Não, gente. Não fui na bienal e não vou nunca mais. Ou pelo menos enquanto for essa reunião de celebridades, que atraem sua tietes e deixam o evento caro, os banheiros nojetos, os estacionamentos uma verdadeira Daytona, e os as comidas podres. É terrível tentar encontrar algo diferente e relevante em ondas de Harry Potters que ocupam dez stands e deixam os stands mais simplórios sombreados. Se é pra encontrar lá oque se encontra em qualquer Saráiva (e caro, com filas enormes), esquece...
Mas não vou escapar de alguns filmes do festival de cinema que tá rolando. E o primeiro filme foi Hairspray. Podem falar mal, mas eu explico.
Hairspray está pra minha geração assim como Grease está para os quarenta e 11 de hoje em dia. E por trás de um musical palhaço existe um apelo racial muito interessante, que me deixou ligadão na primeira vez que assisti. Muitos filmes americanos falam sobre racísmo e segregação, mas Hairspray foi o primeiro a abordar tal tema de forma vigorosa, talentosa e, na minha opinião, inteligente. O escrach foi mais produtivo que um estilo "indignaldo fico" de um "Mississipi em Chamas". A luta contra a segregação não é uma coisa de gente louca pra contrariar conservadores, mas apenas a manfestação do desejo de igualdade perante a sociedade e o Estado.
O filme ainda fala das diferenças abordando outra questão pra mim ótima, particularmente, que é essa coisa de uma gordinha fora dos padrões se sobressair e se tornar uma protagonista apaixonante. E não por ter virtudes clássicas, mas uma superficialidade realista (?). Oque eu quero dizer com isso? A menina,uma adolescente, só que saber de dançar, e tem uma convicção superficial e rasteira compatível com a que se encontrar na juventude. É a paixão das idéias, e a fé de que pode buscar a felicidade.Isso tudo nos anos 60.
Eu e minha esposa conhecemos este musical há séculos, quando ele ainda era um mistério por aqui. E só o conhecemos pela TV, nessas sessões da tarde. Nos apaixonamos um pelo outro e por esse musical facilmente.
Não pensamos duas vezes em desorganizar nossas vidas para nos deslocarmos ao Leblon, para assistir em um cinema velha-guarda (que saudade desses cinemas, com banheiros parecendo bares clandestinos de chicago na lei seca, salas com duplo corredor, bomboniere...) o melhor musical do ano,batendo de longe Moulin Rouge. E como estamos velohs!!! esse filme já é um clássico remake de 1989!!! Eu vi um clássico que já tá sendo relido? Daqui a pouco vão fazer uma releitura de "De Volta para o Futuro"? "Matrix"? Qual é?
Mas o que mais gostei do filme foi a renovação que ele trás sobre um período, um passado terrível, triste, que foi modificado pelos movimentos osicais e pelo vigor da juventude. Todo mundo se faz de engajado e reovltado pelo racismo contemporâneo, mas não imaginam que o mundo já foi mito mais escroto. Eu, por exemplo, na minha infância, convivia com um pais africano que sustentava uma política segregatória decarada, como os paises centrasi se sentindo muito a vontade com isso, tanto comunistas como capitalistas.
A juventude de hoje não imagina o que foi a década de 60. E esse musical foi bolado em 1987 justamente para fazer lembrar e ensinar aos esquecidos e desinformados como o mundo já foi mais negativo, e como a vitalidade dos jóvens e das pessoas de mente aberta precisava ser exercida para reoxigenar o mundo.
Aquela hora da marcha, quando Queen Latifah canta aquele belo hino, faz qualquer um sentir o clima da época. E nessa hora é que fico puto com a rapaziada de hoje em dia que não honra as conquistas alcançadas por Malcon X e MLK. Tem gente que quer nivelar Al Sharpton a MLK Jr, e filmes como esse fazem uma pessoa séria pensar "Pera lá?!?!? que deesproporcionalidade!!!!".
A graça de Hairspray é resgatar essa época e flagar a falta de ocnsistência das figuras atuais, que tentam a todo custo continuar explorando a questão racial. Me veio logo a mente a coisa asquerosa que são Al Sharpton e Barahk Ohbama, gente que ainda capitaliza em cima do racísmo, das acusações em falso e da manipulação política. Com Hairspry me veio ainda mais indignação com essas figuras, que querem se apresentar como paladinos em um mundo ainda pré-MLK, pré-LBJ e sem mudanças , que leles não querem mesmo, pois a vida desses calhordas está pautada na encevação dos conflitos, em botar gasolina nos atritos étnicos nos EUA. Eles não querem datar e historizar os conflitos, e sim torná-los eternos como a revolução socialista e a luta de classes, entre outros mitos.
No Brasil também é assim. Teremos sempre um nordeste seco e árido, onde as desigualdades e misérias se apinham por flata de solidariedade; sempre termos índios indefesos e romanticamente ajustados a natureza; sempre teremos o meio rual apontado como pacifico e livre de violência, drogas, corrupção, no máximo o velho coronelismo populista.
tá! eu não vi isso tudo no Hairspray, mas é claro que o filme toca nisso. Através dele eu me lembrei por onde eu já passei, oque já sofri, e pra onde eu quero ir. é preciso ter essa sobriedade, pra não se ocmeçar a achar que a solução está numa pessoa, ou numa ong opu numa religião, alguma moda, sei lá.
O filme é superficial? Coloque no contexto ocidental contemporâneo, e reconheça como o mundo mudou (pra muito melhor, em alguns aspectos) e me respondam...
Pra mim, a ingenuidade e romantísmo debochado do filme são instrumentos importantes para melhorar sua mensagem.
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