sexta-feira, 30 de maio de 2008

Enófilos do Barra Conexions . Uni-vos!

Atenção Serjão e Luiz , vamos marcar um encontro numa segunda-feira. Já saí da quaresma! Aguardo contato!

Células tronco: pobre debate.

Se tem um debate atual do qual eu muito me aborreço é este sobre as células tronco. Me aborrece as tomadas de posição precipitadas e ainda as técnicas espúrias de argumentação.
O que parece é que estamos diante de um conflito entre ciência e religião. Não, não é isso estamos diante de um conflito ético que envolve a ciência, a(s) religião (ões), a política e o direito. Nesta questão nem sempre ciência e religião estão em lados opostos.
Nossa matriz predominante de pensamento é herdeira do iluminismo. O grande problema é que não há alternativa, parece que não existe no corpo das idéias que vigoram no Brasil, qualquer pensamento que não seja de matiz materialista. Continuamos criticando a igreja católica como se estivéssemos no séc. XVIII, como se a igreja fizesse parte do Estado.
Não, a igreja nçao faz parte do Estado brasileiro, somos um estado laico. No entanto, se não estamos no Ancién Regime, também não estamos na URSS ou na China comunista. Não somos um estado Ateu, a racionalidade científica não é detentora de nossos princípios morais. As religiões tem o direito de se manifestar. O fato de alguém opinar sobre um problema ético (portanto filosófico) com base na religião, é perfeitamente legítimo. O que se discute na questão das células-tronco é um conceito metafísico: a vida humana. A ciência sozinha não tem resposta pra isso.
Como esta questão é por demais complexa. Acho estranho uma tomada de posição, contra ou favor, tomada de imediato é que considera a posição contrária um absurdo, um retrocesso, obscurantismo ou assassinato de embriões.
Não impera o mal em nenhuma das decisões, as duas são defensáveis. O que aborrece é o uso da tática da mentira para defender sua posição.
Quando os defensores das pesquisas resumem o debate à dicotomia ciência versus religião. Estão apelando à audiência que considere a posição contrária à pesquisa como irracional ou dogmática.
A concepção de que a vida começa na fecundação não surgiu na igreja. Ela é fruto da própria ciência que considera a formação de um novo DNA a etapa inicial do desenvolvimento de uma nova vida. A igreja toma sua posição com base num pressuposto científico, logo não é um dogma, ou um fruto do obscurantismo.
O uso dos embriões em pesquisa não nos permite qualificar os cientistas como assassinos frios e impiedosos. Os cientistas querem utilizar seus conhecimentos para algo maior: a possível cura de doenças, e portanto consideram lícito o uso de embriões que seriam descartados.
Em geral, é a posição daqueles que defendem a pesquisa que se mostra mais radical e não a da igreja e das pessoas que são contra a pesquisa. Aliás, cabe dizer que acho ridículo que falemos que "a igreja" é contra como se estivéssemos numa disputa entre clero e sociedade. A disputa é entre cidadãos que movidos por seus conhecimentos e opções éticas, científicas e religiosas decidem ser contra ou favor das pesquisas.
Eu sou agnóstico, nunca fui católico, já fui ateu , nunca tive uma religião E SOU CONTRA AS PESQUISAS. Por que considero o embrião como vida humana e se não é vida eu não sei o que é. Entendo a posição daqueles que são a favor, afinal os embriões não tem consciência e estão congelados em clínicas e laboratórios. Mas pelo amor de DEUS (risos!!!) não me venham como esse papo de OBSCURANTISMO, CIÊNCIA X RELIGIÃO, EXORTAÇÕES à Galileu, e etc...
Pode-se discutir o que é vida, se vida é diferente de pessoa, quando a vida começa etc... que no final não chegaremos a resposta alguma. A minha posição é: se está em dúvida, não devemos matar a dúvida. Simples assim.
Este deveria ser o debate ideal: Diante da dúvida, o que fazer? Me parece adqueada a posição do Ministro Direito, façam as pesuisas mas descubram uma maneira de não matar o embrião. Alguém pode dizer que é impossível. Como podem ter tanta certeza? Se embrião não é vida, então não poderia morrer, não é mesmo? E já que serão feitas pesquisas por quê não fazer mais esta: Como extrair células tronco sem destruir embriões. Desta maneira os problemas éticos seriam resolvidos.
Se alguém me perguntar se algum dia eu aceitaria ser beneficiário destas pesuisas, eu não saberia responder. Como eu acho que deve ser a opinião inicial de quem lida com este dilema: não sei! É mais humilde , mais adequado e mais sincero.
P.S. Este mesmo raciocínio vale para o que eu penso sobre o aborto.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Mais 86 II

Fla 4 x 1 Flu

Mais 86

Gols do Brasil na copa

Vídeos de 86

Brasil 4 x 2 Iugoslávia - amistososo em recife

Brasil e França

Vinheta da copa

1986, o ano que não terminou.

Hoje me bateu uma de Luiz: resolvi escrever um bocado. Entretanto não posso me comparar com o mestre, pois não consigo escrever de uma tacada só sem pensar no assunto. Tenho pensado neste texto faz tempo.
Confesso que o futebol tem mexido com minhas emoções e meus pensamentos ultimamente. É a dor e delícia de ser Flamengo. Num domingo participar de uma das maiores festas pela conquista de um título. Ver a torcida cantando “mamãe eu quero” para os botafoguenses foi inesquecível sem contar com a versão de “D´ont take my eyes off you”, o já consagrado “Vamos flamengo...” Foi uma dose cavalar de adrenalina e serotonina. Então, quarta-feira, um espetáculo de angústia pra ninguém botar defeito. Coisas de Flamengo: o exagerado, o hiperbólico, craques execrados, perebas idolatrados, times invencíveis que sofrem derrotas humilhantes.
Nessas horas eu fico pensando porque será afinal que gosto de futebol? Então achei a resposta: o ano de 1986. Que 68 que nada, o ano que mudou minha vida foi 1986.
A primeira lembrança que eu tenho de futebol, e que posso datar o ano, foi de 1982. Lembro de ruas e paredes pintadas, bandeirinhas verde-amarelas, Naranjitos e Pachecos em profusão e uma musiquinha que se ouvia aqui e ali: “Voa canarinho voa...” Mas eu só tinha 6 anos de idade e não sabia o que estava acontecendo. Até que num determinado dia à festa acabou, todo mundo ficou triste, e quando eu perguntava o porquê a resposta era a mesma: “O Brasil perdeu”.




A segunda lembrança que eu tenho era também de uma tristeza geral: “Zico foi vendido pra Itália”. E mais uma vez eu não entendia o que estava acontecendo.
Pode ser estranho imaginar um garoto de sete, oito anos que esteja tão alheio assim, ainda mais no Brasil, na baixada fluminense, onde o futebol invade as conversas, o noticiário de tv, rádio, jornais. Onde você muito novo é impelido a torcer por um time. Pois é, na verdade, minhas lembranças de “algo a ver com futebol” são mais antigas. Sem que eu saiba explicar o motivo, ainda muito pequeno, resolvi torcer pelo Botafogo. Surpresa geral na família, todos flamenguistas, com exceção de meu avô materno: caboclo, sergipano e vascaíno. Em meu aniversário de quatro anos me fizeram um bolo decorado com o escudo da estrela solitária. Meu pai me dizia que neste momento eu desisti do time por achar o escudo muito feio e resolvi ser Flamengo.
Nas poucas vezes em que tentei jogar bola na escola primária foi uma decepção total, quase foi expulso pelos colegas por jogar tão mal. Um colega meu tricolor, resolveu fazer apostas comigo nas decisões de 83 e 84. Perdi, é claro. Passei a odiar futebol. Gostava mesmo era de gibi e televisão.
Em 1985 mudamos para o subúrbio de Irajá, onde passei a morar num apartamento de um conjunto habitacional. Para mim foi uma grande revolução. A babá que tomava conta de mim e de minha irmã achava um absurdo que um menino ficasse em casa vendo tv, pediu para eu comprar algo na rua trancou a porta e deu a ordem: “Lugar de menino é na rua, vá brincar com os outros garotos”. E eu acabei gostando. Além das diversas brincadeiras que eu não conhecia, lá estava novamente a maldita (bendita) bola a me desafiar, só que dessa vez, apesar de ainda ser “o pior de todos” eu insistia em brincar. Até que uma notícia deste ano me chamou a atenção: “Zico vai voltar pro Flamengo”.
Não, eu não tinha noção do significado disto, mas a comoção era geral, uma grande e boa expectativa estava no ar. Até depois de sua chegada, houve o encontro das chuteiras de Márcio Nunes com o joelho esquerdo do galinho: frustração. O primeiro jogo que me lembro de ter assistido na tv foi neste ano: a final do carioca entre Fluminense e Bangu. Vitória dos tricolores com um pênalti não marcado de Vica em Cláudio Adão (com galinho de arruda na orelha) pelo árbitro José Roberto Wright (tricolor confesso). Tava difícil gostar de futebol. Entretanto tomei simpatia pelo Bangu e o segundo jogo que lembro de ter assistido foi a final do Brasileiro deste ano entre o Time de Castor de Andrade, e o Coritiba do Goleiro cabeludo Rafael. Frustração novamente.




Até que finalmente chegou 1986, cheio de expectativas.
Zico voltava de longo período inativo e jogaria a abertura do carioca contra o Fluminense tricampeão carioca. Sócrates estreiaria no Flamengo. Os tricolores xingavam Zico: “Bichado, bichado”. O Flamengo venceu por 4 x 1 com três gols de Zico. Era minha primeira alegria no Futebol, e surgia ali a minha idolatria pelo galinho de Quintino. Zico se machucou durante o decorrer do campeonato, mas pelo menos para os torcedores do Flamengo surgiu uma consolação o despontar de Bebeto e a conquista do campeonato daquele ano, contra o Vasco, para incredulidade dos tricolores, com um gol do jogador Marquinhos um jogador que morava perto de minha primeira residência. Pela primeira vez na vida eu gritei: “É campeão, é campeão!”.




Peguei algumas manias: ouvir jogos pela rádio globo, ficar “manchetando” os jornais na segunda e nas quintas-feiras, assistir as reprises dos jogos do carioca na TVE cujo narrador tinha os bordões “Taí o que você queria, bola rolando no maracanã” ou “Ta lá um corpo estendido no chão”, ler jornal de trás para frente, assistir aos “gols do fantástico” e o “globo esporte”.
Meu pai ao perceber o quanto eu estava me interessando por futebol me deu o livro: “Zico, uma lição de vida” e este foi o primeiro livro adulto que li na vida. Fiquei ainda mais fã de Zico, se é que isso era possível.
Mas o ano me reservava mais emoção, era ano de Copa do mundo, e no México. Reportagens sobre a copa de 70 pipocavam na TV: Jalisco, Guadalajara, Pelé, Zagallo, Jairzinho e etc... Surgia o Arakém o mascote da copa da Globo, e a musiquinha “Mexe, mexe, mexe coração...” Existia toda uma expectativa sobre a recuperação de Zico. Num dos jogos preparativos, Zico acabou com um jogo contra a Iugoslávia, marcando inclusive um gol de calcanhar: alegria e esperança. Em outro amistoso, contra Paraguai ou Chile (não me lembro direito), nova contusão: angústia e dúvidas às vésperas da copa. Mexe coração.




Os dois primeiros jogos foram sofríveis, vitórias apertadas contra Espanha e Argélia. Zico ainda não tinha condições de entrar. Contra a Irlanda do Norte, um golaço do improvável Josimar e a entrada de Zico em meados do segundo tempo com direito a passe de calcanhar para o gol de Careca. Jogo que reacenceu as esperanças no Tetra.
Oitavas de final, Brasil e Polônia. Mais um golaço de Josimar mais uma entrada fulminante de Zico: driblou o goleiro e sofreu pênalti e, apesar dos pedidos da torcida, deixou Careca cobrar. Brasil 4 x 0. Arakém sacaneava o papa na vinheta da globo.
Quartas de final, Brasil e França. Brasil começa bem, gol de Careca após triangulação com Júnior e Muller. A França equilibra o jogo no final do primeiro tempo. Platini empata o jogo em falha da defesa. Era o primeiro gol que o Brasil sofria na copa. Vem o segundo-tempo, jogo tenso e equilibrado, a torcida pede Zico. Em seu primeiro toque deixa Branco na cara do gol, pênalti. Desta vez Zico resolveu bater o pênalti. Só me lembro da voz de Osmar Santos: “Bats defendeu, Bats defendeu a cobrança do galinho Zico”. Era difícil acreditar que meu super-herói pudesse falhar. Na memória coletiva o jogo pulou deste lance para a disputa de pênaltis, o resto do segundo tempo e a prorrogação foram apagados de nossa memória. Há alguns anos pude assistir aos melhores momentos deste jogo no canal bandsports e pude constatar foi um dos melhores jogos de copa do Mundo que assisti na vida. Zico jogou muito, Tigana jogou muito. Só não houve um vencedor por milagre dos goleiros e das traves. O Brasil perdeu nos pênaltis como sabemos, e assim quatro anos depois de 82 eu pude entender a tristeza que estava por trás da frase “O Brasil perdeu”. É impossível esquecer a imagem de Fernando Vanucci chorando no globo esporte após o jogo.



Mas não havia só Brasil. Pude ver a “Dinamáquina” de Michael Luadrup sapecar 6 x 1 no Uruguai de Ruben Paz, Rodolfo Rodriguez e Francescoli. Os dinamarqueses foram a grande sensação da copa, com o “revolucionário” esquema 3, 5, 2, suas camisas espalhafatosas e uma torcida que cantava algo incompreensível seguido de “olê, olê, olê”, canto quer foi copado e adaptado pelas torcidas brasileiras.Como esquecer a torcida do México e para sempre copiada “Hola”.



Pude ver as defesas sensacionais dos goleiros Dasaev da União Soviética com seu indefectível uniforme C.C.C.P. de Pfaff da Bélgica, de Schumacher da Alemanha ocidental. Vi uma Alemanha com Rummenigge, Litibarski e Voller, a Inglaterra de Lineker, a França de Tresor, Amoros, Tigana, Platini, Giresse e Rocheteau (um timaço mil vezes melhor que o time de 98). Mas vi, sobretudo a Argentina de Valdano, Ruggeri, Pumpido, Cucciufo, Buruchaga e acima de todos eu vi Diego Armando Maradona.
Maradona jogou muito, mas jogou mais ainda contra a Inglaterra na quartas de final. Jogo que considero junto com o Brasil e França desta mesma copa os maiores jogos que já assisti na história dos mundiais. Jogou muito para vencer a muralha de Pfaff na semifinal contra a Bélgica. Os outros jogos, quem venceu foi a seleção Argentina junto com Maradona. Injustamente se diz que Maradona ganhou a copa sozinho. Creio que isso é impossível. Dizem que a Argentina era um time de pernas-de-pau, Fala sério! Esses caras não viram Ruggeri, Buruchaga e Valdano? Mas é que esses dois jogos foram apresentações individuais que não se viam, acredito eu, desde Cruiff em 1974. E penso que nunca mais nada parecido (talvez Zidane contra o Brasil em 2006) desde então.



Não perder tempo falando do campeonato brasileiro deste ano por que uma final entre São Paulo e Guarani no Brinco de ouro da princesa depois de tudo isso não vale a pena. Só fica o registro do América do Rio na terceira colocação do campeonato.
Depois de 86 eu não conseguiria mais deixar de adorar futebol, a consumir futebol, a pular de alegria, a chorar pelas frustrações, mas acima de tudo ter a esperança na vitória redentora que se seguirá. Como na música Boa Noite de Djavan:

“... ainda bem que eu sou flamengo,
mesmo quando ele não vai bem,
algo me diz em rubro-negro,
que o sofrimento leva além,
não existe amor sem medo”.

A propósito, Zico devolveu com juros (para os flamenguistas, é claro) o pênalti perdido em 86, com atuações espetaculares e o título brasileiro de 87.




O futebol que eu odiava, passei amar depois de tudo e este amor nunca mais acabou. Assim mesmo após derrotas como aquela para o América do México, eu lembro de 86, e esperança começa novamente.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

PALMAS PRO MESTRE

Tirando sua raiva da esquerda Brasileira, não que eu seja a favor, pelo contrário, mas acho que não podemos ser sectários, concordo com tudo que vc escreveu, penso aquilo mesmo do sr Gomes..kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Figuraço

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Essa é pra vc Serjão!

Astúcias de Chapolín

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio (editorial), 02 de maio de 2008



Num recente debate com o economista Rodrigo Constantino, no programa “Conversas Cruzadas” da TV gaúcha ( http://www.youtube.com/watch?v=xxnn-lPglz4 ), o deputado Ciro Gomes assegurou que o único gasto excessivo do governo federal é o pagamento dos juros da dívida externa e que seria praticamente impossível sugerir, fora isso, qualquer corte de despesas que chegasse a um bilhão de reais. Aparentemente, nem ele nem seu interlocutor tinham a menor idéia de que a pletora de indenizações a terroristas – o gasto mais inútil e mais indecente que se poderia imaginar -- já ultrapassou essa cifra há muito tempo. Também nenhum dos dois deu sinal de saber que, no orçamento deste ano, as despesas da Presidência estão em quase três bilhões, e os ministérios inventados pelo governo Lula, que não faziam a menor falta quando não existiam nem farão quando retornarem ao nada, estão consumindo 8 bilhões. Com toda a sua responsabilidade de ex-ministro da Integração Nacional, o sr. Ciro Gomes mostrou recordar, do Orçamento da União, só aquele detalhe que lhe dava a oportunidade de malhar uma vez mais o seu judas predileto, o “neoliberalismo”, esquecendo tudo o mais. Se não o esquecesse, não poderia conciliar sua ojeriza aos credores externos com a afirmativa esdrúxula de que o governo deveria é gastar mais em vez de menos. Pois, afinal, foi para gastar mais, e não menos, que se fez a dívida externa. Ou estou enganado?

Mesmo quanto ao alvo predileto dos seus ataques o sr. Gomes mostrou não saber grande coisa, pois voltou a insistir no cacoete mais estúpido da retórica oficial, os tais “quinhentos anos” de exploração capitalista, como se o “neoliberalismo” (seja isto lá o que for) tivesse começado com Pedro Álvares Cabral e como se toda a nossa história administrativa não tivesse sido, bem ao contrário, – e desde os tempos das Capitanias Hereditárias – uma novela de centralização, burocratismo e gastos públicos freqüentemente até maiores do que aqueles que o ex-ministro recomenda.

Presto sempre atenção ao que diz o sr. Ciro Gomes, porque é quase inevitável que mais dia, menos dia, ele se candidate de novo à Presidência, recuperando a chance que perdeu quando, em 2002, consentiu abjetamente em servir de sparring na farsa eleitoral mais grotesca da nossa História, uma festa em família entre companheiros de esquerdismo, todos empenhados em não bater demais no candidato petista cuja vitória pré-decidida era a única razão de ser daquela palhaçada toda.

Notem bem: o sr. Gomes não é nenhum idiota, é um dos homens mais inteligentes e uma das personalidades mais interessantes que já passaram por qualquer ministério desde a inauguração da Nova República. Seu problema não é burrice: é o oportunismo escorregadio que o faz querer passar por muito mais esquerdista do que é e comprometer-se com as políticas erradas mesmo quando está com a idéia certa na cabeça. Muitas vezes, no curso deste debate como em outros pronunciamentos, ele expressou opiniões gerais muito sensatas, mas entremeando-as de concessões de ocasião ao esquerdismo mais vulgar e estúpido, arruinando com uma profusão de detalhes falsos a verdade geral do que dizia. Ele faz isso porque padece de espertismo , a doença endêmica dos políticos brasileiros, que consiste em acabar virando bobo de tanto querer bancar o esperto. Se fosse mesmo esperto, o sr. Gomes jamais teria apostado nas luzes de meio watt do filósofo Roberto Mangabeira Unger, que é o pior tipo de visionário, o visionário sem visão. Nem daria como exemplo de interferência estrangeira danosa aos nossos interesses, como o fez neste debate, a pressão americana contra a venda de aviões à Venezuela. Não que ele seja bobo o suficiente para imaginar que um assunto desses pode ser enfocado só do ângulo econômico, ignorando as implicações militares mais patentes que determinam a atitude americana e a tornam, aliás, benéfica ao Brasil. Mas fazer-se de bobo só para não perder a chance de dar um agradinho nos chavistas de plantão não é esperteza nenhuma: como sempre acontece nessas ocasiões, a diferença entre a bobagem fingida e a bobagem autêntica tornou-se perfeitamente irrelevante, e a astúcia verbal do sr. Gomes acabou não se distinguindo em nada da do saudoso Chapolín Colorado.

Se o ex-governador do Ceará, com todo o seu talento, não se decidir a tornar-se ele mesmo em vez de continuar se amoldando por falsa esperteza àqueles que só pretendem utilizá-lo para fins que não são os dele, dificilmente virá a desempenhar na política brasileira um papel mais honroso do que na eleição presidencial de 2002.

Flamengo é Bi e Ronaldo Também...

Todo mundo questiona oque se faria no lugar dele, e eu respondo: não teria largado a Europa, nunca me casaria, não teria engravidado um monte de biscates, não teria me envolvido com a Ciscarelli, não teria engordado tanto em 2005/2006, não teria feito um monte de merdas que ele fez. Mas no bojo, é inegável que quase todas as merdas que ele fez até hoje, foi porque ele podia fazer. Só alguém que subiu tão alto poderia espalhar tanto sangue na hora de se espatifar no chão.

Mas no caso específico das travecas (que quase me ocnvencem que aqueles espancadores de empregadas deveriam ser soltos e ttreinados para não confundir trabalhador com gentalha) e Ronaldo, me espanta a incapacidade do cara não sair de uma situação dessas. Já é escroto ele não ter um registro em um serviço de luxo confiável (se é que isso existe no Brasil; vide o ex-governador de NY), e nem me estranha muito pegar aquelas coisas feias (mulher com cara de povão, estilo Raimunda, as vezes é melhor mesmo, menos fresca e mais "empolgada" com celebridades. Se bobear faz um serviço especial com a maior dedicação, e pede indicações e recomendações de seu serviço...)v achando que é mulher. Portanto, partindo do pressuposto de que ele não soubesse que se tratava de bibas, como ele não adquiriu know-how para se livrar dessas merdas. Tudo poderia ter terminado assim:
- Ih!! Que é isso? Mulher de tromba?
- Ué... sou uma mulher com algo mais... cê vai gostar...
- Não, não , não, perai... tô no ramadã, não tô podendo encará esas coisas não...
- Que isso! Experimenta!
- Olha, não se trata de experimentar... mas sabe como é, hoje estava afim de mulher. Vai dizer que as "amigas" que tu chamou também são bibas?
- Claro.
- Não, não! Suspende essa pizza de calabreza ai!
- Ah, não! elas já estão na entrada do motel!
-Então podem ir embora! tá aqui 1000 reais pelo incomodo, podem ir embora...
- De jeito nenhum!! Só saio com 50 mil! E já tirei sua foto no meu celular e vou espalhar pra todo mundo oque rolou aqui!
-E rolou oquê!
- Ah! tudo que a gente inventar! Depois você é que vai ter de se explicar!
- Olha só... vocês estão denegrindo uma clase que já não custa muito as pessoas terem algumas restrições, e vão fazer isso comigo?
- Ué!? vou sair no lucro, meu bem! ainda vou sair na Playboy, vou na Adriana Galisteu falar mal de você...
Nese momento Ronaldo assume uma pose mafiosa, estilo soprano, e ocmeça a falr com mais calma:
-Então cês acham que podem aprontar isso? Então eu vou dar 50 mil para cada uma de vocês...(pausa de suspense mafioso) ... mas garanto que não conseguirão gastar esse dinheiro, a não ser com o jazigo de vocês. Farei questão de gastar 150 com vocês e 300 com gente que pode sumir com vocês ainda hoje. E é gente da federal, da PM, quadrilha, traficante, tenho mil e um contatos. Esse serviço será uma licitação mais ocncorrida que a compra da Petrobras. E ainda tem gente desse submundo que vocês conhecem bem, que fariam o serviço rápido e de graça, só pra me agradar. Basta que eu ligue.(pausa de suspense mafioso) vocês escolhem: peguem esses 1000 reais e torçam para que eu esqueça a cara de vocês; ou então se preparem para o pior, pois não vô querer que apaguem vocês rapidinho não. Quero dias de tortura, quero olhos furados, linguas cortadas, dedos arrancados e muita ruindade. Vou arranjar gente especializada, e vocês sabem que essa gente existe. quero que vocês morram arrependidas de terem sonhado em me sacanear. E ai?
Silêncio. Ronaldo se levanta, bota a camisa do mengão, joga as notas de cores vibrantes de 100 reais (que cor é? não sei , nunca vi uma...) no chão, e sai tranquilo do motel, na porta ainda diz:
-Paguem a conta!
Seria tão fácil.

sábado, 3 de maio de 2008

Urbanóide

No gingado do ônibus suspenso por uma descida, me distraio com o cenário constante de bairros que nunca sairão em postais e nenhum futuro Taunay registrará. O ônibus pára, e sobe sem pagar um mendigo com pernas podres, e um casal Atrazildo da silva se percebe no seu ponto de desembarque e se levanta depois do motorista acionar a partida. O macho da dupla não pensa duas vezes, assovia um "fifiuu" curto e discreto umas duas vezes a titulo de alerta, e o motorista corresponde ao código parando e abrindo a porta de desembarque.

Eu duvido quem em qualquer outra parte do mundo essa atitude, de assoviar para alguém, fosse correspondida de forma tão tolerante. Como que o tratamento e a comunicação entre motorista e passageiro se estabeleceu assim? Que mecanismos urbanos conseguiram estabelecer a legitimidade de um ato que, em minha visão insensível e eurocentrica (eurocêntrica Viena, não euro-periférica Bari), só pode determinar o uso de assovio como método vulgar e precário de abordar moçoilas, ou gerenciar o proceder de cachorros. suspeito que em grande parte do mundo, assoviar para alguém seja excesso de intimidade, quando não desrespeito (No soy perro, hijo de puta!!). Nem sei se é algo carióca, derrepente. mas há de se reconhecer uma coisa: isso só acontece no ônibus.

Esse meio de transporte carreia um ecossistema social muito particular, tanto para sua tripulação como para os passageiros (faunas que se esforçam na distinção, por sinal). A dinâmica de seu uso, assim como seu papel em fazer existir cantos que a cidade sequer reconheceria como sua, é um milagre. Em princípio, quem aqui já foi a Honório Gurgel? Quem conhece essas paragens só o conhece por ônibus! Existem bairros de mais de 100 anos de vida na cidade que não são cartões-postais e nem passagem. São dormitórios que não registram sua existência com uma casa de show, um estádio, um shopping ou uma favela badalada. Não aparece, não tem cara , e é tão exótica para um carioca quanto Kabul ou Odessa.
Honório Gurgel, Cordovil, Vaz lobo, Urucânia, IAPI (meu Deus, a instituição morre, mais o intinerário ainda se identifica assim!), existem tantos bairros que eu, quando criança, ouvia falar (geralmente de um comercial de retífica, depósito de doces ou quejandos) mas que não "aparecem" no Atlas social e cultural. ninguém vai resolver nada em Honório Gurgel. ninguém vai a uma central federal, do estado ou do município que fique em Parque União. Esses locais não abrigam um ministério, um centro de referência, nada! Nada levaria um forasteiro a esses locais. só os nativos frequentam. Vicente de Carvalho! Não adianta conhecer a estação do metrô, tem de descer e ver o lugar! Ou então só um meio garante uma exibição honesta do local, que é o ônibus.
São cantos que somente são exibidos pelo cinema-ônibus, com sua janelas de HDTV, de plasma empoeirado wide-screen, que exibem programações interessantíssimas. É um Animal Planet que te mostra como é diferente essa gente do Catete e essas minas do Barbante; os estudantes são diferentes em Quintino e em Manguariba. Os idosos de Sepetiba são menos marrentos que os de Maracai. Os camlôs se distinguem, as mulheres coxudas e boazudas têm uma geografia e um horário, a bandidagem tem um itinerário e horário, e não raro entrar num ônibus errado é viajar para uma outra dimensão. Ninguém se perde de um aeroporto para outro, mas pegue um ônibus errado pra tu ver! Que pânico pode haver descer em Laguardia ao invés do JFK? O táxi é o mesmo. Mas faça uma confusão entre o 234 e o 334...

É por isso que quando eu vejo essa juventude classe média nos seus carros com ar condicionado e dvd, isolados do mundo real, alienados dessa urbanidade, ignorantes das nuances de uma escolha de assento no ônibus, eu não deixo de chegar a uma indefectível conclusão:

Não estão perdendo porra nenhuma.

Barra Conexions

Barra conexions é um blog para a publicação de qualquer coisa que gente quiser. A gente significa os 3 malucos que se encontram (pelo menos foi assim em 2007)na Barra, bebem vinho e jogam conversa fora.