quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Sei que tô terrível, mas os caras pedem....

Os caras dão motivo, porra! Agora o prefeito veio com uma gracinha que não é nova, e qualquer um sabe que vai dar merda,. Vai criar um vício, que pra tirar vai ser foda!
Todos já sabem que o ensino público é um lixo, e que o rendimento dos alunos é, não exclusivamente, mas adicionalmente correlacionado com a falta de infra e investimento no corpo docente e nos recurso pedagógicos. E o que q o prefeito faz pra corrigir isso? Cria um "prêmio" pro aluno que for avaliado como MB (muita bosta, maior bestão ou muito babaca? Não sei, é um parâmetro subjetivo e falacioso demais. É muito EMO pra mim...) na 6ª, 7ª e 8ª série. A orgia pode custar amis de 2000 reais por aluno.
Pra começar: bons tempos aqueles em que estudar era um privilégio nítido, um luxo e, uma vez que é acessível, uma questão de evitar a desmoralização. Bons tempos em que se tinha a clara noção na família e na sociedade que estudar é um dever, e ter o melhor desempenho possível é uma obrigação. Mas estamos em uma cidade onde um safado de um aluno da rede pública pode pegar de graça um ônibus as 9 e meia da manhã, uniformizado, e ir pra praia; da praia pro shopping e do shopping pra pelada, sem ser importunado. eu não tenho a menor consideração ou respeito por aluno de escola pública. São todos uns fraudadores, junto com seus professores (esses, muitas vezes, involuntariamente).
Adendo - Sim, fui aluno de escola pública a vida toda. Até que terminei o segundo grau, e tive que aprender de verdade por conta do vestibular. Ai fui prum prézinho. E entendam: CAPs, CMRJ, CEFET e tais não são bem escolas públicas. falando da rede estadual e municipal básica da região metropolitana: só tem lixo. Na rede municipal então, não há nada que preste.
Quando vejo um estudante de escola pública municipal ou estadual só vejo uma coisa: desperdício do meu dinheiro. E eu digo isso bem a vontade, pois sou proletário urbano. Eu convivo com esses mau educados que não sabem andar de ônibus ou metrô, não sabem respeitar os outros, principalmente os mais velhos e aqueles que sustentam seus privilégios, não demonstram qualquer educação ou postura adequada nos espaços públicos, são depedradores de bibliotecas e transportes coletivos, falam alto e ainda por cima se acham... não são todos assim, mas paga o inocente pelo pecador na boiada. Afirmo que criamos a cada ano gente que acha que tá fazendo muito só em aparecer na escola. Que tá fazendo favor pra alguém. Depois, esse safado, com 27 anos, vai ficar desfilando com camisa da rede estadual pra andar de graça, fazer supletivo e reclamar que não teve oportunidade.
Agora a prefeitura vem com essa de pagar o aluno pra que ele faça o que é sua obrigação. PAGAR? E olha que nunca tem dinheiro pra nada na educação, mas pra isso, ...
Ainda bem que não encontrei ninguém que tivesse a canalhice de defender essa idéia de bandido, no mundo real. digo mundo real, pois nos gabinetes dos governos as coisas mais indecentes tomam um ar de coerência e sobriedade absurdos. E nem é preciso apontar o que há de oportunismo barato nessa gracinha, que muitos já perceberam, e como é incongruente com o discurso inclusivo e integralizador da SME.
Entendam que sou contra a idéia, mas não por estimular competição ou bulhonísmo acadêmico, e nem pelo fato do prêmio ser dinheiro, quando poderia ser livros, brinquedos, viagens, seilá. Isso é o de menos. O meu maior medo é o de fraude, que lógicamente ocorrerá. Começo perguntando: um aluno MB de uma escola municipal vale o mesmo que um aluno MB do CPII, do CMRJ ou da CAP UERJ? Ou do São Bento, Santo Inácio, CEAT?
Note-se, primeiramente, que o próprio processo de avaliação da rede municipal, entre diversas bizarrices, possui um grado RELATIVO de avaliação por turma, segundo uma colega da rede, que atua tanto na Zona Oeste como na zona Sul. Isto é, em um grupo de alunos de uma turma, os melhores são avaliados como MB, e os piores são RR. Entenda-se por isso que em uma turma cheia de burros analfabetos da oitava série, aquele que não domina nada do conteúdo pertinente ao oitavo ano, mas souber a capital de Minas Gerais pode ser apontado como MB, e os demais, que não sabem nada, são apontados como RR.
Me sinto a vontade pra suspeitar que um aluno MB no município não é sequer um regular de um CMRJ. infelizmente são poucos os instrumentos que permitem essa avaliação, mas é só estudar, por exemplo, o perfil dos candidatos a entrada nas vagas de 2º grau de qualquer lugar sério, e contabilizar suas origens. Quantos alunos da rede municipal entram num CEFET? Comparem com outras instituições. Eu já sou cabeça feita quanto o resultado. Pra mim, o melhor aluno da rede municipal não será sequer um escarro de um aluno medíocre de uma instituição de excelência, competitiva. E ainda suspeito que um aluno da rede municipal de Copacabana tem um perfil menos precário que um aluno da mesma rede, mas da Pavuna ou de Sepetiba. Eu digo isso por que o fodão aqui foi até do pelotão da bandeira na escola municipal. I isto é, não foi porra nenhuma, em um contexto global... sai semi analfabeto da rede pública. Ter um olho em terra de cegos não te livra de precisar de óculos...
Mais o buraco é mais embaixo. E quem disse que o professores não vai fazer "fim social" com as avaliações, e começar a sofrer pressão ou aderir espontaneamente a promoção de notas MB pra qualquer toupeira? É claro que vão... vai dar merda isso. Eu pelo menos, se fosse do magistério da SME iria dar MB pra todo mundo sem problema. Queria ver contestarem a avaliação e desrespeitarem minha "independência e autonomia pedagógica".
E claro que o filho do traficante, da mãe encrenqueira, do aluno complexado sempre seriam MB. Ou passariamos a ter uma enxurrada de revisões de avaliação. A contestação passaria a ser de escala industrial. Demandadas pelos pais ou pelos diretores e coordenadores de regional, que não querem "se aborrecer", isto é, não querem trabalhar direito, e nem que professores lhes arranje trabalho. "Como que meu filho Ueslei não é MB, sua vaca???!!! Vou te denunciar na CRE!!!!". Fudeu pro professor, que já acionou o sindicato, pois sabe que não existirá ninguém com coragem pra entrar nessa merda no meio político. Os vereadores farão cara de paisagem. A SME se acha muderna e competente pra fazer essas graças. Então...
Se alguém, quisesse realmente fazer um processo sério, pensaria em uma solução para livrar pelo menos pro professor dessa encrenca: provão. Aplicação de uma avaliação única pra toda rede municipal em cima do conteúdo das três séries, nos seus respectivos anos. Essa prova seria elaborada por uma ONG educacional, ou uma instituição externa a SME, e pronto. aplica-se esse exame pra todo aluno que se candidatar ao prêmio. Nem seria obrigatório. Só quem acha que tem culhão é que entra na roda. Os medíocres, mas conscientes de sua mediocridade, não devem ser obrigados a fazer o exame. Os que são contra a esse tipo de estimulo, poupariam seus fedelhos. Se o aluno acerta mais de 75% do exame, ele é avaliado como MB e merecedor do incentivo.
É uma medida simples e coerente que não atrapalharia ninguém. É tão simples que uma pessoa séria estranharia que numa SME ninguém tenha pensado nessa alternativa como a mais decente, pro aluno, pro professor e pra sociedade. E um implicante e conspirador como eu não estranha porra nenhuma disso tudo, pois sei que pensaram nessa alternativa e arremeteram. Claro: um instrumento como esse, o provão, serviria para dar nitidez a merda que é a formação, a qualidade do ensino. Imagina um aluno MB tirando zero? Isso revelaria muito sobre a qualidade de seu aprendizado, não? Esse exame seria ótimo, mas não pros interesses burocráticos e políticos de nosso prefeito.
Reafirmo que não sou contra esses incentivos, tem mais é que valorizar a educação, e a materialização desse incentivo pode ser dinheiro (mas concordo que muito melhor seria a oferta de material acadêmico, cientifico, entrada para eventos científicos, culturais e artisticos, etc.). E também acho que o professor também deveria ser premiado.
Mas o problema é que evidentemente não é esse o objetivo desse projeto. É bandidagem pura. Não há um estimulo sério, e sim um disfarce para a orgia eleitoreira.
Só me resta matricular meus pimpolhos nessa rede municipal, pra ver se pelo menos eu resgato parte do meu IPTU.

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