Um colega meu professor de saúde mental escreveu em seu blog que Foucault estava sendo muito mal interpretado, segue abaixo minha resposta a ele:
Certa vez li um texto do Olavo de Carvalho em que o mesmo comparava os erros
da Igreja católica ao erros do comunismo. Em sua argumentação O.C demonstrou
que desde a criação da igreja até o surgimento da 1º cruzada decorreram 1000
anos. A mensagem do Cristianismo era de tamanha força que precisou de 1 milênio
para degenerar. O comunismo precisou de poucas décadas, ou melhor, não havia
nada de bom em sua mensagem, foi aquilo mesmo que a gente viu na China, no
Camboja, na URSS, em Cuba e em outras partes. Confesso que li pouco Foucault:
Alguns trechos de "microfísica do poder", outros trechos de "em defesa da
sociedade", tentei ler sem sucesso "O nascimento da clínica" e uma coletânea
de textos sobre arte que tenho em casa.
O que pude perceber nestas leituras é que existem eplo menos 2 Foucaults,
um mais lúcido que pouco degenera: aquela que fala do poder da medicina,
do estado e um outro extremamente confuso que trata de quase tudo. os textos
são confusos, não sei se de propósito ou por raciocínio confuso mesmo. Textos
assim dão margens a múltiplas interpretações. Quando em mão de sujeitos que
procuram justificativas para "mudar o mundo" se tornam armas perigosas. Agora
pouco importa, pois não é possível trazê-lo a vida, o que ele "realmente"
queria dizer com muita coisa. Importa saber o feito que suas idéias tem no
mundo. Sim, há a reforma psiquiátrica. Mas também tem muita coisa ruim como
a apologia das drogas e o relativismo. Este é o efeito depois de poucas décadas
depois de sua morte. A culpa é dele mesmo.
Foucault escreveu em outro tempo, em tempo de busca de utopias salvadoras,
no "breve século XX" de Hobsbawn. Escreveu num tempo em que ser confuso era
chique: dane-se o leitor, o espectador, o ouvinte. Quem não gostou, ou entendeu
é por que era burro. Intelectuais que produziam em execesso eram endeusados
e pouco lidos, ouvidos, assistidos e assim se formou uma vulgata aos seus
redores. Esse é o legado Foucault, Sartre, Glauber Rocha, e outros tantos.
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