Se tem um debate atual do qual eu muito me aborreço é este sobre as células tronco. Me aborrece as tomadas de posição precipitadas e ainda as técnicas espúrias de argumentação.
O que parece é que estamos diante de um conflito entre ciência e religião. Não, não é isso estamos diante de um conflito ético que envolve a ciência, a(s) religião (ões), a política e o direito. Nesta questão nem sempre ciência e religião estão em lados opostos.
Nossa matriz predominante de pensamento é herdeira do iluminismo. O grande problema é que não há alternativa, parece que não existe no corpo das idéias que vigoram no Brasil, qualquer pensamento que não seja de matiz materialista. Continuamos criticando a igreja católica como se estivéssemos no séc. XVIII, como se a igreja fizesse parte do Estado.
Não, a igreja nçao faz parte do Estado brasileiro, somos um estado laico. No entanto, se não estamos no Ancién Regime, também não estamos na URSS ou na China comunista. Não somos um estado Ateu, a racionalidade científica não é detentora de nossos princípios morais. As religiões tem o direito de se manifestar. O fato de alguém opinar sobre um problema ético (portanto filosófico) com base na religião, é perfeitamente legítimo. O que se discute na questão das células-tronco é um conceito metafísico: a vida humana. A ciência sozinha não tem resposta pra isso.
Como esta questão é por demais complexa. Acho estranho uma tomada de posição, contra ou favor, tomada de imediato é que considera a posição contrária um absurdo, um retrocesso, obscurantismo ou assassinato de embriões.
Não impera o mal em nenhuma das decisões, as duas são defensáveis. O que aborrece é o uso da tática da mentira para defender sua posição.
Quando os defensores das pesquisas resumem o debate à dicotomia ciência versus religião. Estão apelando à audiência que considere a posição contrária à pesquisa como irracional ou dogmática.
A concepção de que a vida começa na fecundação não surgiu na igreja. Ela é fruto da própria ciência que considera a formação de um novo DNA a etapa inicial do desenvolvimento de uma nova vida. A igreja toma sua posição com base num pressuposto científico, logo não é um dogma, ou um fruto do obscurantismo.
O uso dos embriões em pesquisa não nos permite qualificar os cientistas como assassinos frios e impiedosos. Os cientistas querem utilizar seus conhecimentos para algo maior: a possível cura de doenças, e portanto consideram lícito o uso de embriões que seriam descartados.
Em geral, é a posição daqueles que defendem a pesquisa que se mostra mais radical e não a da igreja e das pessoas que são contra a pesquisa. Aliás, cabe dizer que acho ridículo que falemos que "a igreja" é contra como se estivéssemos numa disputa entre clero e sociedade. A disputa é entre cidadãos que movidos por seus conhecimentos e opções éticas, científicas e religiosas decidem ser contra ou favor das pesquisas.
Eu sou agnóstico, nunca fui católico, já fui ateu , nunca tive uma religião E SOU CONTRA AS PESQUISAS. Por que considero o embrião como vida humana e se não é vida eu não sei o que é. Entendo a posição daqueles que são a favor, afinal os embriões não tem consciência e estão congelados em clínicas e laboratórios. Mas pelo amor de DEUS (risos!!!) não me venham como esse papo de OBSCURANTISMO, CIÊNCIA X RELIGIÃO, EXORTAÇÕES à Galileu, e etc...
Pode-se discutir o que é vida, se vida é diferente de pessoa, quando a vida começa etc... que no final não chegaremos a resposta alguma. A minha posição é: se está em dúvida, não devemos matar a dúvida. Simples assim.
Este deveria ser o debate ideal: Diante da dúvida, o que fazer? Me parece adqueada a posição do Ministro Direito, façam as pesuisas mas descubram uma maneira de não matar o embrião. Alguém pode dizer que é impossível. Como podem ter tanta certeza? Se embrião não é vida, então não poderia morrer, não é mesmo? E já que serão feitas pesquisas por quê não fazer mais esta: Como extrair células tronco sem destruir embriões. Desta maneira os problemas éticos seriam resolvidos.
Se alguém me perguntar se algum dia eu aceitaria ser beneficiário destas pesuisas, eu não saberia responder. Como eu acho que deve ser a opinião inicial de quem lida com este dilema: não sei! É mais humilde , mais adequado e mais sincero.
P.S. Este mesmo raciocínio vale para o que eu penso sobre o aborto.
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