Tô meio de saco cheio dos jornais sazonalmente recriarem uma indiganção hipócrita quanto ao crescimento das favelas (com tudo de ruim que isso trás a reboque) nas áreas nobres da cidade ou em áreas públicas que deveriam ser preservadas, seja por questões arquitetônicas, ambientais, culturais ou sei lá oquê. Depois que um secretário desses ai do Cesar Maia proferiu a pérola de que uma favela não pode ser retirada de um local de proteção paisagística "porque ninguém pode dizer que uma favela não faz parte da paisagem natural...", é melhor desistir.
É muito cinismo combinado com muita encenação da mídia. Ao invés de escancarar logo, dizer que essa postura de não combater a favelização é uma deliberada , intencional e até orgulhosa de nosso alcáide, ficam simplesmente questioando sobre oque já sabem a resposta. Todo mundo sabe que nenhum prefeito terá coragem de fazer algo efetivo e honesto quanto as favelas, o que consiste simplesmente em duas ocisas: impedir seu surgimento e eliminar oque existe. É simples: derruba oque é irregular e reprime qualquer expansão, também derubando, tacando fogo, sei lá. não existe problema habitacional no Rio, e sim uma cultura compartilhada pela burguesia e pela patuléia de se criar senzalas do ladinho da casa grande, pra ficar mais barato e mais "carinhoso" ou folclórico o pacto entre o morro e o asfalto. Essa calhordice prefeito nenhum vai ter coragem de desfazer, pois é um pacto histórico essa coisa da senzala: não existe condominio em Jacarepaguá ou Freguesia sem Cidade de Deus e Anil; não existe Barra sem Rio das Pedras; não existe Saõ Conrado, Leblon, Ipanema e Joa sem Vidigal e Rocinha.
Da mesma forma como não existe prefeito que jogue fora capital político combatendo favelas, o que não falta é vereador eo utras figuras políticas que capitalizam politicamente em cima do mito "Faverla-Liberdade" ou "Favela-Identidade". Tem voto de montão nesses lugares desgraçado, e quanto mais crescem, mais votos geram. quem elege o prefeito no Rio de Janeiro (e boa parte da câmara municipal) é o conglomerado subnormal. Isto é, as favelas. E geralmente elege bandido, seja ele da kombi, da policia, militar, de ong ou sei lá oquê. Favela raramente elege gente de ficha limpa. E independente do caráter de seus eleitos, são na sua maioria políticos de estilo populísta, sectário, preconceituoso e vitimísta. Não que o asfalto dê muitos exemplos positivos, não! Mas uma presepêira como a Benedita, só essa cultura, essa ideologia do pobrísmo rasteiro pra criar.
O caso de Cesar Maia é , no mínimo, ridículo. É de um cinísmo tão grande, combinado com uma postura de desdém e desqualificação do outro, que não dá pra perdoar. no seu ex-blog ele foi acadêmico e jogou a culpa no governo federal, sem sequer pincelar que a prefeitura tem o poder, os recursos, a autoridade e a obrigação de reprimir o surgimento de favelas. Todos sabem que não se pode apostar na sanidade dele, mas na inteligência todos apostam seu salário (apesar de raramente a inteligência de Cesar aparecer de mãos dadas com a sensiblidade ou a ombridade). Então sabemos que é proposital a postura da prefeitura e de todos os seus orgãos ignorar o problema da favelização. Ele é um culpado, especialmente por reproduzir essa ideologia do "Favela Rising", mas não é o maior de todos.
Vai parecer discurso esquerdocida, mas não adianta: a culpa é da burguesia. Essa gente que tem medo de demitir porteiro por não querer se expor a represálias ("ah... seilá,... não vou falar nada por que ele é do morro do Fudêncio, pode vir aqui um dia e me botar no micro-ondas...!"); essa gente tem medo de brigar (o que é bem diferente de dar chilique em saguão do Santos Dummont), mas seus filhos pit-boys são craques nisso; essa gente reconhece que táxi não deve parar pra preto depois das 10 da noite; essa gente se incomoda em ver empregada branca e mãe preta na aula de natação da academia; abomina a idéia de um neto mulato, mas se diz contra o racísmo; tem "horrô" de ser apontado como preconceituoso (e não de sê-lo) e por isso acha Axé legal, acha funk legal, acha drogas uma questão " a ser discutida", aliás, tudo deve ser debatido, e enquanto o consenso não sai, que se foda a lei, a moral e a ordem.
Essa classe média desgraçada quer o porteiro de seu prédio, o churrasqueiro do La Mole, o frentista e a servente do escritório bem barato e de prontidão. E pra isso emprega favelados. Se essa classe média não vivesse de culpa e contradição, saberia que sua tarefa, se é que se incomoda com a favela, é bastante simples. Vamos lá:
1) Não contrate e vete qualquer serviço doméstico ou comunitário que envolva o emprego de mradores das favelas. Condicione a ocntratação de sua empregada ao fato dela morar no subúrbio (e banque esse Gap).
2) Não compre na Zona sul, no Mundial e nem no Horti-Frut, na verdade em nenhum comercio, que contrate favelados. Chegue no Mundo Verde, e antes de compra sua clorofila com linhaça, pergunte onde moira cada e todo emregado da loja. Caso um deles seja morador de favela, tenha peito de dizer na hora que não vai comprar nada naquela loja enquanto esta empregar favelados. Deixe claro que isso é uma posição assumida.
3) Corte relações econômicas e pessoais com qualquer um dos seus que não cumpra as duas primeiras regras, e deixe claro que você o identifica como um dos culpados da existência da favela.
4) Vá assistir "Um dia sem mexicanos" e caia na real...
Só pra encerrar, saibam que não tenho nenhum preconceito contra favela. É conceito mesmo. É uma merda, é uma tristeza morar em um lugar tão insalubre e violento, tão mal servido de recursos públicos, e ainda subir e descer escadas e ladeiras. Em dias de chuva então...
Meu pai foi criado num morro da Tijuca, e não foram poucas as vezes que fui visitar parentes por lá. Nunca tive preconceito, apenas a constatação de que é uma merda viver numa pirambeira que não tem água direito. E quem mora no morro e tem um mínimo de noção sabe que a maior coisa que um favelado faz na sua vida é deixar de sê-lo. É claro que tem gente que ideológicamente vende a idéia da favela como seu lugar autêntico, e de lá não sai nunca, e tal... mas Ivo Meirelles tem um apart em Botafogo, Jamelão mora em Sampáio há anos, toda velha guarda da Mangueira já debandou do morro há muito tempo, que eles não são otários. sói fica na favela quem é burro, quem é condicionado com a merda cotidiana (tem preso que, depois de 30 anos de cadeia, não quer sair dela por nada...), ou quem não pode. Na vida profisisonal continuei a conviver com esse mundo sórdido e asqueroso. Não é nada gratificante encontrar tulipas num lixão. Ainda assim, as tulipas não perfumam a área, por mais que se esforçem.
Ah, sim... e a grande maioria dos meus parentes que vivem no morro não nasceram lá! Sairam da baixada pro morro, por pura falta de vergonha na cara e sem-vergonhice. Hoje seus filhos e netos (primos e sobrinhos que canso de cruzar na rua, muitas vezes sem reconhecer) fazem a pergunta mais imbecil do mundo: " Se a gente for tirado do morro, vai pra onde...?". Ora, diabos! Voltem pra roça, pra caatinga, pro São Fidélis, pro diabo que lhes carrenguem de onde vocês sairam, paspalhos! ninguém, brotou no morro!
Sejam elas verticais ou horizontais, de alvenaria ou palafitas, as favelas não representam nada de positivo, e nada que tenha saido de bom da favela, saiu poir ser fruto da favela, e sim apesar disso. Um poeta como Cartola seria um Drummond ao cubo no asfalto (ou num contexto "suburbano" como Nei Lopes), e não terminaria como porteiro do Ministério do Trabalho, esperando duas décadas para ser recuperado por Cazuza. Favela não tem nada de bom, não dá oportunidade, e querer fazer da favela um meio de florescimento de talentos ou cultura, é hipocrisia.
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