Antes de mais nada venho esclarecer que cada blogueiro aqui tem sua opinião independente e de ampla autonomia. Na verdade, são opiniões até conflitante e adversas. não existe aqui um partido, uma escola ou uma tribo, e portanto o que eu escrevo não deve nunca ser confundido ou transferido a ninguém. E sempre que algum discurso meu desagradar alguém, me sinto disposto a "rever os meus conceitos" sem constrangimentos. Mas de uma coisa eu não arredo o pé:
EMO É VIADAGEM!!!!

A tendência de um sistema é viver pra cuidar dos problemas do próprio sistema, e que se foda o mundo.
Quem nunca foi vitima de uma postura supostamente técnica e objetiva, impessoal e isenta de interesses, que na verdade acoberta a arrogância, o corporativismo e a canalhice, seja individual, seja institucional? não adianta perguntar, pois muitos sequer imaginam como pessoas incompetentes e ruins se escondem por trás de um diploma, de uma patente, de um crachá ou de um gabinete. Mas essa semana, a prisão daquele estuprador psicopata homicida calhorda sem vergonha que matou das crianças de 13 e 14 anos me trouxe de volta o nojo que eu tenho dos "técnicos" e "profissionais" desse pais.
O crime é uma óbvia demonstração não da falta de qualidade do Estado, e sim da seriedade. não faltou prisão, julgamento e avaliação psiquiátrica pro bandido. ainda assim o cara conseguiu relaxamento da prisão com seu histórico violento e seu comportamento mais que suspeito, e um psiquiatra concursado e incorporado a justiça achou que o cara poderia conviver conosco, cidadãos saudáveis, sem apresentar risco para o cara e para nós e nossos filhos. Nem preciso dizer oque aconteceu.
Mas ai surge um monte de gente pra indagar como esse sujeito foi tão mal avaliado assim (se é que o foi). E sempre que isso acontece , aparece com a cara mais cínica do mundo o dito cujo dizer que ele não tem responsabilidade pela decisão, pois seu parecer é apenas um recurso que a justiça pode fazer uso ou não: a decisão é do juiz. Tirou o dele da reta e deu descarga, descendo pelo esgoto toda sociedade. Outro dia um juiz decidiu contrariamente a adoção de uma indiazinha que sofria de hipotireoidismo e corria risco de infanticídio e abandono criminoso na amazônia, por que um antropólogo deu parecer negativo a retirada de um indigena de seu "meio cultural", basicamente alegando que o infanticídio, como faz parte da prática e dos costumes da sua tribo, deveria ser executada, e esse Estado, que supostamente defende a vida, não deve se meter nisso, sob a ameaça de interferir na cultura milenar de matar injustificadamente crianças indefesas. E um juiz acatou. Na primeira demonstração de descontentamento, vem o antropólogo dizer a mesma coisa: quem decide é o juiz; eu só dou minha opinião profissional.
Essas bizarrices acontecem de montão no Judiciário. Juizes, procuradores, defensores e outros elemento do direito original, analfabetos, despreparados, descomprometidos e desqualificados culturalmente, recorrem ao parecer "profissional" de outros segmentos do saber técnico para poderem fundamentar suas decisões. Pra começar, muitas dessas apelações para outro saber se dá por covardia e falta de conhecimento geral e acessível, que esses juristas não querem ter ou não sabem onde buscar mesmo. são técnicos da justiça no pior sentido, como técnicos de tv que não entendem nada de física, engenharia eletrônica ou dos fundamentos básicos da engenharia para não serem meros reprodutores de procedimentos. São moleques de 26 anos, que acham que já gozaram e nem menstruaram ainda, e por isso podem assumir o status de juizes, mas são tão inconsistentes para decidir sobre a cor de seu terno, que não querem ter o peso, a responsabilidade de encarar o mundo real e responder por ele. E ai recorrem a uma avaliação "multiprofisional" , com "a reunião de saberes" e apoio de "vários segmentos do conhecimento técnico", para melhor poder de decisão.
Ainda assim, como no caso do notório estuprador, imperou a arrogância dos juizes, que ignorando evidências que não dependem de um olhar especializado (apenas a analise séria do histórico comportamental e social do sujeito), decidiu por libertar um violento criminoso, ou melhor, deixá-lo em processo de deisnternalização. Nesse caso, sempre me vem a memória o relato de parentes e amigos de meus pais que diziam que a muitas décadas, quando descobriram o cinema, uma coisa que sempre chamou a atenção era o fato desses cinemas, pequenos e provincianos, reproduzirem o sistema de castas na reserva e distribuição de alguns assentos, e sempre existiam os assentos do clero e do juiz. Essas figuras não se escolhe, diferente um prefeito, que nunca tem assento cativo. Engraçado como o judiciário sempre foi próximo do clero em termos de postura: a verdade, a razão e a adequada obediência estão do seu lado. E a essas entidades deve-se a reverência que as sociedades modernas conseguiram exorcizar da entidade militar e governamental. O judiciário ainda se considera divino, e não me lembro de médico processando vizinhos para obrigá-los a ser referido como doutor, como recentemente aconteceu em Niterói.
Minha experiência pessoal é relativamente recente e foi no famigerado juizado daqui do Rio, na época do maldito Siro Darlan, quando tive de ouvir uma psicóloga a arrogante afirmação de que ela é uma profisisonal tecnicamente qualificada para dar seu parecer sobre a adequação de um processo de adoção, e que ninguém poderia questionar sua autoridade ou parecer. Ela estaria acima do bem e do mau, e livre de qualquer inteferência terrestre, humana ou material que pudesse profanar seu saber e seu juizo. Seu processo decisório é fundamentado em um saber consagrado e consensual, validado por seus pares e acatado pela Justiça e pelo Estado. Ou seja: o que ela avalia é cientifico, puro e inquestionável. Quando eu perguntei se então todos os psicólogos chegam ao mesmo parecer frente uma situação , ela titubeou como quem escorrega na merda que ela mesmo estava cagando. É claro que não! Mas o dogma tem de ser defendido (Caray!! Tenho de voltar a refletir sobre isso...DOGMA, Dogma, dogma, dogm...). E assim se comportavam as Assistentes Sociais e todos os "profissionais" dessa comarca maldita. É a mesma comarca que acha lindjo um traficante chincheiro da Globo não ter seu processo de adoção contestado. Pelo contrário, usaram esse maconheiro com garoto - propaganda para incentivar a adoção! Que biíto, né...
Por que os profisisonais fazem isso? Porque podem, seu imbecil! Se eu erro, sofro consequências; mas eles, os "profissionais" do judiciário não. Fica tudo na mesma. Isso é comum aliás, no serviço público em geral. Ninguém paga por erros como esse. Ninguém e exonerado, ninguém é preso, ninguém restitui nada. É um paraiso para os incompetentes. E eu digo (digo, escrevo) isso por ser servidor público, e testemunhar muitos desses vacilos.
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