segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O empresariado não tem bolas...


Lendo Thomas Sowell no ônibus, passo por uma série de outdoors anunciando as “conquistas” alcançadas e garantidas por meia dúzia de vereadores e deputados que procuram capitalizar politicamentente em cima da construção de um shopping center nos terernos da antiga fábrica Bangu, que já foi símbolo da competitividade e empreendedorismo, mesmo que aristrocrático (rivalizando com os mattarazismo de São Paulo), e passou a ser símbolo do fracasso e derrotismo.
Na verdade é pertinente a sensação de derrota, mas essa derrota foi causada pelos governos que sempre espoliaram a iniciativa privada, ou viciavam o mercado com relações dignas dos mais asquerosos bordeis e privês (que hoje encontramos com facilidade na avenida Santa Cruz). O Brasil, mesmo no período varguista, foi e é oligarca e coronelista, e é na esfera empresarial que essa relação asquerosa entre política-estado-mercado se mostra mais perniciosa. Mesmo cento e tantos anos de república não mudam essa condição.
Vendo cartazes tão cartazes tão caros , anunciando quão importante foi o vereador tal ou o deputado qual ter “apoiado” e “conduzido” a revitalização de Bangu, me pergunto como é que o empresariado não se emputece e não corta essa palhaçada.

Agora o Shopping tem dezenas de pais (e pai pode ser qualquer um mesmo), mas a mãe é a iniciativa privada, que há décadas deseja botar dinheiro ali, e sempre foi atrapalhada justamente pelos políticos de plantão. Foram o Estado e a política que atrasaram Bangu, e a culpa não é do empresariado, mas da visão obtusa do povo dessa região, que teve oportunidades de conforto, emprego e maior ascensão urbana protelada pelos políticos, justamente esses.

Temos um povo burro e uma classe política calhorda, mas temos também um empresariado que não se dá o respeito? Não tem dignidade, não deixa as coisas bem claras? Depois reclamam de serem ostilizados pelo povo, como exploradores!

Como pode o empresariado carioca permitir esse tipo de coisa? A resposta é simples, e mesmo um cara ingênuo como eu consegue realizar quando vê o ultimo outdoor que cobre a av. Brasil e sai da Zona Oeste , passando pro Rio de Janeiro: é claro que o empresariado brasileiro - arcaico, burro, pequeno, que gosta de se cumpliciar com a política, que gosta de ter relações baixas com o estado e com a política, que gosta de fazer relações “calheiras”, que gosta de pagar pensões dos filhos dos outros(e depois lucrar vendendo revistas) – acha que “faz parte do jogo” o politicado se colocar como o empreendedor, enquanto sobra pro empresário a cara de feitor. Que fiquem no século XIX então. Que esse empresariado seja esmagado por qualquer coreano ou chinês em 5 ou 10 anos.

Se é um problema só da zona Oeste, do Rio, do Brasil ou do mundo não sei... mas não me lembro de um político tentar capitalizar politicamente em cima de um empreendimento privado sem que este fosse “o” empresário (lembro logo do Medina, é claro). O que vejo em Bangu é um bando de políticos sem pudor de gozar com a pica dos outros. E esses “outros” ainda oferecem as suas bolas de brinde. E não é possível que não saibam o quanto esse estilo de se relacionar com o estado e se posicionar na política facilita o surgimento de chavismos e coisas assim. Esse estilo cria uma clase política ainda mais demagoga e despudorada que o normal, e capaz de virar um Gollen em pouco tempo.


Depois vão querer controlar o monstro, mas será tarde demais... pra matar o bicho, será preciso muita coragem, mas ...They won´t have balls for that...
PS: o jornal dá conta de uma crise entre os cientistas (?) sociais , em especial os antropólogos, por conta do "fim do consenso" ideológico sobre a cultura e a identidade brasileira no 31º Encontro Anual 2007, em Caxambu ... Gente!!!! Que merda é essa de consenso?!?!?! Isso você tem no Concílio de Anatólia, no Congresso de Antióquia, na Dieta de Latrão e essas coisas dogmáticas assim! A última coisa que a ciência precisa é de consenso!!! alias, a diversidade de idéias propõe caminhos novos para o conhecimento. Se a falta de consenso é um problema, é porque eles não fazem ciência, mas proselitismo, né meu bem...

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