segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Festival de Cinema I: Hairspray

Não, gente. Não fui na bienal e não vou nunca mais. Ou pelo menos enquanto for essa reunião de celebridades, que atraem sua tietes e deixam o evento caro, os banheiros nojetos, os estacionamentos uma verdadeira Daytona, e os as comidas podres. É terrível tentar encontrar algo diferente e relevante em ondas de Harry Potters que ocupam dez stands e deixam os stands mais simplórios sombreados. Se é pra encontrar lá oque se encontra em qualquer Saráiva (e caro, com filas enormes), esquece...


Mas não vou escapar de alguns filmes do festival de cinema que tá rolando. E o primeiro filme foi Hairspray. Podem falar mal, mas eu explico.

Hairspray está pra minha geração assim como Grease está para os quarenta e 11 de hoje em dia. E por trás de um musical palhaço existe um apelo racial muito interessante, que me deixou ligadão na primeira vez que assisti. Muitos filmes americanos falam sobre racísmo e segregação, mas Hairspray foi o primeiro a abordar tal tema de forma vigorosa, talentosa e, na minha opinião, inteligente. O escrach foi mais produtivo que um estilo "indignaldo fico" de um "Mississipi em Chamas". A luta contra a segregação não é uma coisa de gente louca pra contrariar conservadores, mas apenas a manfestação do desejo de igualdade perante a sociedade e o Estado.

O filme ainda fala das diferenças abordando outra questão pra mim ótima, particularmente, que é essa coisa de uma gordinha fora dos padrões se sobressair e se tornar uma protagonista apaixonante. E não por ter virtudes clássicas, mas uma superficialidade realista (?). Oque eu quero dizer com isso? A menina,uma adolescente, só que saber de dançar, e tem uma convicção superficial e rasteira compatível com a que se encontrar na juventude. É a paixão das idéias, e a fé de que pode buscar a felicidade.Isso tudo nos anos 60.

Eu e minha esposa conhecemos este musical há séculos, quando ele ainda era um mistério por aqui. E só o conhecemos pela TV, nessas sessões da tarde. Nos apaixonamos um pelo outro e por esse musical facilmente.

Não pensamos duas vezes em desorganizar nossas vidas para nos deslocarmos ao Leblon, para assistir em um cinema velha-guarda (que saudade desses cinemas, com banheiros parecendo bares clandestinos de chicago na lei seca, salas com duplo corredor, bomboniere...) o melhor musical do ano,batendo de longe Moulin Rouge. E como estamos velohs!!! esse filme já é um clássico remake de 1989!!! Eu vi um clássico que já tá sendo relido? Daqui a pouco vão fazer uma releitura de "De Volta para o Futuro"? "Matrix"? Qual é?

Mas o que mais gostei do filme foi a renovação que ele trás sobre um período, um passado terrível, triste, que foi modificado pelos movimentos osicais e pelo vigor da juventude. Todo mundo se faz de engajado e reovltado pelo racismo contemporâneo, mas não imaginam que o mundo já foi mito mais escroto. Eu, por exemplo, na minha infância, convivia com um pais africano que sustentava uma política segregatória decarada, como os paises centrasi se sentindo muito a vontade com isso, tanto comunistas como capitalistas.

A juventude de hoje não imagina o que foi a década de 60. E esse musical foi bolado em 1987 justamente para fazer lembrar e ensinar aos esquecidos e desinformados como o mundo já foi mais negativo, e como a vitalidade dos jóvens e das pessoas de mente aberta precisava ser exercida para reoxigenar o mundo.

Aquela hora da marcha, quando Queen Latifah canta aquele belo hino, faz qualquer um sentir o clima da época. E nessa hora é que fico puto com a rapaziada de hoje em dia que não honra as conquistas alcançadas por Malcon X e MLK. Tem gente que quer nivelar Al Sharpton a MLK Jr, e filmes como esse fazem uma pessoa séria pensar "Pera lá?!?!? que deesproporcionalidade!!!!".

A graça de Hairspray é resgatar essa época e flagar a falta de ocnsistência das figuras atuais, que tentam a todo custo continuar explorando a questão racial. Me veio logo a mente a coisa asquerosa que são Al Sharpton e Barahk Ohbama, gente que ainda capitaliza em cima do racísmo, das acusações em falso e da manipulação política. Com Hairspry me veio ainda mais indignação com essas figuras, que querem se apresentar como paladinos em um mundo ainda pré-MLK, pré-LBJ e sem mudanças , que leles não querem mesmo, pois a vida desses calhordas está pautada na encevação dos conflitos, em botar gasolina nos atritos étnicos nos EUA. Eles não querem datar e historizar os conflitos, e sim torná-los eternos como a revolução socialista e a luta de classes, entre outros mitos.

No Brasil também é assim. Teremos sempre um nordeste seco e árido, onde as desigualdades e misérias se apinham por flata de solidariedade; sempre termos índios indefesos e romanticamente ajustados a natureza; sempre teremos o meio rual apontado como pacifico e livre de violência, drogas, corrupção, no máximo o velho coronelismo populista.

tá! eu não vi isso tudo no Hairspray, mas é claro que o filme toca nisso. Através dele eu me lembrei por onde eu já passei, oque já sofri, e pra onde eu quero ir. é preciso ter essa sobriedade, pra não se ocmeçar a achar que a solução está numa pessoa, ou numa ong opu numa religião, alguma moda, sei lá.

O filme é superficial? Coloque no contexto ocidental contemporâneo, e reconheça como o mundo mudou (pra muito melhor, em alguns aspectos) e me respondam...

Pra mim, a ingenuidade e romantísmo debochado do filme são instrumentos importantes para melhorar sua mensagem.

O dia que mais rodei de carro!!

Pra começar: que idéia estupida é ir a qualquer badalação momentânea no Rio. Essa cidade vive de colecionar gente bem blochista, que adere ao "dia de não usar o carro", e toma um taxi do Leme até a Barra sem que lhe pese no bolso ou na consciência essa atitude.

Foi a coisa mais imbecil que já ouví. Faz todo sentido organizar um dia pra deixar seu carro em casa, se você vive em Amsterdan, onde um bonde elétrico silencioso passa na porta de sua casa, e sua conexções te levam pra meio mundo. Mas no Rio de Janeiro, abrir mão do carro é uma coisa estupida, visto como a cidade é mal servida de transportes públicos, mesmo em áreas nobres. Aliás, é justamente em áreas nobres que o transporte público é quase nulo, pra isolar a casa grande da senzala mesmo. Vai pegar um ônibus no fim de semana na Urca, pra tu ver.

Mas tudo é montado e argumentado pra se construir um clima de virtude pros abwençoados que vão a orla bicicletar, enquanto os malditos motoristas sem consciência ecológica continuam se deslocando nos seus carros.


Até parece que alguém se fode até não aguentar mais pra comprar um carro, só de onda. afinal essa cidade foi feita pra conhecer à pé.

Até parece que existe como alternativa decente e cessível o transporte coletivo.

Até parece que o combustível no Brasil é barato, a ponto de se poder andar de carro a toa.

Até parece que ninguém preferiria se livrar do trabalho de dirigir nesse transito caótico e nesse trafegobem organizdo pela prefeitura. claro que todo mundo prefere ficar passando marc ha e pisando na embreajem entre os buracos e obras, até ser desorientado por umap laca de trânsito e parar na Vila do João.

Evidente que vou me sujeitar esse fim de semana a depender dos transportes públicos, ... NOT!

Peguei minha patroa e rodei a cidade pra fazer as coisas mais banais e bossais, pr andar qualquer 200 metros, nessa cidade cinza de cimento, onde andar é um suplício e um risco para rótulas e tornozelos. Todo mundo fala da delicia de andar pela cinelândia, pela tijuca ou pela zona sul. Vai passear pela Pavuna!?!? Vai passear em Madureira, na Penha!?!? ou então vá a merda a pé também... dá no mesmo.

O rio de janeiro também é honório gurgel, méier, Cascadura, Pça Seca e um monte de lugares desagradaveis, feios, sem infra ou paisagismo, onde o urbanísmo não existe. Não tem calçada, não tem folclore e não tem fachada que torne esses lugares agradáveis. Nem falo da zona Oeste, que não é Rio de Janeiro nem por um decreto... Vou eu abrir mão de carro com sogra morando na Taquara?!?! Fuck you!

Rodei todos os extremos dessa cidade, botei gasolina comum, e fui até em Itaguai sem a menor necessidade, só pra almoçar no Zelitos!! Queimei gasolina de montão, e o fiz feliz, pois o trânsito estava maravilhoso, graças aos bocós que deixaram seus carros em casa. Onde que eu cnseguiria chegar, da Usina
a Lagoa, via Tijuca, em 11 minutos? Via Conde de Bonfim? E da Lagoa para Av. Brasil? Sem engarrafamento?!?! E de Itaguai pra madureira shopping? Um pulo...

quero mais é que a adesão a essa palhaçada seja epidêmica, pois sei que isso não muda nada essa coisa EMO de ficar sem carro voluntariamnte.

E se me perguntarem se existe idéia melhor, primeiramente chamarei o questionador de ignorante desinformado e mau-caráter,pois se este não sabe, deveria primeiro procurar saber das milhares de coisas que deveriam se cumpridas por lei (e não o fazem), pra melhorar a taxa de emissão de gazes poluentes, antes da proposta indecorosa de defender a restrição do uso de carros particulares.

E eu cobro 212 reais a hora pra dar aula de ambientalismo, então não será aqui que alguém se agraciará com mnhas idéias e informações.

Mas só de lambuja: querem reduzir a poluição?

vamos lá - ampliar o transporte coletivo. quero ver alguém poder sair de lote 1000 até Manguariba de metrô com ar condicionado; Regular os transportes a diesel, especialmente os de carga; Baratear a manutenção e regulagem de mecanica dos veículos privados; nossa gasolina é limpissima se compara a outras domundo. É cheia de metanol, álcool anidro, e tem um teor de chumbo e metais pesados 17 vezes menor que ococmbustivel europeu (nem falo dos EUA nesse quesito, então). O problema não é o combustível, mas seu preço, justamente por sua pureza e pelo seu teor tributário. Reverter esse teor tributário em inverstimentos ambientais é uma.

sábado, 22 de setembro de 2007

O primeiro foi o Arnaldo...

Hoje no Globo encontrei a primeira manifestação de indignação e contrariedade em relação ao filme "Tropa de Elite". E vou logo dizendo (digo, escrevendo): achei o melhor filme do ano, adorei a mensagem e a sinceridade do filme, e como muitos não concordo com os métodos, mas acredito que são necessários e bem aplicados, assim como não gosto de guerra, não gosto de classismos e não gosto de nacionalismo, mas não acredito num mundo sem guerras, sem pobreza e sem fronteiras. Na verdade me daria asco e medo um mundo assim, pois certamente seria um mundo sem liberdade e sem esperança. Enfim: chega de "Cidade de Deus"!

O "maravilhoso" Naldinho se expressou como eu esperava: achou o discurso violento, facista e condenatório. Chegou a dizer que era uma criança o moleque que ia levar um cabo de vassoura na bunda. só não enxerga que uma criança daquela já empunha arma pra matar. Criança é o cacete: é bandido, se faz de desorientado, e por mim poderia ir pra vala. Não me sinto mau pelo fim de um safado que se diz vítima da sociedade, tenta justificar seus crimes com teses reproduzidas justamentes por" blochinhos" de Ipanema, esses pseudo-esquerdistas, esses erquerdiopatas. Esses bandidos traficos não é pra matar fome, não; é pra comprar tenis de 700 reais, que eu, trabalhador honesto tenho a descência de não comprar, mesmo merecendo e tendo dinheiro honesto no bolso, pois sei que esse tenis pisaria em mais de dois salários mínimos. Dinheiro suficiente pra matar a fome de quem não trafica, mas tá na merda de verdade.

Me perguntaram "E se um policial invade sua casa e revista suas coisas sem respeitar seus direitos?...". eu ficaria puto, claro! O problema é que sei que a situação não chegaria a cabo (de vassoura) pois qualquer um pode ir no meu cafôfo: só tenho uma cadeira quebrada, um jornal como colchão e dois tijolos como fogão...

Aliás, vamos combinar: ninguém hoje em dia, no Brasi, rouba por estar com fome. Rouba pra cheirar, rouba pra comprar nikes de 600 reais, rouba pra comprar lambretas (sou das antigas...). Vamos para com essa viadagem desse discurso chulo de "rouba por que é pobre". Rouba porque é filho-da-puta, não tem respeito pela sociedade, pelo outro. rouba por que é fácil nesse pais. Rouba por que a punição tarda e é falha.

Quem não deve não teme. Não teme o BOPE. A policia, sim. Essa é outra coisa interessante do filme: pra que uma sociedade precisa de uma força que oficializa o esquadrão da morte? Pra tombar mesmo, porra!! O papel do BOPE é explicitado, e eles são Hell Patrol. E não há inocente na mão deles. Vergonha é existir a necessidade de um BOPE, mas em tendo, ainda bem que eles são "efetivos". A merda é que ninguém ficou puto com a PM, corrupta e tão bem chegada nos umbrais do poder.

Nada mais coerente doque um Arnaldo Bloch ficar incomodado com o filme. Foi porrada naveia dele. Vai pensar duas vezes antes de desfilar na Vieira souto em passeatas pela paz, se sentindo santificado nesses desfiles de auto-promoção, auto-apreciação de virtudes falsas dessa gente que tem vergonha de se apresentar como elite, como classe média, mas paga um salário mínimo e meio pro seu porteiro, e o trata como trataria seu bizavô: com o paternalísmo de propietário de escravos nas Gerais do séc. XVIII.

O ponto que mais achei ridículo de suas colocações foi quando questionou o debate (aliás, que debate não foi, foi panfletagem mesmo, só que na contramão do que o meio acadêmico faz hoje), o lindo, que pelo jeito , como a maioria da leite esquerdopata não leu ou leu enviesadamente Foucault, amaldiçoa a posição do Matias, como se ele tivesse defendido um discurso incoerente, e como sua posição fosse a hegemônica.

Pra começar: em aula de Sociologia, deve-se debater de tudo, e ao contrário do que diz o Naldinho, se debate sobre a liberação ou descriminalização das drogas e outras bizarrices. E o debate não só existe como se dá daquele jeito no filme: um bando de patricinhas e mauricinhos defendem as drogas, defendem o trafico, defendem inclusive a pirataria, e acima de tudo NÃO ADMITEM QUALQUER DISCURSO OU POSIÇÃO CONTRARIA, sob pena de se apontar como racista, facista, preconceituoso, classe média e bobo. Isso ele não diz, que esses debaters são falsos, e são organizados no meio acadêmico mais como comícios a la mao-tse tung, onde os alunos se destacam por reproduzir o discurso de esquerda. E ai daquele que ousa dizer , por exemplo, que a leitura de foulcalt está superestimada, e não foi só ele que escreveu sobre poder, vigilância e regulação. Na Saúde, por exemplo, vai dizer que Foulcault não chega aos pés de Ivan Illich? É faca na caveira procê... (ou, no dialeto de CDD: rezam a suas costas...) . Não existe debate, e sim doutrinação e expiação dos discursos contrários.

O naldinho aponta o discurso de mathias como o hegemônico e arrogante detentor da "realidade". Hora, esse foi o ponto em que se revela que o cara de filme não entnede porra nenhuma, pois é nessa parte do filme que se mostra que a realidade não está em lugar nenhum, nem mesmo no FILME. Essa mensagem ficou nítida, pra bom entendedor. A verdade não tá no CDD, nem no Tropa de elite, nem memso no documentário "Noticias de uma Guerra...". Deixa de ser frouxo na bagaça, meu... A própria reação dos demais estudantes da aula mostra o quanto o discurso dele é considerado herético e repulsivo.

Na letra dos Titãs você encontra uma pérola do pensdamento playboy, que tenho cereteza que hoje nem Arnaldo Antunes conseguiria sustentar com tanta convicção.

Eu digo que preciso de policia
que prenda bandido
que pare criminosos

Respondo a polícia como a qualquer cidadão, quando necessário, sem temor
Coopero com a polícia, com o oestado e com qualquer autoridade digna, sem incomodo
Respeito a policia e sua autoridade assim como gostaria de ser respeitado como cidadão e servidor público.

Que todos respondam a autoridade policial
Que todos obedeçam a autoridade policial

E quero ter a segurança de que criminoso é preso, assim como o temor de ser preso se um dia cometer um crime.

Qual é o problema da musica dos titãs? Pois que eu saiba, em qualquer parte do mundo a função da polícia e arelação da polícia com o cidadão e com o contraventor e essa: porteger e servir. O seu papel, como cidadão é cooperar e preservar, respeitando a autoridade. Só fica incomodado com isso quem é anarquista. Eu não tenho medo do "tolerância zero" que o Hélio Luz precisamente apontou como um terror para a sociedade braisleira, seja para pobres ou ricos.

Se a policia for diogna e honesta, mais Norueguesa, eu quero mais é faca na caveira.

Meu espirito é de "London London": tenho vergonha de me emocionar com um trecho tão bizarro da música, pro cotidiano carióca - policiais que aparentam satisfação em satisfazer seu cidadão.

Depois eu falo mais...

Voltei, mas voltei pra dar esse asunto por encerrado. Afinal, o Arnaldo nada mais é doque um resumo da zelite que se viu no filme, percebeu como é escrota pra cacete, e não gostou. Estamos numa sociedade que não quer "London London". É só.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Falta identidade. Sobra incoerência.







Nesse domingo 15/09/07, uma reportagem do O Globo divulgou um parecer no mínimo ridículo sobre a diversidade racial no Brasil, declarando que finalmente, com mais negros, o pais se tornou uma nação cuja mestiçagem se consolidou.



Pra começar: quer dizer que a mestiçagem, coisa defendida há décadas no Brasil intelectual e cultural como uma realidade e uma característica nacional, não existia então até 2006. Era tudo invenção e provocação, pura forçação (caray?!!?) de barra, e não uma constatação orgulhosa e quase indisfarçavel na pele do povo dessa nação? Só agora nos tornamos mestiços de verdade? Que eu saiba, no Brasil tem vira-lata de montão há séculos. Inclusive no que diz respeito ao porte genético e fenotípico. só que a sociedade brasileira perde tempo laureando oque é subjetivo, e não estuda, não procura compreender o objetivo: não existe gente pura no Brasil.







Mas o fato de uma pureza étnica ser quase que insustentável no Brasil, não significa que todo mundo é mestiço e acabou, e nem sequer que existe apenas pardos no Brasil. A última PNAD do IBGE só corroborou oque qualquer pessoa séria e sóbria compreende e recusa: a classificação de cor e raça no Brasil não tem nada a ver com identidade étnica, apesar de usarem em todo discurso (acadêmico, político, ideológico, sei lá...) a classificação de cor como identidade étnica.







E isso muitos fazem com intenção e conveniência. Como qualquer um sabe, pardo não é apenas o cara que é afrobrasileiro, mas até o chinês com árabe é pardo no Brasil, pois os instrumentos para exclusão das pessoas caboclas não existem, e muito menos os cafuzos e mamelucos. Tecnicamente o pardo deveria ser a manifestação do mulato, ou seja, a mestiçagem de preto com branco, mas como não há identificação das outras possíveis formas de mestiçagem (muito presentes nesse pais), esses acabam fazendo também parte dos pardos não raramente. Acaba que toda mestiçagem, de índio com preto e de branco com índio, se torna pardo. Ou seriam os cablocos brancos? Ou seriam os caboclos índios?. Onde ficam as outras mestiçagens não-africanas. Se alguém defender que caboclo é branco, então a maioria do Brasil é Branca; se ocorrer a defesa de que caboclo é índio, então a maioria do Brasil é indígena. Mas no final, o que acontece no Censo e nas PNADS é que: se não é preto, não é branco, não é índio e nem amarelo, é pardo.







E ai, é fácil pra qualquer um desses movimentos de protestantes-negros-profissionais alegar que a maioria do Brasil é negro, alegando que negro é todo preto e pardo. É um tremendo mau caráter quem faz isso. Mas é fácil sê-lo no Brasil, impunemente.







Além disso, quem tem noção da diferença entre cor e etnia sabe que o conceito de pardo nos remete ao hibridismo, impureza, indefinição ou ausência de identidade. Em resumo: vira-lata. Não tem pedigree, não tem berço. Se a academia vive cantando a mestiçagem como virtude e característica louvável na nossa sociedade, no senso comum, essa maravilhosa mestiçagem não pode ter um nome tão depreciativo como "pardo". O termo não convida ninguém a exercer qualquer postura cultural ou ideológica, pois é vazio de identidade, de origem definida, de nada que não seja uma sugestão da cor de pele da pessoa (o que faz qualquer escuro como o Edson Celullari ser encarado como pied noir na França, apesar de ser branco no Brasil), algo muito relativo, dependente da subjetividade do olhar e dos preceitos & preconceitos de cada um.










Desafio que alguém me aponte uma música, um poema, uma ode ou uma manifestação artística que aborde, sequer ABORDE o termo pardo. Que pelo menos cite a palavra "pardo"? De mulatas, crioulas, pretinhas, marrom bombom, e quejandos eu já cheio de exemplos. Agora me apontem uma musica com o termo pardo. NÃO tem, e não em porque esse termo é ´não existe para sociedade, para o brasileiro. Ninguém usa o termo pardo no dia a dia, ninguém identifica ninguém com esse termo. Simplesmente não há aplicação desse termo nas relações sociais e culturais, comunicativas de nossa nação. É um termo alienígena, de uso meramente técnico, e mesmo assim no meio demográfico. Nem mesmo na academia ele é utilizado, de tão inadequado que ele é para representar qualquer característica que não seja o mero vazio de definição, a falta de substância, o nada. Ninguém estuda o pardo na academia. Estudam o preto, o mulato, a morena, a cabocla, a galega, mas o pardo não existe para a antropologia, nem para a sociologia e nem pra ninguém que pretenda pensar sobre o concreto.







Mas se o termo pardo é tão pouco consistente, por que razão o IBGE o consagrou como tecnicamente útil para descrever a cor do brasileiro? Justamente por ser inconsistente, indefinido. Não compromete ninguém. Não ofende, não fede e nem cheira. ´Parece ser objetivo, imparcial. Apenas um reconhecimento de tom de pele, sem fazer juízo de origem ou história. Quer dizer, se você chamar algum negro de pardo ele vai achar escroto, mas não vai esvaziar uma UZI nocê. Já uma morena, cara de Iracema com olhos azuis, vai ficar puta se tu chama-la de parda. É exatamente a ausência de valor cultural ou social de termo pardo positivo, além de seu pouco uso, que faz desse termo um instrumento mais interessante, no quesito técnico.







Mas também é justamente essa insipiência, essa coisa sem sustância, que faz desse termo um elemento depreciativo para o homem comum. É quase uma desqualificação ser pardo. É a indefinição, é a ausência de herança, ou pior, é uma herança tão bagunçada, tão vira-lata, que não merece ser nada além da exclusão da condição mais sóbria de ser um branco, um preto, um amarelo ou um indígena.






De qualquer forma, a "noticia" divulgada na reportagem dá conta do aumento de pessoas que se declaram pretas no Brasil, uma aquisição de quase um milhão e meio de "novos negros" declarando serem pretos, especialmente em regiões bizarras como o Norte e o Centro-Oeste. Só na região Norte, por exemplo, entre 2005 e 2006 "surgiram" 370 mil pretos do nada. Isso em uma região que todos sabemos que a negritude não é seu forte, mas sim uma predominância coerente de pardos pelos caboclos, que aponta mais de 69% das declarações de cor. De um modo geral no Brasil sumiram pardos e apareceram pretos em todas as regiões em um ano.






Notes-se que brancos ficaram praticamente estáveis, variando de 49,9% para 49,7%. Isso que é convicção e coerência. Portanto a transformação de brancos pra pretos é insignificante. O pardo é que tá virando preto. E será que todo pardo que se acha preto agora é realmente preto? Claro que não, ou melhor, ele é pardo que quer assumir uma negritude, que não pode ser mensurada.






Essa metamorfose é vergonhosa, pois se alguns vão brindar esse fenõmeno como efeito de duas décadas de açlões afirmativas afrocentradas no Brasil, poucos vão perceber que esse efeito é enganoso, pois através dos dados das PNADS não se constrói necessáriamente uma identidade étnica, e sim uma declaração de cor, que é um indicador social, como já dito, frouxo demais.






E outros podem alegar que não é função do IBGE fazer juízo das declarações de cor, visto que a declaração é livre,m espontânea, e além do mais o objetivo é descrever o perfil de cor da nação, como ela se apresenta, pois só os zoólogos se comprometeriam em dizer oque a população é em termos ecológicos. Ou seja: não é papel do IBGE fazer taxonomia ou identificação genética do perfil étnico da população. Se um sujeito caucasiano quizer se declarar como preto, foda-se.






Nesse caso eu concordo que realmente não é papel do IBGE fazer juízo das declarações, mas observem: é papel do IBGE aperfeiçoar os métodos e as técnicas de pesquisa populacional e demografia, ou seja, já passou o tempo de reconhecer que o sistema de classficação de cor/raça é furado, e dá margens para uma série de sacanagens. Qual é a resistência do IBGE em incorporar denominações mais coerentes com a cultura e com o saber brasileiro? Por que não usar, ao invés de branco, preto pardo e índio, desmembrar o pardo? Assuma-se o termo negro? Ou afrobrasileiro. Ou até caboclo, mulato, cafuzo. O que não pode é um caboclo e um mulato ficarem no memso saco do "pardo". Isso é sacanagem.






Estamos em uma éra de políticas raciais, em que decisões e investimentos são orientados por diversos parâmetros. Entre eles, a etnia. E por isso é também responsabilidade do IBGE aperfeiçoar a classificação e transforma uma mera notificação de cor em um registro representativo da identidade étnica do povo. Caso contrário, qualquer desavisado se sente a vontade pra fazer o que quiser com os dados produzidos por uma instituição tão nobre e estratégica.






Eu sou partidário do sistema americano, onde a etnia e identidade cultural impera sobre a questão da cor. Valoriza-se a origem. Nesse sistema, uma Kim Bassinger é Cherokee, e não se fala mais nisso. Tem de valer o declarado, é claro. Mas não se pode dar brechas para o cara que é branco as quartas, preto as quintas e pardo aos domingos.



terça-feira, 18 de setembro de 2007

A FOTO PERSEGUIDA


Eis a foto histórica.
Nem aquela do :Churchil, Roosevelt e Stalin foi tão importante
PS: concordo completamente com vc, Blinder
Foi muito bom o encontro

finalmente: O Retorno dos Búfalos D'água
































Apesar de ocorrências desfavoráveis, soubemos digladiar com as forças misteriosas que tentavam nos afastar de nosso culto, e mais uma vez conseguimos realizar nossa reunião, que na minha opinião foi um sucesso.



















Saimos reforçados, prontos para mais uma sessão de "mundo", mais uma dose de "dia a dia". Temos novos temas importantes para recuperar, já que última reunião foi apenas para resgate dos acontecimentos mais importantes.


Algumas observações:


1) O desgraçado que levou marombados pra festa, está fora da confraria!!! Em um evento cuja proporção é de um cara pra 17 calcinhas, levar o Beckham é o maior gol contra!













2) Quando convidarem a Juliana Paes, a Silvia Saint e a Angelina Joulie, isto é, quando um eclipse triplo desse acontecer, me avisem com antecedência, pra que eu não vá ao culto de short Quebec, kichute e camiseta de redinha.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

COMO DEVEMOS SER LEMBRADOS?

Essa conexão tá mais furada do votação no senado do BRASIL, aproveitei e elaborei uma singela discussão, achando que não vamos conseguir reunir mentes tão brilhantes no mesmo tempo e espaço.
Seremos lembrados como pseudo-intelectuais ou intelectualóides?
Como furões ou postergadores de debates babélicos e tresloucados?
Como virtuosos pela humildade mais do que pela inteligência?rss....kkkkkkkk
Que pensam, mentes que brilham, ou melhor, CÉREBROS HABITADOS POR UMA GOZOLÂNDIA..........

Senhores! O anjo do cordeiro me salvou!

No início do mês de agosto Luisa teve uma infecção respiratória, desidratou e foi parar na emergência do Serv baby. Manuela teve uma infecção urinária na semana seguinte, febre alta e muita cefalexina. Márcia tomou um remédio antialérgico e ....teve uma crise alérgica ao remédio!!! Pode? Fenergan, Hidrocortisona, emergência da Nossa Senhora do Carmo. Manuela repete a infecção urinária somada a uma amigdalite, mais febre, Sulfa, Clavulin, Alivium, EAS e o escambau. De sexta pra sábado eu tive uma crise renal. Senhores, eu afirmo: ainda estamos todos vivos. O sangue do cordeiro nos salvou. NO PASARÁM! NO PASARÁM!
Dizem que o anjo da morte desistiu e foi dar uma volta na Itália.

Já nos avisaram:

Segundo a Superintendência de Assistência aos Pseudo-intelectuais Pretenciosos e Celebridades Anônimas(SAPPCA, associada a Secretária de Incentivo e Fomênto de Obras Dionísiacas Amadoras - SIFODA), todos nós devemos passar sangue de bezerro nos nossos umbrais, pois o anjo da morte tá passando...

Tá difícil, meu...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

PEOCUPAÇÃO E HUMILDADE

Depois desses vários acontecimentos recentes, morte de BERGMAN, ANTONIONI E AGORA PAVAROTI, fico com a impressão que a inteligência chegou no final, parece que todos os GÊNIOS estão deixando nosso planeta.
PS: ESTOU SERIAMENTE PREOCUPADO COM O FUTURO DO BARRACONEXIONS, PORQUE APÓS ESSE EXTERMÍNIO DAS GENIALIDADES, O ISMAEL E O LUIS JÁ ESTÃO PASSANDO MAL....RSS

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Apoiado!!!


Como diria Ivan Illich Ulianov:

Formô!

Não tem conversa - todos os três nessa segunda, lá no Barra Tower Studio!!
Já separei um bom vinho chileno e Já providenciei as 75 virgens suecas professoras de contorcionismo para o ritual (tá ficando cada vez mais difícil de encontrar; vamos ter de trocar por norueguesas...).

Ismael, confirme se tu vem por escrito!!!
Senão não separarei sua cota!


Inté, cumpadres!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

MAINARDI, A DÚVIDA!!!!!!

O que será que nosso amigo Mainardi vai se desculpar na próxima segunda? o sol da meia noite?
a transição do inverno para primavera? ou o cote da selic? rss........
LUIS BLINDER, ANTIGO FRANCIS MOTTA, MARCADO NA SEGUNDA, SEM DEMOCRACIA, NADA DE ASSEMBLÉIAS,MARCADO.
ABS

Tem de ser essa segunda, pelamordedeus!!!!

Tô colocando por escrito:

Segunda feira agora!! Impreterivelmente!! Sem dsicussão!! Já tô la na torre da reunião, e já separei o vinho!!

Tá firmado, de qualquer jeito. Minha ministra tá trabalhando, meu comandante do estado maior vai tá na vovó, estátudo tranquilo.

E que aláh me proteja!!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

BARRA CONEXIONS

Sepultaram o encontro, desmotivaram a viagem filosófica..., parece PARALAMAS...rss
Galera, nada mais pós moderno do que um debate pela internet
SOCORRO, NÃO ME DEIXEM SÓ!!!!!!!!
PS: eu não sou o Collor, mas vamos marcar a reunião.

domingo, 2 de setembro de 2007

Cos She´s a Ho!!!!!!


Tô eu voltando do trabalho, depois de 10 horas em pé (e quatro dentro de um ônibus pestilento) em pleno sábado de vagabundagem geral, quando decido descer na Praça Sans Peña e levar uns grudes pra casa. Já morto e querendo só um banho e não derrubar o monte de sacolas, resolvi pegar um táxi pra chegar logo. Estava próximo a um ponto de táxi, e não aguardei mais que meia duzia de segundos para que um chegasse. Porém, mais adiante estava um grupo de jovens (é isso mesmo, não tenho outro jeito de identificá-los, pois pasei dos 30, e não adianta curtir Fall Out Boys...). Esses, aparentemente também estavam aguardando um táxi, e estavam até emperequetados pra night. No que o táxi para, me afasto dando a entender que a vez seria deles, que chegaram primeiro, mas elels montam uma coreográfia como quem argumenta concender a vez. Estranho, mas não perco o táxi, pois tava doido de ficar de cuecão e beber Clight de Tangerina no gargalo.


Mal eu entro no táxi, a lider do pelotão de três cumprimenta o motorista "E ai fulano... como está!" com beijinho e tudo, esfregando seu antbraço, e sendo calorosamente correspondida pelo motorista, um senhor de mais de 40, que tem sua idade ainda mais abissal diante daquela menina de aparentes 20 anos (margem de erro: 3 anos. Ou seja, cadeia, conselho tutelar, etc...). Uma caucasiana estilo Pity, de piercing, e inegavelmente bonita. E em um mundo em que um homem deve se envenrgonhar em se sentir sexualmente atraido por meninas de 16 anos, ela seria um conflito certeiro.

Só me incomodava o fato dela perceber o quanto ela mandava bem no visual, e o quanto ela despudoradamente se sentia a vontade pra fazer o bom uso desses recurso. Tenho horror desse tipo de mulher.

Ela é rápida em colocar o assunto, mesmo criando uma atmosfera "cool":

"Pô, fulano, dava pra quebrar um galhão, ai? Podia dá uma carona pra hente ai até a rua tal?...".

Nota: essa tal rua que ela queria, do ponto de táxi, se distanciava umas 8 quadras, oque qualquer novaiorquino faz questão de andar (e as quadras lá são estilo Barra da Tijuca), e oque qualquer proletário caminha, pela revoltante possibilidade de pagar 2 reais de ônibus para percorrer tal distância. A resposta do motorista foi carinhosa, apesar de desfavorável:

"Dá não, fulana, tô rodando agora, nem comecei o esquema aqui... e já tenho outra chamada e tal...."

Derrepentelhamente, a garota faz a proposta, que se eu fosse réptil já teria impedido.

"A fulano, é rapidinho, vai... tamos atrasados... será que não podia nos levar nessa corrida, o moço se incomoda? É rapidinho..."

Ai acontece o mais impressionante. O motorista vira pra mim (sim, sempre que possível vou atrás, mas não é bestice não. Odeio cinto de segurança. Seja gordo e saiba porquê...) e pergunta se eu me incomodaria em dar uma carona ao esquadrão.

Disse apenas "Não me sinto a vontade com a proposta" e pronto. Bem Joaquim Barbosa: seco e impessoal. Deu vontade de dizer "Now carry on, Smithler...", mas ianda não tenho olerite pra isso.

A garota faz cara de surpresa (como quem diz "como ousa dispensar a compania de gente mais jovem e descolada?!?!?") mas disfarça rápido com um "tem nada não", "beleuza"e "valeu". Não me saia da cabeça um episódio de BOONDCKs.

Mal o carro sai o motorista vem com um papo tosco:

"Foi mal ai, meu amigo... (meu amigo é o caralho, seu escroto!!). Mas Aquela menina (aquela vadia, use o termo certo, seu viado!! no caso dela é quase um vocativo!!) de vez em quando está ali, a gente dá uma carona pra ela nas redondezas aqui do bairro, sabe como é (sei não, seu filha da puta!! Sempre me cobraram no final da corrida seu viado corno do caralho!!). Ela sempre faz isso, a hente conhece ela..."

Tive de me conter pra não sai de Londres e parar no Andarai de novo. Mas pensei que em meio ao engarrafamento, meu silêncio seria interpretado como arrogância (minha cara era de nítida raiva), e resolvi entre Londres e Rio, descer até a latitude de Lisboa (que é quase Europa) e resolvi entrar na conversa.

Comecei posicionando os cavalos:


"Ah.. ela smepre faz isso é...?"

"De vez em quando..."

"E é sempre assim por aqui?"

"É... ou então umas corridas pro Grajaú... as vezes..."

"...e ela tem essa camaradagem de vocês?..."

"Quando dá né... Só um companhiro e eu é que fazemos... se tamos saindo pra buscar alguém,

levamos... as vezes, é de cortesia mesmo..."

Deixa eu liberar as torres:

"São sempre essas distâncias curtas, e ela não pode ir a pé ou de ônibus?"

"Claro que pode..."

"Ah... e o senhor tem essa noção...?"

"Claro, ué... mas não custa nada, né..."

"Só de entrar no táxi, me custa quase 5 reais!"

Botei a rainha pra rebolar...

"mas eu sei porque se faz isso pra ela, e não oferece uma carona pruma preta véia no ponto de ônibus: ela é bonitinha né?!... viu o coxão e o peitinho bonito?!..."

"Não! Mas não se trata disso!!"

"então se trata da dcerteza de que no caso dela o trajeto não será subir o morro da Formiga, então..."

"Não é isso, não!! Até porque já vi muito dotô, asim como o senhor, subindo o morro pra pegar pó!"

Tá, perdi uns peões! Nem perdi - dei. Tá no papo:

"Mas porque ela acha que deve tomar um taxi e não pagar por ele, ao invés de andar ou pegar um ônibus?"

"Não sei! não tô na cabeça dela (queria tá em outro lugar, né safadão!!??...). É por camaradagem, a mina é gente fina..."

"Então me explica por que razão ela se sente no direito de contar com tamanha camaradagem de vocês, que numa garoa somem daquele ponto e vão lanchar no Ricos?"

"Ela não conta com isso..."

"Foi por acaso que ela esta ali?"

"Sei lá... ela aparece..."

"Mas ela estava certamente aguardando no ponto, e pelo jeito pelo senhor..."

"É...como eu disse..."

"E o senhor nunca se questionou: "porque essa vadia não vai a pé, porra?..""


"Eu não chamei a menina de vadia..."

"Eu sei, fui eu que implicitei o termo em um argumento falso, fictício... mas oque ela é pro senhor então?"

"Uma garota como outra qualquer..."

"Como aquela ali?" aponto pra uma baranga parda, de propósito. "O senhor daria carona pra ela?"

"não se trata disso..."

"Se trata sim. Se trata dela ser bonitinha, mas ordinária. E o pior: ela sabe disso sabe se aproveitar disso. Sempre terá alguém de quem ela esperará generosidade e complacência."

"Mas que mal há nisso?..."

"Vários, mas posso colocar poucos, pois já estamos no Extra. Primeiro: se um homem fizesse a mesma propósta que ela fez, qual seria a reação mais comum? Eu assumo que am inha seria mandar o babaca tomar no olho do cú e arranjar outro pra espoliar. Pelo que argumentas, o senhor daria a carona do memso jeito?"

Silêncio.

"Por que tanta cortesia pruma mina e não prum camarada, derrepente um trabalhador, um sacrificado.."

"Porra, um cara indo pra balada, e eu vou ficar levando pra ciam e pra baixo!..."

"Áh... mas ela tudo bem! Ela pode ir pra balada, e não vai a pé ou de ônibus! Ou ela tava indo pra escola? Então é completamente correto que ela vá de táxi a custas dos outros..."

"Não é errado ela fazer isso, pelo menos pedir.. não faz mal a ninguém..."

"Claro que não! Oque ela faz é tão normal... mas eu não faria, e o senhor, acredito que não faria, ou faria?"

"Não..."

"E eu sei porque! Porque no meu caso, no seu, viver de vaselina e charme não cola! É vacilação. Mas no caso dela, é uma gracinha né?!? Deve ser por que o senhor acha que ganha alguma coisa com isso..."

"Eu não ganho nada!!..."

"Ganha a fantasia do que poderia ganhar... sabe-se lá o que pode rolar?...nunca se sabe... E ela sabe que inicialmente é isso que ela vende, que ela oferece com todo aquele charme...e assim as cortesias aparecem..."

Nem dei tempo de ter silêncio mais. Tô quase chegando. E o cara já tá puto.

"Não achei legal ter perguntado a mim, como se fosse plausível que eu concordasse com esse tipo de exploração. O senhor pode fazer oque quiser com seu com seu taxi, mas comigo embarcado, se tornou a presunção de que eu aceitaria tamamnha desfaçatez" Não falei assim pomposamente, mas acho que ele entendeu. "Minha mãe não viveu de cortesia, minha mulher não vive de cortesia, e se tivesse uma filha ficaria muito puto d'ela viver dessas cortesias. Elas não vêm de graça. Tem sempre um interesse por trás. E aquela vadia sabia disso! Eu que digo, ela é uma vadia! E sempre vai achar que pode vender a mãe, sem entregar. Dessas cituações já surgem histórias que o senhor sabe mais doque eu. Só sei que não tô no mundo pra dar de comer as piranhas, e nem sustentar vadias. Fica com o troco. É cortesia..."






Barra Conexions

Barra conexions é um blog para a publicação de qualquer coisa que gente quiser. A gente significa os 3 malucos que se encontram (pelo menos foi assim em 2007)na Barra, bebem vinho e jogam conversa fora.