terça-feira, 29 de abril de 2008

E se Michael Moore tivesse um infarto no Brasil?

MMoore mais uma vez utiliza muito bem de seu poder de retórica, e daria um ótimo parlamentar.Mas ele não vai tão fundo assim como parece no filme, e acaba passando a idéia de que a Saúde não é universalizada nos EUA porque o average americano é manipulado pela midia e pelas HMOs.
Ledo engano, e superficialidade pensar assim. Sua estratégia de criar um sentimento de vergonha e constrangimento por não possuir um sistema universalista serve mais para favorecer o antiamericaniosmo estrangeiro doque promover uma "conscientização" da necessidade de ampliar a solidariedade americana. Acho que ele não tocou na ferida, e não o fez de propósito.Grande parte dos americanos não é contra a universalização da saúde por medo do comunismo bissexto há muito tempo. Na verdade nunca foi por isso.
O próprio MM dá exemplo de coisas que foram "estatizadas" ou universalizadas nos EUA (oque não exclui custo individual,um preço, cobrar por serviços e etc.). Todas essas coisas são universalizadas porque é racional, do ponto de vista econômico, universaliza-las. Há economia e justiça quando vc universaliza educação, serviços de segurança pública, comunicação e etc. São atividades pouco lucrativas, ou que demandam um monopólio.
Mas o americano pensa de um modo diferente, que não é nenhum absurdo, quando se trata da Saúde, uma industria responsável por grande parte do avanço tecnológico, e que depende de financiamento forte para crescer, e não uma mera rede de solidariedade.
Vejam o exemplo do pateta que foi atravessar a Abbey Road e quebrou o pulso: aquilo não foi acidente, de modo algum! Aquilo se chama imprudência! Palhaçada pura! O idiota foi fazer uma coisa imbecil, e não uma necessidade humana básica ou emergencial, e quebrou o pulso. Agora perguntem a um inglês se eles acham legal que pessoas idiotas e imprudentes, e ainda por cima americanas, se machuquem a toa, desperdiçando recursos do NHS? Perguntem a um inglês se eles não acham que deveriam cobrar daquele americano por um procedimento que é caro, mas pior de tudo, que foi acionado para um estrangeiro e por causas fúteis. Hoje o UK repensa essa orgia do universalismo na Saúde. Aliás, o NHS de hoje não é o mesmo de 20 anos atrás, nem de 10 anos, ele modifica, ajusta suas generosidades e seus rigores com maior agilidade que o FED (ou no caso, o Exerquer). E mesmo depois de uma era de trabalhistas no poder, oque tem acontecido recentemente é aumento da restrição, pois é muito asiático (como o "brasileiro" Charles), caribenho e africano doente chegando lá.
Pelo jeito ninguém no Brasil é contra o SUS (também não sei quem é a favor, já que sua criação foi de cima pra baixo; não houve um plesbicito como no Canadá), pois é um sistema mais universal que a própria NHS, mas vcs sabem quantos argentinos, chilenos, angolanos, moçambicanos, bolivianos, russos e espanhóis utilizam o SUS sem pagar nada? E acham isso bonito? Um americano não acharia. Ninguém gosta de que gozem com seu pinto! Gozar com o pinto dos outros é mole! Para um americano, custear a negligência, imprudência e o vicio dos outros é imoral. ficar tratando de estrangeiros então, nem pensar.
Assim como pra eles é impensável que o governo controle a liberdade de consumo de impacto individual. Nunca nos EUA será proibido fumar ou beber para fins próprios. Mas as consequências do fumo, da bebida e de outros vícios deve ser individual também, e as doenças e agravos que esses vícios trazem devem custar a saúde e o BOLSO daquele que fumou, bebeu, trepou sem camisinha e sem critério, etc.
E não é por maldade, mas por lógica que eles assim pensam, pois basta verificar com os americanos se eles concordam que se elimine a classificação dos planos por idade, como querem fazer aqui no Brasil. Isso só encarece o plano para os mais saudáveis. É uma "solidariedade" compulsória, que deveria assumir um termo mais adequado: confisco. O americano acha cruél um plano de Saúde negar tratamento oncológico para uma mulher de 22 anos, mas se calam pois entendem e sabem que em certa medida se beneficiam em penalizar os cidadãos de maior risco, e isso passa por uma questão moralista forte no protestantismo aglo-saxão.
Não se trata de falta de solidariedade, pois eles não querem se solidarizar com pessoas nefastas, que não cuidam da própria saúde, em princípio (para a maioria deles) um bem que foi dado a quase todo mundo na plenitude por Deus desde o primeiro dia de vida. Por isso, tirando questões Sanitárias, eles acreditam que a saúde é um problema de cada um, e que é injusto (e um risco a liberdade) regular a saúde dos outros ou sustentar a saúde dos outros. Pra mim o filme não mostrou toda realidade. Quem estuda sistemas de proteção social sabe que não existe paraiso nem na Suécia.
Eu moro no Rio, e todo fim de semana o helicoptero dos bombeiros resgata centenas , não meia duzia, mas CENTENAS de pessoas que se expõem ao risco de afogamento nas praias da Barra e Recreio. Ora... mar aberto! Ondas violentas, a água puxa que é uma beleza! É perigoso, e qualquer pessoa séria, ou pelo menos que dê amor a vida não vai abusar, ainda mais se não sabe nadar!Mas centenas de irresponsáveis metidos a principe Namor entram na água, vão para além da arrebentação e etc.
O perfil majoritário dos afogados:
pobres
analfabetos funcionais
entre 15 e 30 anos
nunca cursaram natação formalmente
Além disso, em quase um quinto dos casos, o desgraçado está bêbado ou drogado.Cada sobrevoada na orla custa 1.034 reais. são mais de 30 vôos por dia. Tudo isso para salvar essas pessoas.Elas valem isso?

Eu me sinto a vontade de dizer que preferiria ver esse dinheiro sendo gasto em educação, ou na saúde e bem estar dos que são coerentes, e não negligentes com o seu bem estar. Por mim morreria tudo afogado,e esse dinheiro poderia ser aplicado em piscinas e cursos de natação públicas. Dá quase 420 mil reais por mês salvar imprudentes das praias. Até porque quem aprende a nadar se torna menos abusado. Não é apenas o dinheiro, o valor, mas o desperdício de se "investir" na imprudência. Poderia ser mil reais, ou mesmo um real - é dinheiro mal gasto.
"Mas não seja tão maléfico, desumano, insensível e flamenguista, ô Blinder!!". Tá bom... sejamos humanos, mas coerentes. Já que tem de ter um helicópitero para tirar os aquamen da água, que tal ao final do resgate a vitima receber um boleto do custo da operação. se não pagar seu cpf e suas fontes de renda e propriedades ficam indisponíveis até a quitação do débito com a sociedade. Tenho certeza que os vôos serão muito menores, as pessoas serão mais prudentes ao ir pra depois da arrebentação, e o Estado gastará menos, ou melhor, gastará melhor, pois o dinheiro que antes era desperdiçado vai educar, sanear, proteger e servir melhor.
Saúde não tem preço, mas tem custo, e na administração de bens de saúde é importantíssimo evitar perdulário, desperdício. Pois cada gasto mal feito pode amanhã deixar de salvar uma vida. No caso do Brasil, o SUS é um ótimo exemplo do mal que é a universalização: só tem desperdício.De 1997 para cá o SUS recebeu cada vez mais dinheiro com a cpmf. Não foi pouco não, foram bilhões!!!!E a Saúde não melhorou. Pelo contrário: A dengue está de volta, a febre amarela está invadindo as cidades, a corrupção aumentou, uma farra!!
De que adiantou colocar quase 100 bilhões de reais a mais em 10 anos no SUS? Nada! Será que o Estado é o melhor gestor de serviços de Saúde? O Estado deveria ser competente e atuante para combater os abusos e falhas dos planos de saúde. E nisso estamos muito melhor que os EUA. O Estado Brasileiro sabe pressionar e exigir dos planos de saúde oque é impensável exigir nos EUA. Um exemplo: como já foi citado, agora será proibido no Brasil diferenciar o preço do plano por idade. Não é uma maravilha? Não!! Isso só vai encarecer os planos de saúde para os mais saudáveis, que vão pagar os riscos dos menos saudáveis ou com mais riscos de adoecer. Outro exemplo - o ministério da saúde regula até o reajuste dos planos de saúde, os períodos de carência e obriga a inclusão de agravos assistidos dos mais exóticos.

Alguém pode pensar que ser contra a universalização é coisa de fascista, mas saibam que Hitler, Stalin e outros ditadores UNIVERSALIZARAM a saúde, e pior, militarizaram a Saúde, como se fez em Cuba, na URSS e outros países que querem o "bem de sua nação". Para terem jovens saudáveis, para poderem mandá-los para guerra com toda saúde. Em regimes totalitaristas e antidemocráticos, a Saúde é estatizada e "universalizada", pois a saúde é um instrumento de regulação da população.você pode reprimir pela Saúde também. Quantos que eram contrários ao regime soviético não foram "internados" em manicômios? Dezenas de milhares!! Ser contra a revolução cubana era uma patologia psiquiátrica! Tratada a eletrochoque! Não é facismo, mas individualismo oque o americano defende, e é sempre saudável ver o outro lado e refletir. Claro que a imaturidade tende fazer com que algumas pessoas não consigam refletir. Elas se apegam a um pensamento único, não de forma racional mas afetiva, e não suportam ouvir o outro lado da moeda. Eu nem digo que o individualismo seja a melhor opção, mas certamente a universalização da Saúde não é uma solução em si. Deve-se investir em muito mais coisas, deve-se transformar uma sociedade em seus valores e princípios. Aqui no Brasil fizeram o contrário, criaram um sistema de saúde que mudaria a sociedade, que "faria a revolução"! Burrice, acabaram fazendo um sistema de saúde ainda mais perdulário, que mata e desassiste. Temos o crescimento e retorno de doenças que haviam sido controladas nos anos 50 do séc. XX em pleno séc. XXI. Isso é o SUS.

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