Alguns detratores (é asim? é a primeira vez que uso essa palavra, sabe...tô até emocionado...) me acusam de ser não apenas anti-brasileiro, mas também estimular o acirramento das diferenças e promover conflitos regionais, tipo discriminação com nordestinos, que são "imigrantes" do nordeste para o sul maravilha.
De novo, poderia resumir a questão paraum "foda-se" padrão, mas eis o que argumento:
Não assumo mais também não me incomodaria em "acirrar diferenças" no sentido de reocnhecê-las e torna-las mais nítidas. Intensificar a identificação de diferenças, resslata-las, não significa nem de longe conflitua-las. Existe diferença entre Minas Gerais e Rio de Janeiro? Pra cacete! Poderiam ser duas nações tão distintas quanto a Bolivia e o Equador o são. Isso não significa que deve existir ou se justifica conflito ou ódio entre duas regiões. É muito diferente o RS e o RJ, e não sinto qualquer indisposição ou contrariedade automática para com o gaucho por isso.
Agora, quanto ao preconceito que existe , é inegável, com nordestinos no eixo RJ-SP, isso se deve as mesmas causas que me permitiram identificar o preconceito que sofri em Natal, Fortaleza e Recife (num primeiro momento).
A maior praga do carióca não é apenas se achar muito "ispértu", mas achar que todo mundo é otário. E não é raro ver carióca querer tratar outros brasileiros com arrogância, e as vezes ser discaradamente desonesto, achando que não tem nada de mais fazer os outros de otários, como se existise uma prerrogativa do carióca em aplicar golpes, mutretagens e afins, tudo pra tirar vantagens dos outros. O resultado disso: todo nordestino disconfia de carióca, e com razão. é chato chegar em um hotel em Recife e ter de ser observado por duas ou três esdadias para que as pessoas te percebam como uma pessoa de bem, apesar de ser carióca. A maioria até sabe que não é "natureza" do carióca ser malandro, mas quase todo restaurtante e guia turístico nordestino já levou uma volta no maior descaramento de um carióca. E vejam bem, a questão não é ser desonesto, porque isso tem em todo lugar. o problema é que o carióca palica um golpe e ainda festeja, faz troça, nem se ocnstrange, mas se vangloria disso.
Por mim, esse tipo de caróca deveria levar dosi tiros de 762 na nuca e ir pra cova rasa, pois denigre a imagem deum povo que na verdade é trabalhador e muito digno, orgulhoso de ser feliz e boa praça, e não malandro e dissimulado.
Quanto o preconceito com nordestinos, primeiramente mando logo meu cartão super-trunfo "mamãe é de Aracaju" como Habeas Corpus. E ela é uma nordestina ocnsciente de que não tem nada demais não gostar do NE, pelo menos o NE que ela viveu, conheceu e sofreu, e afinal fez com que ela, sua mãe e mais 12 irmão viessem pro Rio capital dos anos 40. ela mesma diz "se lá fosse tão bom , não tinha tanta gente de fora aqui...". Ela se lembra de meu avô (assasinado por ter a ridícula e indecorosa vontade de montar um sindicato de esquerda em plena ditadura Vargas...) contando que saiu do interior do Sergipe para a capital, pois na roça ele trabalhava e era tratado como animal. Como animal mesmo: puxava carroça e levava chicotada do memso jeito que um burro. Teve a petulância de se indignar com isso, e fugiu pra "cidade grande". Ou seja, meu avô já era um imigrante de outro pais chamado sertão de Sergipe.
Minha mãe não perdoa em nada o NE. Detesta aquela terra e amaldiçoa sua infãncia tão sofrida por lá. Sabe que se ficasse lá morreria de fome ou seria uma desgraçada na vida como suas primas acabaram se tornando por ficar por lá. Se hoje ela tem uma vida confortável, foi por um esforço seu que não se frutificaria em Sergipe (ela também não acha o Rio essa coisas todas. nunca achou...). Todo nordestino sai do NE procurando algo melhor, como os brasileiros que estão na Nova Zelândia. todos querem que seu esforço compense, e isso é reconhecimento de seu valor. Isso é dignidade e coragem.
Mas quem disse que vieram no bem bom? Foram morar em Queimados? alguem imagina oque é Queimados nos anos 40, quando nessa época o bairro de Bangu ainda era chamado de Sertão Extremo do Rio? Não foram morar no morro, não favelizaram nem um metro quadrado desse estado, e sempre paragam todos os serviços e produtos que podiam consumir. quando não podiam, não tinham, masd nunca roubaram. De doze filhos, nenhum virou marginal. Minha avó e minhas tias sofreram muito, correram atrás, e muitas morreram ou morreraão podendo dizer que vieram pro Rio, e fizeram dessa cidade um mundo melhor. Todos contribuiram, com maior ou menor competência para o enriquecimento dessa cidade e dessa nação. E não por serem nordestinos, ou negros, ou sei lá oquê. Mas porque tiveram dignidade e coragem.
Coragem de não mendigar, mas limpar fossa de seus vizinhos por um prato de comida no fim da tarde.
Coragem de não roubar, mas aturar desaforo e escárnio de madame quando cozinheiras, porteiros e empregadas.
Coragem de não se acomodar, mandar a madame tomar no olho do cú, e ir encarar um curso de mecânico, técnico, auxiliar, qualquer porra dessas...
Coragem de não casar com qualquer um só pra não ter de trabalhar, e aturar estupidez, machismo e escrotices mil.
Coragem de acordar 4 horas da manhã para ir trabalhar de costureira em Copacabana, e voltar 11 horas da noite do curso de auxiliar de enfermagem.
Eu me considero fruto e herdeiro de uma familia com uma trajetória rica, e não por sr essa familia de origem nordestina. Nem me sinto isento ou imune a preconceitos e posturas inadequadas, como todo mundo. Mas meu esforço até o último dia da minha vida será sempre encarar e superar meus defeitos. E nunca exerci qualquer preconceito contra ninguém, até porque pra mim ninguém presta, o ser humano é evidentemente o câncer do planeta, e portanto não perco tempo com essas coisas.
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