quarta-feira, 2 de abril de 2008

Foucault II

Segue o texto dele:

Em nenhum momento de sua história, um homem se torna tão vulnerável como depois de sua morte. O filósofo francês Michel Foucault, morto em 1984 vem sendo alvo de críticas pesadas, tanto da parte da esquerda carnívora, que o considera "nocivo", quanto da direitona. Olavo de Carvalho, (na maioria das vezes preciso em suas argumentações, mas em outras fazendo jus ao seu apelido de "Alborghetti da filosofia") desqualificou a obra foucaultiana, fazendo menção ao fato de que o autor era pederasta e morreu de AIDS. Logo Olavo, que considera atitudes dessa natureza fruto de baixeza intelectual.Reinaldo de Azevedo, outro reacionário de primeira cepa, cunhou a expressão "bonde do Foucault", referindo-se aos maconheiros do Posto 9 da praia de Ipanema.

O filme "Tropa de Elite", coqueluche do cinema nacional em 2007, contribuiu indiretamente para o ataque a Foucault, ao denunciar a maneira através da qual ele é vomitado pela esquerda vegetariana, que ajuda a sustentar o tráfico e depois faz passeata contra a violência. Numa cena da película, o texto "Vigiar e Punir", uma das obras-primas do filósofo, ao lado de "A história da sexualidade", é utilizado para justificar o fato de que "a polícia age perversamente contra os despossuídos, os bestializados, e aqueles que por sua condição, são compelidos a cometer delitos."

Sabemos que o crime de criminalizar a pobreza é uma das maiores mazelas da nossa sociedade, mas o uso de uma filosofia do conhecimento para encobrir, voluntariamente ou não, a impunidade, é de uma perversidade tão grande quanto a dos abusos cometidos por policiais em favelas. Evidentemente não devemos fechar os olhos diante de torturas, prisões arbitrárias, execuções sumárias, revistas ilegais e violações de domicílios. Tampouco, devemos achar que o problema da segurança pública se resolve com pirotecnia. Todavia, não se pode usar de tais argumentos para defender bandido ou ser contra a presença da polícia nos morros. Foi esse tipo de pensamento que, ao supostamente se opor à legitimação da violência policial, acabou por legitimar aquela cometida pelos traficantes, e ajudou a dar origem às facções criminosas PCC e CV.

As teorias de Foucault sobre o saber, o poder e o sujeito romperam com as concepções modernas destes termos. Contribuiram diretamente,por exemplo, para que a assistência a doentes mentais em todo o mundo sofresse uma revolução.Para ele, o poder não pode ser localizado em uma instituição ou no Estado, o que tornaria impossível a "tomada de poder" proposta pelos marxistas.Tal axioma me remete à frase de Francisco Leme, segundo a qual "qualquer liberal autêntico é um anarquista frustrado". Seria bom se seu legado fosse deixado em paz por aqueles que o distorcem, e visto com outros olhos pelos que o atacam, por associá-lo aos primeiros.O negão não merece todo esse linchamento moral a que vem sendo submetido.

por Cláudio Arnoldi
http://claudioarnoldi.blog.terra.com.br/como_foucault_esta_sendo_mal_interpretad#comments

Um comentário:

Anônimo disse...

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