quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Um filme é um filme!

Demorei! Depois de tanta polêmica resolvi escrever algo sobre o tema do momento: o filme Tropa de Elite. Confesso que a leitura de comentários sobre o filme têm me causado náuseas. Como diria Lula (essa frase já virou clichê) "Nunca antes na história deste pais" se falou tanta besteira sobre um filme.
Tropa de Elite se torna polêmico exatamente por aquilo que não se deveria ser: mostrar o ponto de vista de alguém sobre algo. Nota: alguém neste caso é o protagonista do filme. Ou ainda: toma-se a reação do público pela intenção do filme. Como se cada grito de "caveira" fosse o resultado desejado pelos responsáveis pelo filme.
Um filme, mesmo quando fala da realidade, mesmo quando é baseado em fatos reais, não é a realidade. Um filme é um filme. Um filme não é tratado sociológico sobre nada. Pensar assim é cacoete de quem só consegue enxergar uma produção artística como peça de propaganda, de quem não sabe ler uma obra, ou até de quem sabe e quer fazer proselitismo de sua causa, neste caso da causa dos "politicamente corretos".
A insenção é o refúgio dos canalhas, digo eu incorporado por Nelson Rodrigues. Ninguém é isento porque ninguém é capaz de ser isento. Para ser isento seria necessário ver um fenômeno de todos os lados e reescrevê-lo e julgá-lo sob todos os pontos de vista e ainda conferir o mesmo peso a todos os ângulos. É impossível, só se fôssemos como Deus. A melhor forma de honestidade intelectual é declaração da indexalidade, ou seja, a declaração do posicionamento de quem declara.
Toda esta defesa da não-isenção serve para justificar a coerência interna do filme: A HISTÓRIA É O PONTO DE VISTA DO CAP. NASCIMENTO E ISTO FICA CLARO. O filme também tem coerência externa : o roteiro é baseado nos relatos de ex-integrantes do BOPE e ponto. Não é um institucional como diz CÚenca. Se assim o fosse a tortura não apareceria pois não é admitida pela instituição.
O filme não FASCISTA e nem REACIONÁRIO pelo simples fato que estas qualidades são intrísecas ao pocionamento político de humanos ou grupos humanos. Um filme não é humano. Humano é quem faz o filme, humanos são os que reagem ao filme.
Artur Xexéo vai no cerne da questão: por que será que as pessoas se identificam com Nascimento? Será que admitiriam a tortura? Dizer isto seria dizer que aqueles que criticam a tortura do filme e nada ou pouco dizem sobre a corrupção policial são defensores de esta última prática, seria dizer que quem gosta de Bebel é a favor da prostituição e os militantes do aborto deveriam se matar.
A reação do público, é a reação de quem se indentificou com a ojeriza à corrupção e o ódio aos bandidos e seus cúmplices. É a reação de quem percebe que no meio da guerra não dá pra formular teses "ex concessis" (viu Luiz, tô ficando bom nisso), na parada cardíaca que dane-se as costelas. Mas é uma reação ao filme e não à realidade, pois muitos que gritam "caveira" durante o filme também ficariam angustiados se presenciassem uma cena real de tortura. "Caveira" poderia ser o novo grito do "Cansei" como diria o CÚenca, pois os cansados estão expressando seu descontentamento com gritos, estão reagindo. Os descansados preferem admirar "Lamarca", "Lúcio Flávio", "Zé pequeno", "Falcão e os meninos(???) do tráfico" e toda uma relação imensa de bandidos retratados no cinema brasileiro. Vá lá gosto é gosto e cinema é cinema. E eu gostei de Cidade de Deus, só não admito ser chamado de fascista pelos esquerdopatas, seguiindo o mesmo raciocínio eu poderia chamá-los de marginais.
Se alguem me chamar de reacionário por gostar do filme, eu aceito a apelido. Reacionário é quem reage e quem grita caveira está reagindo ao bom-mocismo que protege bandidos e que acha a corrupção um mal menor.
O diretor José Padilha caiu na armadilha (trocadilho horroroso) e falou que prefere a corrupção à tortura, pois o primeiro é um mal menor. Pois acredito que o diretor mais talentoso da atualidade está enganado (pois é um filme é um filme). O torturador(no filme) faz algo terrível em nome da ordem e contra supostos bandidos e pode cometer erros terríveis no processo. O corrupto auxilia bandidos, degrada a polícia e ordem pública, é equivalente ao bandido na intenção e na realização do ato ilegal, o torturador é ilegal no ato para não ser bandido na intenção.O torturador pode errar, o corrupto sempre erra.
Era de se esperar reações como essas de um filme que tem um policial como protagonista ,a palavra "Elite" no título e onde bandidos não se dão bem no final, foi demais para a elite burguesa do capital alheio.
Aliás, as reações ao filme destroem as concepções de elite e povo decantadas pela esquerda e pela direita. Pelas reações, o povão do bolsa-família é mais reacionário que os classe-média do "cansei".
Por isso eu agora falo : "É faca na caveira"!

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