Outro dia desses, falando sobre probabilidade, um cara questionou qual seria a probabilidade de ser aprovado no vestibular para um curso de direito ou medicina, dada uma certa relação de candidato vagas.
Inicialmente eu respondi que se a especulação do cara se baseava em uma fundamentação probabilística, ele já estaria de fora, pois sua premissa estava equivocada: aprovação em um vestibular, pelo menos em um vestibular sério, não tem nada de probabilístico: passam os melhores, e os melhores vão se destacar sempre, mesmo ocorrendo eventos odds, bizarros (como uma caravana de vestibulandos do PH cair com todos os candidatos numa ribanceira...).
Na insistência de outros que defendiam que alguns processos são objetivos, fui bastante delicado e sereno, e deixei bem claro que não adianta. Se uma prova tem 50 questões, com 5 opções cada uma, a probabilidade de alguém gabaritar essa porra é de 0,2 elevado a 50, ou seja, 0,0000000000000002, mais ou menos. Ou seja, é mais fácil ser atingido por um vôo da Gol. Mesmo ser aprovado aleatoriamente (marcar metade dos acertos) já seria um aborto da natureza. E ainda disse que como tem muita gente burra que não se coloca no seu lugar, você encontra a todo concurso uma relação absurda de candidatos-vagas que não é coerente.
Geralmente são apenas 5 ou 10% dos candidatos a uma carreira imperial que são realmente competitivos, e os demais são tão burros e Jozelitos que não conseguem nem calcular a improbabilidade de ser serem aprovados pro mero acaso. Quem tá preparado não se preocupa com relação candidato vaga, pois ele sabe que vai competir com poucos, porém serão os melhores. E a vaga vai ser decidida nos 100 metros rasos, no photochart. Só puro sangue entra, o resto é desprezível. E só joselitos acham que tão preparados quando não estão.
Afirmei que as pessoas que se inscrevem no oba-oba prum vestibular sério deveriam até adquirir uma postura menos ridícula, e só concorrerem quando se encontrarem em condições de competir. É uma ofensa para o meio acadêmico, para o ensino e para a sociedade ver pessoas querendo a aprovação por sorte. Defendi o vestibular como um dos poucos instrumentos de valorização do mérito e da excelência, por mais tosco que seja, e terminei dizendo que um sujeito que entra num vestibular concorrido achando que a probabilidade pode favorecê-lo é tão mal caráter quanto um cara que fica andando nos ônibus, torcendo para ver alguém perder uma carteira, esquecer uma bolsa, algo assim. Não tá roubando, achou...
E não é que teve gente que ficou ofendida ...
Todo mundo tem uma frustração de vestibular...
Mas é compreesível. São joselitos de 16, 17 até 19 anos, tendo de incorporar uma objetividade na vida que ainda é muito romantica. Só pode dar em delírios. Tanto pros Joselitos sem noção como pros puro sangue isso é um horror. Eu espero poder bancar aquele ano inteiro de reflexões depois do segundo grau pro meu filho poder "se encontrar". Isso não é absurdo nenhum. É preciso não só estudar disciplinas acadêmicas, mas a vida, oque se quer da vida, e o que se pode, naquele momento, extrair da vida de melhor. Depois ele que decida: Columbia, Yale ou Stanford. No máximo Harvard...
Também sou joselito de vez em quando...

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