Pros que não sabem, sou a pessoa mais egoista e a menos solidária do mundo. sou um ser humano normal, coisa rara em um meio que pressupõe que todos são naturalmente solidários e dispostos a ajudar e se responsabilizar pelo outro. Mal acabo de assistir "A Culpa é de Fidel" e surge uma discussão sobre o IPTU (como se fosse algo de se discutir: não pagar, se possível! Protelar o pagamento no limite do tolerável! E brigar por maior participação plutocrática no orçamento - opine de acorod com seu carnê!). Na roda de discussão são todos funcionários do municipio, o que faz do debate algo, no mínimo ridículo. Observo que não fui eu que fiz a pauta e nem conduzi nada. fui elemento passivo no processo. Mas ao ser perguntado obre o IPTU, disse tranquilamente que pagaria a té o dobro, se pudesse definir onde gastar e - o mais importante - onde não gastar meu IPTU. Só deixaria gastar minha contribuição na minha rua e acabou.
Horror!!!! Logo vem uma sujeita (cheia de gratificações incorporadas da prefeitura, apesar de não exercer mais nenhum cargo) indagar como eu acharia que ficaria a cidade assim. Respondi o óbvio. Que ficaria melhor pra mim e para mainha família, que é o que me interessa. Disse claramente que não quero meu dinheiro em CEMASIs, em ongs e nem nada de carater social ou educacional. Meu filho não frequenta nem depende de nenhum serviço social municipal. quanto ao filho dos outros, é problema do filho dos outros, inclusive a escolha de tê-los e mante-los nessa cidade.
Me considero muito mal servido pela municipalidade, e muito vagabundo que não paga IPTU recebe recursos demais. Ai vem essa veterana do funcionalismo municipal resgatar um artigo calhorda que apareceu semana passada criticando o protesto contra o IPTU. E ela, tão gostosinha e tão esquerdopata, lança justamente o argumento mais chulo, de que as áreas mais nobres da cidade recebem serviços melhores que áreas como Sepetiba e Guaratiba (onde ela mora), e que essa desigualdade de alguma forma deve ser corrigida. Nesse momento faço pose de impaciente e surpreso com a falta de inteligência dela e lembro que se considerarmos oque Guaratiba contribui de IPTU, não deveria existir um metro de asfalto e nem uma escola municipal por lá. É cheia de favela e ocupações irregulares, e ninguém paga IPTU naquela roça (e quando paga, é uma ninharia). No entanto tem mais serviços públicos sociais do município que a Gávea, que contribui com 9 vezes o IPTU de Guaratiba. Se é uma merda o serviço municipal de Guaratiba, que é sustentado com dinheiro que vem de outros bairros e não da própria Guaratiba, então é melhor investir em áreas mais nobres mesmo.
Se a Gávea recebe serviços municipais melhores, esses serviços, qualitativamente e quantitativamente, estão aquém do valor da contribuição. Proporcionalmente as supostas áreas desprivilegiadas socialmente são as que mais recebem recursos municipais. Nunca vi um Centro Esportivo como o Miécimo no Horto, na Tijuca ou em qualquer lugar de onde o dinheiro sai. Os verdadeiros excluídos são oque que pagam IPTU. As favelas recebem diversos recursos, e por isso mesmo crescem absurdamente. Justamente quem não contribui, o favelado, é quem mais recebe recursos municipais, para continuar promovendo a desordem urbana.
Lembrei a essa colega que os investimentos do município nas ditas áreas carentes são, na maioria dos casos, puro desperdício de dinheiro, como ciclovias em paciência. E se fosse o dinheiro de quem mora em Paciência, ótimo! O problema é que em Paciência a grande maioria dos moradores não pagam IPTU, então não tem a decência de ser crítico e fiscalizador com as obras públicas. são porcos recebendo pérolas falsas. Mas não deixam de ser porcos. Com dinheiro dos outros. Por que razão eu deveria pagar IPTU para sustentar as péssimas escolas daquela região. Verdadeiras academias de zumbis. Prefiro comprar um DVD do Hi-5.
Ai veio a covardia e a superficialidade de dizer que pensar assim é preconceito. Que é discriminação, porque não gosto de pobre. Essa é a hora de se fazer cara de indignado, chocado! Com voz embargada , digo que estou muito magoado com a falta respeito e insensibilidade de uma colega em não perceber que o fato de ser contra um modelo orçamentário e de política púlbica não me faz alguém que discrimina ou tem preconceito, e que tudo que coloquei se baseia em fatos sobre os gastos públicos, e não em mera opinião. Lembro a essa colega (enquanto pago a minha parte da conta no boteco de grife em que paramos para tomar um bom whisky, e deixamos um salário mínimo na registradora do boteco) que eu sou pobre, como ela e muitos que estão ali. alguns chegaram ali de AUDI, mas a maioria está rodando com Palio 1.0 ano 2004 ou equivalente, como eu. Isso é ser pobre. E pior ainda é ser pobre assim e ter de ouvir besteira. Nessa hora ela lamenta sua colocação, segura a minha mão, e encosta seus fartos seios no meu ombro. Sinto sua teta tinindo. Não sei como consigo misturar essas coisas.
Lembrei a ela que não tenho e nunca tive colega rico! Não conheço ninguém rico! Sempre fui pobre (e não por escolha), e por isso sei o quanto me custa ser pobre, e valorizo cada centavo que consigo com meu suor. E por isso odeio trabalhar pra bancar mordomias dessa aristocracia do funcionalismo municipal (da qual ela faz parte) e bancar ainda por cima as migalhas e cala-bocas disfarçadas de "politicas redistributivas". E sou egoísta, sim! Mas com oque é meu! Prefiro jogar fora 400 reais num passeio de helicoptero doque ajudar uma familia da favela do Aço! não me dói em nada fazer isso. E faço isso sem culpa porque não sou burguês. Tenho plena noção de que todo dinheiro que entra no meu bolso é honesto e merecido. Não tenho essa culpa de gastar com futilidades. E já contribuo demais para que o povo do Aço tenha luz, NET e tudo o mais de graça.
Sem citar o artigo do jornal, encerro a discussão (depois de ouvir outras besteiras, e dizer muitas outras também) concordando com um ponto: se as pessoas passarem a sonegar IPTU, quem fica mal é o mais pobre. Eu normalmente daria minha resposta favorita, por ser a melhor elaborada e profunda: E dai? (versão light do Ctrl-F!), mas nesse caso vem um mote político importante pra mim. O pobre deveria ser tão vigilante e atuante sobre a municipalidade quanto a dita classe média e a elite, pois é ele que vai ficar sem PSF, sem escola e sem CEMASIs se ninguém paga IPTU. Então, que eles votem direito e escolham um prefeito que se identifique não com aspirações populistas do povão. Sejam como os negros conservadores do Harllen: só votem em republicanos estilo Giulianni. Assim todo mundo ganha.
Termianda a discussão, vamos nos afastando dos demais "camaradas" pergunto quanto que ela pagava de IPTU. Ela disse que não paga (claro!). Ai eu lembrei a ela que o dinheiro que gastaria com o IPTU eu poderia investir em um parque aquático noturno pra gente. Guaratiba é longe de Botafogo...
Observem o valor venal da "propriedade" da minha cara colega, só pra ver se não é um melhor investimento. Olha a aliquota dela!

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