lindeza, podemos negociar...), mas um canto de conversa fiada.

Segundo: vamos criar nossas tradições? Eu sugiro que tenhamos uma assiduidade nas nossas manifestações. E de minha parte eu pretendia três recomendações a cada semana: um vinho, um restaurante e um filme. Mas, proletário, tijucano e periférico que sou, só poderia recomendar um bom camelô de DVD pirata, uma lanchonete com um bom joelho (sou provador compulsório dessa lixarada, e conheço toda configuração de podrões de rua...) , ou então uma china boazuda que está chamando atenção no cyber-bordel nosso de cada madrugada. Portanto, vou me contentar em vez por outra mandar um link manero.

Por último, desejo deixar bem claro que por mais que essa lingua exótica que chamam de português seja oficilizada nessa terra, não adianta: erros serão cometidos por mim com uma freqüência irritante. Mas não quero saber de ninguém corrigindo mesóclises aqui! E nada de chiliques por conta de pralavões ou termos chulos. Esse deve ser um espaço cuéca, onde as calcinhas podem fazer a festa, mas é um espaço bem PC Peréio.

Bom... são apenas propostas. Religião, política, existencialismo, sacanagem, cinema, guerra, esporte, música, vamos tentar contemplar todo tipo de assunto, sem pretensões. É só relaxar e bloggar (foi mal esse trocadihlo podre ai, Ismael Mainardi, juro não fazer isso de novo...).

quarta-feira, 25 de julho de 2007

domingo, 15 de julho de 2007

sábado, 14 de julho de 2007

The male restroom etiquette

Bem-vindo ao Barra Conexions

Site para divulgação dos acalorados debates do fórum "Barra Conexions": Muito vinho e algum contéudo. rs!

Barra Conexions

Barra conexions é um blog para a publicação de qualquer coisa que gente quiser. A gente significa os 3 malucos que se encontram (pelo menos foi assim em 2007)na Barra, bebem vinho e jogam conversa fora.