terça-feira, 2 de outubro de 2007

E No Vestibular da UNB...


Na sala da comissão para avaliação dos candidatos a vaga para negros da UNB, encontramos um clima semelhante ao dos antigos mercados e saudosas feiras de escravos ´desembarcados nos portos de Salvador, Rio e Santos. A comissão , formada por exeperts em negritude que se apresentam como capazes de dizer quem é afrobrasileiro e quem não é nese pais, conta com antropólogos, estudantes, reprsentantes dos movimentos negros e afins.





Entra o primeiro candidato, evidentemente negro de pele, de barba e cabelo pixain, um clássico quibundo. Cara de Altay Veloso. Ele se senta e, antes de qulaquer pergunta, ele aborda a ocmissão:



- Qual de vocês é o geneticista? eu quero colher logo o sangue, para me sentir a vontade de ser entrevist..



- Meu rapaz - diz um dos membros da comissão - não tem geneticista aqui, não! Não estamos em Dachau!



- Ah, não?! Estamos então no Congo Belga? Como que vou comprovar minha negritude sem um exame genético?



- Q qui é isso mano! Fica sabendo que a etnia é uma identidae social , tá ligado?! É cultura, mermão!- fala um representante dessas ongs, desses negros profissionais.



- Oh, .. really?!? Então tá! Quer dizer então que um dinamarquês poderia ser considerado negro, do ponto de vista osical, comportamental, cultural,...



- NÃO! -dizem todos em coro, com veemência.



- Claro que não, mermão. Tu não vê que tem que ser da cor?!



- então pra que a entrevista?! Devo apresentar meus documentos e explicá-los aqui?...



- Não. Mas precisamos ter certeza de que tu é negro. Se tivermos dúvida pela aparência, faremos algumas perguntas ...



- Mas que pergunta pode exclarecer, digo, desculpe..., que perguntas poderiam revelar a etnia de um sujeito?



- Ó... vou abri pra você, por que tu evidentemente é da cor, então fica bastante óbvio que tu tem que ser favorecido por essa conquista da nossa gente. Mas digamos que tu fosse meio Paulo Zulu, e viesse com história de que é negro e pá... ai a gente iria avaliar seu perfil...



- Mas como?



- Tipo assim: tu, por exemplo, se é suspeito de ser mas branco, eu perguntaria se tu ja´teve uma namorada negra ou mulata... - sorri maliciosamente, como se tivesse apresentado um procedimento maravilhoso.



- E...



- Ué?! Se o cara diz que nõ, t´na cara que não é da cor, meu. Tá fora!



- Mas perai: qualquer alemão pode ter no seu cartel duzias de negras e mulatas, com as quais ele até se sujeitou em andar de mãos dadas no calçadão de Copacabana. Eu tenho colegas de ambos os sexcos que tiveram relações interraciais, e eu, que sou "evidentemente da cor", confesso que nunca namorei uma mulher negra, e ain...



- Nunca!!??!! - indagam, chocados os membros da comissão.



- Não. - Com ar tranquilo de quem apenas comentou que comeu biscoito no café da manhã.



- Que isso, meu?!?!... que vacilo!!! Que qui tu tem contras as maninhas, meu?!!!...



- Nada, ué ... Apenas nunca ocorreu. Até hoje só tive duas namoradas. Sei lá... não tive sorte... - comenta, jocosamente, mas precebendo o fel no ar.



- Todas brancas?



- Não... acho que não. Svetlana era da Ucrânia, mas Ashanti era Parsi, ...como Samira Tufik, cês conhecem?



- Pô, meu.. sei lá. Tá esquisito. Tu vem com essa de term inas assim, brancas?!



- Mas nenhuma delas são brancas. Mas não são negras! Ou eu deveria dizer que são, não sei...



- Não, cara, deixa pra lá. Dá pra ver que por ai não ia dar certo. Mas, poxa, se a gente te pergunta outras coisas, na dúvida a gente ai acabar acertando se tu é da cor ou não é. Qué vê? Qual é a figua negra mais importante nos dias de hoje pra você?



- Ah!Claro... Condolezza Rice.



- Como?!



- Condolezza...



- Cê tá de caô, mano... Vai me tirá que ela é a mulher que tu mais admira...?



- Não.. claro que não. Admirar mesmo, mais que tudo, é minha mãe.. e depois vem Golda Meyr e Margareth Tatcher... Mas Condol..



- Perai... como pode fazer isso, cara?



- Qual é o problema? Minha orientação político-ideológica coloca em cheque minha identidade étinica?




Silêncio.




- ... bem,... há de reconhecer que pode haver conflitos...


-Quais?


- Como podemos dar o benefício de uma vaga de cotas prum cara que não representa?!?!


- Ué?! eu tenho de ser ou representar? Pois representar negritude até japonês pode representar mais que eu. alias, Svetlana usa dreads, samba melhor que eu, luta capoeira, é campeã de dancehall, amigona de Junko...


- Junko?...


- Ué? Cês não sabem que a campeã jamaicana de dancehall é japonesa?


- Ah!! Não mete essa...


- Ué!? Ela "representa"!!!


- Tá, mas e você? Como é que tu vem com essa? qual é seu orixá de frente?


- Não sei. Não tenho nenhuma aproximação com a mitologia africana. Acho até muito primitivo... Minha única convicção é que sou macho e palmeirense.


- Qual é seu estilo de musica preferido, então?


- Gosto muiito de musica palestrina...


- Tu não representa, cara...


-É?... Tá bom. Mas se por um lado eu não represento, eu SOU. não há duvidas aqui de que sou negro, né?


- É, mas não merece uma cota..


- Ora! Não sejamos cínicos e paradoxais em discutir méritos aqui! Como assim eu mereço ou não mereço?! Se eu sou negro, eu tenho o direito de ser beneficiado, vocês achando ou não que eu mereça. O mérito fica na nota da prova, que aliás, vocês não tem o menor gabarito para tecer qulaquer parecer. Vocês estão aqui apenas para confirmar uma coisa que eu sou, e não que vocês vão decidir... ou querem qe eu , daqui, me dirija para a justiça, pra abrir um processo por discriminação racial?


- Mas não tem nada em você que inspire negritue! você é um negro kinder-ovo!!


- Posso ser até kinder ovo, mas sou inteligente o bastante pra entender que vocês não podem desqualificar ou corromper a minha cor. Não são vocês que decidem se eu sou negro ou não. Nasci assim. Escolhi gostar de heavy metal, ópera e hoquey no gelo. Detesto samba, não gosto de futebol, não conheço um blues ou jazz e acho carnaval de um primitivismo horroroso. Prefiro passar fevereiro curtindo o final do inverno em minha casa em Aspen. Mas minha pigmentação é incontestável.


Silêncio novamente.


- E ai?!? O que fazemos com esse comédia? - indaga um dos entrevistadores.


- Não sei... o cara ainda por cima tem sobrenome Reshistofenn... como pode? - indaga outro avaliador.


- Decidam com a certeza de que se eu entrar na UNB, será pra acordar e dormir pensando em maneiras de desnudar essa palhaçada racialista da UNB... esse será meu propósito, meu único propósito de aqui estudar.


Silêncio tenso



Finlamente o cabeça da comissão se manifesta:


- Não nos resta qualquer coisa senão deixar esse traidor da causa...


- Traidor não, pois não tenho compromisso nenhum com vocês! Caguei pra quem aqui é preto, pobre, botafoguense ou feio. Só posso trair quem de mim pode esperar confiança. Não lhes dou esse privilégio...


- Tá, seu polemista!! Vai fazer sua matricula e nos deixe em paz!


O candidato se levanta com calma e diz:


- Matricula eu vou fazer, mas não aqui, na UNB. Nesse antro de incompetentes panfletistas. Vou é para Princeton, com bolsa integral de uma fundação americana. É isso que eu mereço. Só queria ver que circo é esse aqui...


E sai assoviando "fly me to the moon".









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Barra Conexions

Barra conexions é um blog para a publicação de qualquer coisa que gente quiser. A gente significa os 3 malucos que se encontram (pelo menos foi assim em 2007)na Barra, bebem vinho e jogam conversa fora.