Há um consenso neste blog: o tal do pós-modernismo é uma m*%$#erda.Há outro consenso: o pós-modernismo é hegemônico. O pós-modernismo é o nome mais charmoso de um dos maiores inimigos de Bento XVI, o relativismo acadêmico e moral.
No entanto, aqui fazendo uma digressão irresponsável, acho que este tipo de pensamento surge como resposta a uma era (o modernismo) em que utopias salvacionistas na economia, na política, nas ciências e nas artes pregavam o fim dos tempos e nascimento de uma nova era de deleite e prazer. Era como dizia Cazuza "...eu quero uma pra viver". O modernismo talvez tenha sido a mais radical experiência do gnosticismo: a idéia de que se pode inaugurar o paraíso terrestre pela razão do homem, pela negação do absoluto espiritual, a negação de Deus como busca pelo império da razão.
O mais engraçado disso tudo é que as duas formas de pensamento hoje se misturam se se retroalimentam. Os partidários das utopias acolhem as maiores bobagens pós-modernas como forma de aumentar sua força política. É a união das forças de "esquerda" com o multiculturalismo. O maior exemplo desta maluquice é o Fórum mundial social: o evento liderado por utopistas de esquerda marxistas até a medula (logo modernistas) com movimentos dos mais diversos tipos: seitas esotéricas, xamãs, feministas, sem-terra, indígenas, hare-krishnas, ecologistas e tudo o mais que você puder imaginar. O lema é "um outro mundo é posível".
Os caras se comportam como se fossem a força do bem, a liga da justiça, os superamigos. Fica difícil ser contra coisas como: a natureza, o bem-estar físico mental e social, a luta contra a desigualdade, a luta contra o racismo, a luta contra a pobreza, a justiça social e etc...
A alternativa a isso não tem uma cara boa e nem promete o paraíso. O conservadorismo, a despeito da idéia equivocada de que tudo deve ser conservado como está (o bom e o ruim), busca melhorar o presente a partir de experiências passadas. É aliado da tradição e da evolução do pensamento testado do homem. O conservadorismo é aliado da religião por um motivo óbvio. Só a religião pode trazer a idéia de em algum lugar ou em alguma coisa está o absoluto que só pose ser alcançável pela fé. Algo que não está no homem, que não está na razão humana. A idéia de que não há salvação neste mundo, afasta seus crentes de utopias como: comunismo, socialismo, nazismo, fascismo além criar repulsa a falta de conceitos, cria repulsa ao realtivismo pósmoderno.
Não, eu não virei crente. Continuo agnóstico. Só não mais ataco as religiões como aprendi a atacar na escola e na faculdade.
Antes eu considerava ignorante o crente, hoje eu o considero protegido. Protegido desse outro mundo possível que não é bonito como pintam. A experiência tem mostrado.
Blog de três amigos que BEBIAM vinho e jogavam conversa fora. Atualmente a coisa tá difícil.
sábado, 18 de agosto de 2007
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
PÓS MODERNISMO
Não consigo ver muitos dogmas nesse movimento, e sim um monte de tropeço em suas própias críticas....
É como se tivesse tudo errado, mas não sabemos como resover nada.
Se estruturam e se vangloriam de uma ética pluralista onde qualquer pessoa pode emitir uma opinião em qualquer assunto e deve ser levado em conta, indepedentemente do seu conhecimento, aliás, essa palavra é sinônimo de arrogância nesse movimento.
Acaba assim, a gente não sabe quem tá errado: infraero, anac, tam ou aeronáutica. Qualquer um que falar a gente pensa que é uma mentira, pela total falta de referência e consequentemente de liderança.
UMA ANARQUIA COVARDE, SEM MOSTRAR A CARA PARA APANHAR......
É como se tivesse tudo errado, mas não sabemos como resover nada.
Se estruturam e se vangloriam de uma ética pluralista onde qualquer pessoa pode emitir uma opinião em qualquer assunto e deve ser levado em conta, indepedentemente do seu conhecimento, aliás, essa palavra é sinônimo de arrogância nesse movimento.
Acaba assim, a gente não sabe quem tá errado: infraero, anac, tam ou aeronáutica. Qualquer um que falar a gente pensa que é uma mentira, pela total falta de referência e consequentemente de liderança.
UMA ANARQUIA COVARDE, SEM MOSTRAR A CARA PARA APANHAR......
Excedente...
Das poucas pessoas que conheço que assistiram "Apocalypto" sem o espirito de assistir um "Maquina Mortifera 6", quase nenhuma percebeu ou especulou uma diferença entre a tribo de indios "caçados" e a tribo "predadora": você não nota deficientes e doentes na tribo mocinha, e nem mesmo idosos pouco vigorosos. Todo mundo sarado. Na civilização que vem caça-los, o vigr de seus guerreiros é evidente, mas ao conhecermos sua urbe, seus burgos, encontramos pessoas com evidentes sinais de deformidades, apesar desses deformados se mostrarem integrados no metablismo social dessa civilização.
Não consigo deixar de pensar que esse toque foi provocação de Mel Gibson (assim como a fala do sacerdote - "Nós somos o povo escolhido..."). Não haveria outro motivo para que se evidenciasse deformados, deficientes na tribo mais evoluida.
Também não consigo parar de pensar nesse filme depois de ler a reportagem da Veja, que trata do infanticídio entre os índios no Brasil. e o pior, a conivência cínica e arrogante de antropólogos e indianístas, que alegam ser necessário preservar costumes como infanticídio, para o bem da cultura e da perpetuação da herança indigena.
É um imbecil quem não percebe que a ocorrência de suicídios advindos com essa cultura, como descritos no contexto da reportagem, assim como a manifestada e documentada ocorrência de contrariedades dos próprios indigenas, apontam que cultura não é consenso e muito menos algo cristalizado.
Não vou aqui decrever todo a história sobre a prática de infanticidio como controle de excendente e recursos vitais nas diversas culturas orientais e ocidentais. E não o farei porque não tõ com essa bola toda. As referências mais óbvias (os espartanos, os Celtas, os Mongós, os Chineses, etc., etc.) tão ai. Já dá conta de permitr que o infanticídio é um processo de seleção limitado e primitivo, dispensável e mesmo nos contextos menos favoráveis um drama, um conflito profundo.
Com que facilidade então antropólogos e especialistas conseguem aceitar tal prática nos dias atuais, especialmente sendo esses oriundos de uma civilização mais evoluida? Como eles não pensam em alternativas para defender a vida?
Suspeito que, ladeado com a possível cureldade de se pensar que infanticídio entre indios não é problema mas solução, esses especialistas também possuém uma crença honesta e assumida de que a cultura é um dogma supremo. Um dogma que precisa ser defendido, afinal é esse dogma que financia, justifica a existência de algumas disciplinas das ciências humanas como instrumentos de regulação da humanidade. Oque faz um juiz depender de um parecer de um antropólogo (e em seguida acatar esse parecer), sem pensar na vida e no humanísmo?
Dógma é a palavra com a qual eu vou implicar nos próximos dias.
E já começo alegando que o pós-modernísmo e um ocnjunto de dógmas.
Não consigo deixar de pensar que esse toque foi provocação de Mel Gibson (assim como a fala do sacerdote - "Nós somos o povo escolhido..."). Não haveria outro motivo para que se evidenciasse deformados, deficientes na tribo mais evoluida.
Também não consigo parar de pensar nesse filme depois de ler a reportagem da Veja, que trata do infanticídio entre os índios no Brasil. e o pior, a conivência cínica e arrogante de antropólogos e indianístas, que alegam ser necessário preservar costumes como infanticídio, para o bem da cultura e da perpetuação da herança indigena.
É um imbecil quem não percebe que a ocorrência de suicídios advindos com essa cultura, como descritos no contexto da reportagem, assim como a manifestada e documentada ocorrência de contrariedades dos próprios indigenas, apontam que cultura não é consenso e muito menos algo cristalizado.
Não vou aqui decrever todo a história sobre a prática de infanticidio como controle de excendente e recursos vitais nas diversas culturas orientais e ocidentais. E não o farei porque não tõ com essa bola toda. As referências mais óbvias (os espartanos, os Celtas, os Mongós, os Chineses, etc., etc.) tão ai. Já dá conta de permitr que o infanticídio é um processo de seleção limitado e primitivo, dispensável e mesmo nos contextos menos favoráveis um drama, um conflito profundo.
Com que facilidade então antropólogos e especialistas conseguem aceitar tal prática nos dias atuais, especialmente sendo esses oriundos de uma civilização mais evoluida? Como eles não pensam em alternativas para defender a vida?
Suspeito que, ladeado com a possível cureldade de se pensar que infanticídio entre indios não é problema mas solução, esses especialistas também possuém uma crença honesta e assumida de que a cultura é um dogma supremo. Um dogma que precisa ser defendido, afinal é esse dogma que financia, justifica a existência de algumas disciplinas das ciências humanas como instrumentos de regulação da humanidade. Oque faz um juiz depender de um parecer de um antropólogo (e em seguida acatar esse parecer), sem pensar na vida e no humanísmo?
Dógma é a palavra com a qual eu vou implicar nos próximos dias.
E já começo alegando que o pós-modernísmo e um ocnjunto de dógmas.
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
RESISTIMOS, AQUI SERÁ QUE SE DESTINA?
Só tem maluco....
Faltou o inimigo mortal "pósmordenismo"
Esse atrasa, iguala pesamento, horizontaliza os desejos, padroniza raciocínio, cria receita de bolo, faz com que não tenha diferença entre participar ou não de um debate, afinal de contas, não é necessário o conhecimento, ou melhor, como diz o MOGLI "SOMENTE O NECESSÁRIO, O EXTRAORDINÁRIO É DEMAIS" ARHG=HORRÍVEL.
Faltou o inimigo mortal "pósmordenismo"
Esse atrasa, iguala pesamento, horizontaliza os desejos, padroniza raciocínio, cria receita de bolo, faz com que não tenha diferença entre participar ou não de um debate, afinal de contas, não é necessário o conhecimento, ou melhor, como diz o MOGLI "SOMENTE O NECESSÁRIO, O EXTRAORDINÁRIO É DEMAIS" ARHG=HORRÍVEL.
Das "Furadas".
Nesta cidade litorânea do extremo ocidente encontros entre um morador da Barra da Tijuca, da Tijuca e de Campo Grande são uma grande acontecimento. O trânsito, as esposas "golpistas" , o imperialismo norte-americano, o neoliberalismo, a globalização e o aquecimento global têm sido grandes obstáculos no nosso caminho em direção aos mais profundos ideiais. Resistir é preciso! Repitam comigo: "No pasarám, no pasarám".
terça-feira, 14 de agosto de 2007
FURADA GERAL
Essa turma do barra conexions sabe escrever muito bem, mas marcar a reunião!!!!!!
Sabe aquela galera: "vamos marcar, tudo certo..... na hora H. ah, tá chovendo e vai fazer sol....rss
VAMOS LÁ GALERA!!!!!!
Parabéns pelo o que escreveram sobre os Pais. Vcs, apesar de serem furões, são brilhantes.
Sabe aquela galera: "vamos marcar, tudo certo..... na hora H. ah, tá chovendo e vai fazer sol....rss
VAMOS LÁ GALERA!!!!!!
Parabéns pelo o que escreveram sobre os Pais. Vcs, apesar de serem furões, são brilhantes.
"Pai é função social"
Mãe é mãe, mãe só tem uma, carrego papai no bolso e mamãe no coração... Certo dia ouvi de uma assistente social a frase do título deste post. Função social...assim como, policial militar, bombeiro, gari, deputado,etc.
"Temos que acabar com o patriarcado". O patriarcado já está quase acabado. Não quero lutar por poder algum, apenas pelo direito de ser respeitado na formação de meus filhos tanto quanto são as mães.E se não for possível quero aquilo que o Luiz falou: que me deixem dormir em paz.
"Temos que acabar com o patriarcado". O patriarcado já está quase acabado. Não quero lutar por poder algum, apenas pelo direito de ser respeitado na formação de meus filhos tanto quanto são as mães.E se não for possível quero aquilo que o Luiz falou: que me deixem dormir em paz.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Carta ao Meu Filho
Não, meu filho. Não sou daqueles comunistas radicais. Sou a favor do livre mercado, do consumismo da primeira semana do mês, e adoro shoppings quando recebo o 13º. Sou social-democrata, defendo princípios republicanos e o sonho de que no futuro todos devam ter o mesmo direito de alcançar seu máximo potencial, contanto que isso não se dê às custas de terceiros. Que qualquer um possa ser Bill Gates, Pelé ou Kennedy.
Mas odeio o Dia dos pais.
E dia das mães, dia das avós, dia dos namorados, ou qualquer dia desses inventado pelo comércio (não é por acaso que têm sempre um domingo fixo). O problema não é ser comercial, mas sim ser mal comercializado. Um dia conversaremos sobre isso (provavelmente quando você ganhar um creme de esfoliação ou um medíocre prestobarba como presente).
Escrevo por conta desse fim de semana “dos pais”. Eu sabia que não poderia faltar, sob pena de ser apontado como pai ausente, deficiente, negligente, insensível e todos esses adjetivos que têm fácil aderência a figura masculina contemporânea. Caguei pras bocas de onde esses adjetivos saem, mas me preocupo com a possibilidade de você acreditar neles, sim. É fácil desmoralizar e desacreditar a figura do pai, do homem e do provedor hoje em dia. Todo mundo está predisposto a condenar e preterir o pai nos dias de hoje. Desculpe a dispersão.
Eu fui para uma cerimônia na sua escola. Fiz malabarismos com meu horário de trabalho para presenciar um conjunto tão triste, tão tosco, que me revoltou. Não só pela mediocridade dos moleques, mas pela reação de seus pais, que achavam aquilo que se apresentava genial (ou estavam relutando contra o evidente desconforto de ver seu filho sendo tão medíocre e cara de pau, disfarçando a vergonha com aplauso tísico e entusiasmo anêmico). Vou refrescar tua memória, pra tu lembrar da escrotice.
Nada foi feito pensando nos pais, mas apenas em cumprir a missão burocrática de fazer algum bagulho no dia dos pais. Isso ficou patente e inegável. A idéia não era homenagear, mas cumprir uma cota de comemorações. Daí tão pouco entusiasmo, tanto stress dos professores e tanta apatia nos alunos. A coisa não foi sincera.
Primeiro vem um rapaz do segundo grau tocar “Imagine” do Lennon, tão mal, mas tão mal, sem ensaio, sem poder culpar sua idade, mas evidenciando o webberianismo dessas comemorações. Fez porque tinha de fazer alguma coisa. Foi uma encomenda do departamento de eventos da escola (DEE). É uma imbecilidade acreditar que o muleque escolheu “Imagine” pensando nos pais. É a musica menos inconveniente que ele sabia tocar? Então vai essa mesmo. É uma musica neutra, que serve pra velório e desquites também.
Depois vem um grupo imitar os “Mamonas Assassinas” (caray,... tem já uns dez anos que esse troço é veio, meu. Constrangedor...) do mesmo jeito tosco, e de novo, nada a ver com o dia dos pais. Em seguida tiraram as fantasias de mamonas e tocaram mais coisinhas caídas. Um horror.
Em seguida veio um grupo de segundo grau mostrar um vídeo-novela de um único capitulo, uma produção chamada “Traição”. Tudo a ver com o dia dos pais mesmo..., engraçado pra cacete (pela tosquice, é óbvio), mas prefiro ver aquilo no youtube. Aliás, tenho certeza que fizeram aquela porcaria pro site, mas como tinham de fazer alguma encomenda do DEE para tal dia “tão especial”, mandaram aquilo mesmo como um press-release. Eles honraram o cinema nacional: som péssimo, edição maluca, baixa qualidade, sem conflito, sem propósito... um lixo. Só faltou selo e dinheiro da ANCINE.
Ainda teve um monte de palhaçada, mas vou encurtar a história registrando apenas esse último show: as danças horrorosas dos anos 50 e 60. Caramba, meu!!! Quê que isso tem a ver com dia dos pais. Fala sério! Que merda, cara! É melhor não fazer nada, meu Deus!, doque aquele lixo! Quando a coordenadora falou no mic “Quem não se lembra os anos 60, heim?!"... Porra! Eu não me lembro! Ninguém se lembra! Só essa coroa mesmo, que fugiu da coluna Prestes! Nasci na década de 70, como mais de 50% dos pais presentes! A outra metade não curtiu essa década de 60, pois no máximo saíram dela com 5 ou 9 anos. Falta de seriedade, sô! No bojo, foi uma falta de consideração e desrespeito. Uma hipocrisia e demagogia que, pelo jeito, se repete todos os anos, em todas as escolas. E note, meu filho, que a tortura começou as 16 horas, e fugimos dela as 19:20 horas, quando você já estava revoltado porque queria pão de queijo e Kappo. Tu tava com fome!
Por conta desse dia, meu querido filho, resolvi te escrever uma coisa: o dia dos pais não é importante pros pais, mas pro resto do mundo que se sente redimido pelas faltas que têm com seus pais nesse dia. Eu espero de você algo melhor quando tu tiver mais velho. E você tem três opções:
Primeiro – Faça algo sincero, uma homenagem do coração, de qualidade, de que eu possa me orgulhar. Invista tempo, dedicação, honestidade e amor, e faça isso tudo transparecer naquilo que fizeres para me homenagear. Não vou me queixar disso.
Segundo – Faça algo tosco como todo mundo faz, demagogo e hipócrita, como foi feito na escola. E se prepare para ouvir coisa muito pior doque aqui escrevo, pois não tenho a menor obrigação de dar continuidade a qualquer hipocrisia dentro de minha casa. Lá você vai ouvir que foi uma merda, que seus colegas são uns merdas, que estou decepcionado com a escola e magoado com tanta falsidade e descaso disfarçado de descontração e frugalidade. Vou deixar bem claro procê que não esperava de você, minha cria, uma atitude de tão pouca consideração. Não vou deixar você na ignorância, te deixar achando que fez grande coisa, ou que foi algo sem colateralidade. Uma homenagem artificial, burocrática e tosca como essa ninguém merece. Vou te infernizar por dias, pra tu aprender a não ser superficial e falso comigo. Seja com a professora, com a namorada, com seus colegas de merda, com o mundo (às vezes é necessário...). Mas comigo, não!! Tu vai ouvir montes, cara... Quero acreditar que aqueles muleques tocam mal, não organizam uma peça ou uma dança direito porque estudam muito e não sobra tempo pra fazer algo decente. (Então não façam).
Terceiro – Não faça porra nenhuma! Tenha plena consciência de que o dia dos pais é um comercialismo tolo, de que eu não faço questão de comemorar essa palhaçada, e estou muito mais preocupado com seu desempenho acadêmico e desenvolvimento moral, espiritual e humano. Caguei pro dia dos pais. Cague também! Tenha coragem de cagar pra essas babaquices do mundo: aniversário, dia dos pais, natal, e todas essas coisas já corrompidas pela política, pelo mercado e pela religião. Tenha coragem de ter ser sóbrio sobre as coisas do mundo. Seja precoce nessa sobriedade, pra não ser um esperneador, mas alguém consciente. Não seja teleguiado nem se deixe ser alienado. Honre-me e homenageie-me todos s dias sendo probo, respeitoso; e sendo merecedor de admiração e respeito também. E cima de tudo, seja culto e inteligente, coisas que não se compra com facilidade. Leia tudo que li e guardo, nem que seja pra identificar algumas merdas. Veja os filmes que vi e guardo, nem que seja pra falar mal deles. Ouça as musicas que coleciono, e me enxergue através dessa minha herança. Talvez assim, se um dia você comprar um disco pra mim, vai saber o que comprar. Se for tocar uma musica pra mim, saberá o que tocar.
Se um dia você resolver fazer alguma performace do dia dos pais, faça algo assim:
Cenário – Quintal de dona Alba, churrasco rolando com o clã e amigos. Contexto: subúrbio carióca, uma semana antes do dia dos pais. Presentes a filha Bete, seu filho Cuca e o pai de Cuca, Didi. Churrasco está terminando. Bete tá evitando o pós-brandial. Didi está termniando sua refeição.
Bete – Cuca, trás lá sua mochila da escola, que eu quero pegar um negócio.
Cuca – Ta mãe...
Didi – E vê se escova o dente em seguida!
Cuca – Tomaqui, mãe... posso ir brincar lá fora depois de escovar os dentes? (já em direção ao banheiro)
Bete – Pode! (falando de soslaio) É até conveniente, que eu quero falar com seu pai....
Didi – Quequié...? (despreocupadamente)
Bete – Eu sei que tu encrenca com o dia dos pais...
Didi – Já começou mal a negociação: eu não encrenco com nada. Só não gosto.
Bete – Então esse ano você não vai de novo na festa da escola?
Didi – Vô vê...
Bete – Não! Eu preciso ter certeza, ora!
Didi – Se estiver trabalhando, claro que não...
Bete – Não pode nem trocar de dia?
Didi- E eu sou mulher, que pode trocar de dia por causa de aniversário do pimpolho, ou por conta de menstruação, ou porque fulaninho ta com febre? Até parece que tu não sabe disso...
Bete – Isso é desculpa tua... outros pais podem ir!
Didi – (com tom professoral) Talvez os pais que não trabalham e atrasam a mensalidade, ou os pais que tem dinheiro de sobra. Eles podem ir sempre. O pai do Cuca não está nesses grupos!
Bete – Mas Didi, você podia pelo menos se esforçar em aparecer na festa. O garoto fica triste quando você não pode ir. Tu sabe que ele sente sua falta.
Didi - Eu sei... eu também adoro busca-lo na escola, ficar mais tempo com ele, mas alguém tem de pagar as contas...
Bete – Mas ser pai não é só pagar contas!
Didi – E nem deixa de ser, minha filha. Seu pai sofreu muito trabalhando de domingo a domingo. Ele nuca foi de ficar de farra na birósca como outros,... que tiveram tempo de ensinar seus filhos a jogar bola. Seu irmão até hoje se recente, tem magoas de seu pai...mó viadagem aolescente ...quero ver o dia que ele for pai também...
Cuca passa creendo entre eles, em direção a rua.
Bete – O Edu é outro caso. Mas o caso deste aqui (apontando pro Didi) é implicância mesmo, mãe! Já teve dia dos pais que ele passou no sofá! Barrigão pra cima, roncando! Nem quis sair...(sacando um envelope da mochila)
Didi – Cuca tinha dois anos! Não existe nem Natal pra ele. E eu tava morgado do plantão, bolas! (Didi se levanta e recolhe e recolhe a mesa)
Bete – Bom... agora ele já ta maior, e vai perguntar porque você não tá lá na festa...(entrega o convite da festa). Cê tem de ir.
Didi – Mas é numa terça feira, duas horas!? Quié isso!? Como vou sair do plantão?!? (encarando a Bete) Me diga se é possível a escola ter essa falta de semancol?! (deixndo tudo na pia e se dirigindo para sua esposa)
Bete (se desviando do olhar inquisitor de Didi,com ares conspiratórios) – Pois é. Eu sabia que não tu não iria... só precisava da confirmação pro plano B...
(segue se um silêncio e um estranhamento de Didi)
Didi – Que seria...?
Bete – Eu perguntei ao seu irmão se ele poderia te representar, mas ele também vai estar trabalhando. Ai pensei se o Edu não poderia ir no teu lugar, te representar. Qui cê acha?
(Didi se afasta de Bete e senta na borda do piso da varanda pro quintal, e se porta reflexivo)
Didi – Sabe o que penso... Sabe que é que eu penso...(pinçando as palvras. Exita, e olha demoradamente para Bete. Se vira calmamente e fala, em direção a platéia). Eu penso que tá ótimo! Tudo bem! Desde que o Edu também pague as mensalidades da escola, tudo bem! Pague também o plano de saúde, o uniforme, os lanches, os cinemas, as festinhas, os presentes de aniversários de todos os coleguinhas! Que ele abra mão de sua vida de playboy e finalmente vire homem, pra assumir a tarefa de ser um modelo, um exemplo pro Cuca. E que ele ensine e mostre ao Cuca coisas importantes nesse mundo. Mostre que e babaquice dia das mães, dos pais, das crianças, Natal, Halloween, tudo isso! (marchando em direção a Bete) O Edu vai ter que mostrar pro Cuca oque é realmente importante na vida. Tomara que o Edu acorde de madrugada pra levar o Cuca na emergência, ou mesmo no banheiro, pra ele não molhar a cama! Taí! O Edu vai na festa, sim! Sabe pra quê? Pra fazer uma homenagem aos pais que não puderam estar lá! Ta bom assim?!
Cuca vem da rua, correndo, e aborda seu pai - Papai, vem jogar comigo?
(Didi dá a mão pro Cuca e eles saindo de cena )
Mas odeio o Dia dos pais.
E dia das mães, dia das avós, dia dos namorados, ou qualquer dia desses inventado pelo comércio (não é por acaso que têm sempre um domingo fixo). O problema não é ser comercial, mas sim ser mal comercializado. Um dia conversaremos sobre isso (provavelmente quando você ganhar um creme de esfoliação ou um medíocre prestobarba como presente).
Escrevo por conta desse fim de semana “dos pais”. Eu sabia que não poderia faltar, sob pena de ser apontado como pai ausente, deficiente, negligente, insensível e todos esses adjetivos que têm fácil aderência a figura masculina contemporânea. Caguei pras bocas de onde esses adjetivos saem, mas me preocupo com a possibilidade de você acreditar neles, sim. É fácil desmoralizar e desacreditar a figura do pai, do homem e do provedor hoje em dia. Todo mundo está predisposto a condenar e preterir o pai nos dias de hoje. Desculpe a dispersão.
Eu fui para uma cerimônia na sua escola. Fiz malabarismos com meu horário de trabalho para presenciar um conjunto tão triste, tão tosco, que me revoltou. Não só pela mediocridade dos moleques, mas pela reação de seus pais, que achavam aquilo que se apresentava genial (ou estavam relutando contra o evidente desconforto de ver seu filho sendo tão medíocre e cara de pau, disfarçando a vergonha com aplauso tísico e entusiasmo anêmico). Vou refrescar tua memória, pra tu lembrar da escrotice.
Nada foi feito pensando nos pais, mas apenas em cumprir a missão burocrática de fazer algum bagulho no dia dos pais. Isso ficou patente e inegável. A idéia não era homenagear, mas cumprir uma cota de comemorações. Daí tão pouco entusiasmo, tanto stress dos professores e tanta apatia nos alunos. A coisa não foi sincera.
Primeiro vem um rapaz do segundo grau tocar “Imagine” do Lennon, tão mal, mas tão mal, sem ensaio, sem poder culpar sua idade, mas evidenciando o webberianismo dessas comemorações. Fez porque tinha de fazer alguma coisa. Foi uma encomenda do departamento de eventos da escola (DEE). É uma imbecilidade acreditar que o muleque escolheu “Imagine” pensando nos pais. É a musica menos inconveniente que ele sabia tocar? Então vai essa mesmo. É uma musica neutra, que serve pra velório e desquites também.
Depois vem um grupo imitar os “Mamonas Assassinas” (caray,... tem já uns dez anos que esse troço é veio, meu. Constrangedor...) do mesmo jeito tosco, e de novo, nada a ver com o dia dos pais. Em seguida tiraram as fantasias de mamonas e tocaram mais coisinhas caídas. Um horror.
Em seguida veio um grupo de segundo grau mostrar um vídeo-novela de um único capitulo, uma produção chamada “Traição”. Tudo a ver com o dia dos pais mesmo..., engraçado pra cacete (pela tosquice, é óbvio), mas prefiro ver aquilo no youtube. Aliás, tenho certeza que fizeram aquela porcaria pro site, mas como tinham de fazer alguma encomenda do DEE para tal dia “tão especial”, mandaram aquilo mesmo como um press-release. Eles honraram o cinema nacional: som péssimo, edição maluca, baixa qualidade, sem conflito, sem propósito... um lixo. Só faltou selo e dinheiro da ANCINE.
Ainda teve um monte de palhaçada, mas vou encurtar a história registrando apenas esse último show: as danças horrorosas dos anos 50 e 60. Caramba, meu!!! Quê que isso tem a ver com dia dos pais. Fala sério! Que merda, cara! É melhor não fazer nada, meu Deus!, doque aquele lixo! Quando a coordenadora falou no mic “Quem não se lembra os anos 60, heim?!"... Porra! Eu não me lembro! Ninguém se lembra! Só essa coroa mesmo, que fugiu da coluna Prestes! Nasci na década de 70, como mais de 50% dos pais presentes! A outra metade não curtiu essa década de 60, pois no máximo saíram dela com 5 ou 9 anos. Falta de seriedade, sô! No bojo, foi uma falta de consideração e desrespeito. Uma hipocrisia e demagogia que, pelo jeito, se repete todos os anos, em todas as escolas. E note, meu filho, que a tortura começou as 16 horas, e fugimos dela as 19:20 horas, quando você já estava revoltado porque queria pão de queijo e Kappo. Tu tava com fome!
Por conta desse dia, meu querido filho, resolvi te escrever uma coisa: o dia dos pais não é importante pros pais, mas pro resto do mundo que se sente redimido pelas faltas que têm com seus pais nesse dia. Eu espero de você algo melhor quando tu tiver mais velho. E você tem três opções:
Primeiro – Faça algo sincero, uma homenagem do coração, de qualidade, de que eu possa me orgulhar. Invista tempo, dedicação, honestidade e amor, e faça isso tudo transparecer naquilo que fizeres para me homenagear. Não vou me queixar disso.
Segundo – Faça algo tosco como todo mundo faz, demagogo e hipócrita, como foi feito na escola. E se prepare para ouvir coisa muito pior doque aqui escrevo, pois não tenho a menor obrigação de dar continuidade a qualquer hipocrisia dentro de minha casa. Lá você vai ouvir que foi uma merda, que seus colegas são uns merdas, que estou decepcionado com a escola e magoado com tanta falsidade e descaso disfarçado de descontração e frugalidade. Vou deixar bem claro procê que não esperava de você, minha cria, uma atitude de tão pouca consideração. Não vou deixar você na ignorância, te deixar achando que fez grande coisa, ou que foi algo sem colateralidade. Uma homenagem artificial, burocrática e tosca como essa ninguém merece. Vou te infernizar por dias, pra tu aprender a não ser superficial e falso comigo. Seja com a professora, com a namorada, com seus colegas de merda, com o mundo (às vezes é necessário...). Mas comigo, não!! Tu vai ouvir montes, cara... Quero acreditar que aqueles muleques tocam mal, não organizam uma peça ou uma dança direito porque estudam muito e não sobra tempo pra fazer algo decente. (Então não façam).
Terceiro – Não faça porra nenhuma! Tenha plena consciência de que o dia dos pais é um comercialismo tolo, de que eu não faço questão de comemorar essa palhaçada, e estou muito mais preocupado com seu desempenho acadêmico e desenvolvimento moral, espiritual e humano. Caguei pro dia dos pais. Cague também! Tenha coragem de cagar pra essas babaquices do mundo: aniversário, dia dos pais, natal, e todas essas coisas já corrompidas pela política, pelo mercado e pela religião. Tenha coragem de ter ser sóbrio sobre as coisas do mundo. Seja precoce nessa sobriedade, pra não ser um esperneador, mas alguém consciente. Não seja teleguiado nem se deixe ser alienado. Honre-me e homenageie-me todos s dias sendo probo, respeitoso; e sendo merecedor de admiração e respeito também. E cima de tudo, seja culto e inteligente, coisas que não se compra com facilidade. Leia tudo que li e guardo, nem que seja pra identificar algumas merdas. Veja os filmes que vi e guardo, nem que seja pra falar mal deles. Ouça as musicas que coleciono, e me enxergue através dessa minha herança. Talvez assim, se um dia você comprar um disco pra mim, vai saber o que comprar. Se for tocar uma musica pra mim, saberá o que tocar.
Se um dia você resolver fazer alguma performace do dia dos pais, faça algo assim:
Cenário – Quintal de dona Alba, churrasco rolando com o clã e amigos. Contexto: subúrbio carióca, uma semana antes do dia dos pais. Presentes a filha Bete, seu filho Cuca e o pai de Cuca, Didi. Churrasco está terminando. Bete tá evitando o pós-brandial. Didi está termniando sua refeição.
Bete – Cuca, trás lá sua mochila da escola, que eu quero pegar um negócio.
Cuca – Ta mãe...
Didi – E vê se escova o dente em seguida!
Cuca – Tomaqui, mãe... posso ir brincar lá fora depois de escovar os dentes? (já em direção ao banheiro)
Bete – Pode! (falando de soslaio) É até conveniente, que eu quero falar com seu pai....
Didi – Quequié...? (despreocupadamente)
Bete – Eu sei que tu encrenca com o dia dos pais...
Didi – Já começou mal a negociação: eu não encrenco com nada. Só não gosto.
Bete – Então esse ano você não vai de novo na festa da escola?
Didi – Vô vê...
Bete – Não! Eu preciso ter certeza, ora!
Didi – Se estiver trabalhando, claro que não...
Bete – Não pode nem trocar de dia?
Didi- E eu sou mulher, que pode trocar de dia por causa de aniversário do pimpolho, ou por conta de menstruação, ou porque fulaninho ta com febre? Até parece que tu não sabe disso...
Bete – Isso é desculpa tua... outros pais podem ir!
Didi – (com tom professoral) Talvez os pais que não trabalham e atrasam a mensalidade, ou os pais que tem dinheiro de sobra. Eles podem ir sempre. O pai do Cuca não está nesses grupos!
Bete – Mas Didi, você podia pelo menos se esforçar em aparecer na festa. O garoto fica triste quando você não pode ir. Tu sabe que ele sente sua falta.
Didi - Eu sei... eu também adoro busca-lo na escola, ficar mais tempo com ele, mas alguém tem de pagar as contas...
Bete – Mas ser pai não é só pagar contas!
Didi – E nem deixa de ser, minha filha. Seu pai sofreu muito trabalhando de domingo a domingo. Ele nuca foi de ficar de farra na birósca como outros,... que tiveram tempo de ensinar seus filhos a jogar bola. Seu irmão até hoje se recente, tem magoas de seu pai...mó viadagem aolescente ...quero ver o dia que ele for pai também...
Cuca passa creendo entre eles, em direção a rua.
Bete – O Edu é outro caso. Mas o caso deste aqui (apontando pro Didi) é implicância mesmo, mãe! Já teve dia dos pais que ele passou no sofá! Barrigão pra cima, roncando! Nem quis sair...(sacando um envelope da mochila)
Didi – Cuca tinha dois anos! Não existe nem Natal pra ele. E eu tava morgado do plantão, bolas! (Didi se levanta e recolhe e recolhe a mesa)
Bete – Bom... agora ele já ta maior, e vai perguntar porque você não tá lá na festa...(entrega o convite da festa). Cê tem de ir.
Didi – Mas é numa terça feira, duas horas!? Quié isso!? Como vou sair do plantão?!? (encarando a Bete) Me diga se é possível a escola ter essa falta de semancol?! (deixndo tudo na pia e se dirigindo para sua esposa)
Bete (se desviando do olhar inquisitor de Didi,com ares conspiratórios) – Pois é. Eu sabia que não tu não iria... só precisava da confirmação pro plano B...
(segue se um silêncio e um estranhamento de Didi)
Didi – Que seria...?
Bete – Eu perguntei ao seu irmão se ele poderia te representar, mas ele também vai estar trabalhando. Ai pensei se o Edu não poderia ir no teu lugar, te representar. Qui cê acha?
(Didi se afasta de Bete e senta na borda do piso da varanda pro quintal, e se porta reflexivo)
Didi – Sabe o que penso... Sabe que é que eu penso...(pinçando as palvras. Exita, e olha demoradamente para Bete. Se vira calmamente e fala, em direção a platéia). Eu penso que tá ótimo! Tudo bem! Desde que o Edu também pague as mensalidades da escola, tudo bem! Pague também o plano de saúde, o uniforme, os lanches, os cinemas, as festinhas, os presentes de aniversários de todos os coleguinhas! Que ele abra mão de sua vida de playboy e finalmente vire homem, pra assumir a tarefa de ser um modelo, um exemplo pro Cuca. E que ele ensine e mostre ao Cuca coisas importantes nesse mundo. Mostre que e babaquice dia das mães, dos pais, das crianças, Natal, Halloween, tudo isso! (marchando em direção a Bete) O Edu vai ter que mostrar pro Cuca oque é realmente importante na vida. Tomara que o Edu acorde de madrugada pra levar o Cuca na emergência, ou mesmo no banheiro, pra ele não molhar a cama! Taí! O Edu vai na festa, sim! Sabe pra quê? Pra fazer uma homenagem aos pais que não puderam estar lá! Ta bom assim?!
Cuca vem da rua, correndo, e aborda seu pai - Papai, vem jogar comigo?
(Didi dá a mão pro Cuca e eles saindo de cena )
Cuca - Papai, oque cê vai querer de prtesente no dia dos pais?
Didi - Que me deixem dormir até tarde. Só isso...
Fade Out
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sábado, 11 de agosto de 2007
Para nós e para nossos pais
Ponto de vista: Lya Luft
Sobre o papel do pai
"Nunca, neste mundo tumultuado, perigoso e tão
fascinante, o pai foi tão importante. Não importa
se é pai separado, pai solteiro, pai sem grana, pai
sem graça ou pai que a mãe procura diminuir"
Deixei de lado o artigo em que ia retomar temas por demais recorrentes que me entristecem, como os mortos das duas tragédias aéreas recentes. Tragédias que eram esperadas, como a indignação que desencadearam, porque o caos aéreo vinha sendo denunciado havia tempos. Até nosso presidente, em 2002, ainda candidato, publicou um veemente artigo sobre "a morte anunciada da aviação brasileira", exigindo providências. Mas até dias atrás nada tinha sido feito ainda.
Vou tentar – sou má cumpridora de meus propósitos – focar a atenção nos meus temas queridos, vida e morte, relacionamentos humanos, o mistério de tudo e o sentido de algumas coisas. (Antes, desejo boa sorte ao novo ministro, o que não diz bobagens a cada duas frases, o que tem autoridade, energia e boa vontade, e talvez consiga começar a botar nos trilhos o que anda à deriva por aqui. Porque a gente precisa não só de uma tábua de salvação, mas de uma ilha inteira, um continente.)
Falarei do assunto mais óbvio, nesta véspera de Dia dos Pais: este não precisa ser um tema sentimentalóide ou artificial. Pode ser provocador, mexer com nossos sentimentos, com nossa culpa e desculpas... e por isso escrevo. Estive recentemente num aeroporto esperando uma pessoa. Junto a mim, uma jovem mãe com sua filhinha de uns 4 ou 5 anos. De repente, desembarcou um grupo, vindo pela sala da esteira, e a menina correu para o vidro que a separava de onde devia estar seu pai. Ficou atenta, olho arregalado. Então a mãe disse alto e claro apontando para alguém: "Olha ali, o boca-aberta do seu pai!". Meu coração bateu em falso. Que representação da figura paterna aquela moça passava para a criança, talvez sem se dar conta, por ignorante, ou de propósito, por magoada? Doeu-me ainda mais quando vi um rapaz de cara iluminada vir ao encontro delas, pegando nos braços, cheio de ternura, a filhinha que esperneava de alegria.
É duro o papel do homem na família. E não me critiquem – ou me critiquem à vontade – as mães metidas a mártires, que por interesse ou covardia ficam ao lado de um homem a quem desprezam, que querem cooptar os filhos por frustradas e alijar emocionalmente o pai, mostrando-o como mero provedor. Afinal, a gente precisa dele. Sempre me impressionou a solidão dos homens, medida também da solidão de suas mulheres, que têm uma poderosa ponte afetiva para filhos, famílias, amigas ou vizinhas, algo que o marido raramente tem.
Ilustração Atômica Studio
Lembrei-me, naquele dia e muitas vezes, da importância da figura paterna – portanto, masculina – em minha vida. Quando eu era criança, o carro de meu pai entrando pelo portão, seu passo no corredor, o cheiro de sua água-de-colônia, sua máquina de escrever batucando noite adentro na biblioteca do outro lado da parede do meu quarto, tudo isso era mais que metade da minha segurança e felicidade. Seu jeito de falar comigo, nunca como se eu fosse uma criança boba, mas uma pessoa, suas respostas às minhas eternas curiosidades, seu acolhimento, sua paciência, até sua brabeza. Sua preocupação comigo, sua severidade em questões de vida escolar (em que eu era apenas sofrível), seus elogios e seu interesse, tudo me marcou tanto que ainda hoje, tantas décadas depois, me pego pensando: o que será que ele diria disso? O que me aconselharia? Que palavras escolheria para me confortar, animar ou até censurar?
O personagem positivo, amoroso, do pai que cuidava sem podar, atendia sem cobrar, acompanhava sem aprisionar, e me fazia sentir uma princesa mesmo que estivesse atrapalhada, é fundamental para minha relação com o mundo, sobretudo com o masculino. Não conheci o homem arrogante e bruto, egoísta, tirano, infantilóide ou metido a garotão, de que tantas mulheres se queixam, como pai ou companheiro, e por isso lhe agradeço ainda hoje. Conheci o masculino confiável – não perfeito, porque apenas humano, mas presente e bom. Por isso, possivelmente, não cresci desconfiada dos homens, nem agressiva, nem irônica. Não por virtude minha, mas pela beleza e bondade daquela presença primeira.
Nunca, neste mundo tumultuado, perigoso e tão fascinante, o pai foi tão importante. Não importa se é pai separado, pai solteiro, pai sem grana, pai sem graça, pai sem muito jeito, pai que a mãe procura diminuir, ou pai amado e feliz. O amigo, o orientador, que dá apoio, que confia, que indica os caminhos (e nos ama mesmo se não seguimos por eles), é um bem inefável. Todo pai devia se orgulhar e se comover por ter esse papel. Com defeitos e dificuldades, como todo mundo, sendo apenas um pobre ser humano como todos nós, o pai tem de ser glorificado, procurado, amado, aplaudido, pelo menos no dia a ele dedicado. E, se puder ser, de um jeito ou de outro, todos os dias, é o que a gente – mulheres, homens, filhos e filhas – merece e devia tentar.
Sobre o papel do pai
"Nunca, neste mundo tumultuado, perigoso e tão
fascinante, o pai foi tão importante. Não importa
se é pai separado, pai solteiro, pai sem grana, pai
sem graça ou pai que a mãe procura diminuir"
Deixei de lado o artigo em que ia retomar temas por demais recorrentes que me entristecem, como os mortos das duas tragédias aéreas recentes. Tragédias que eram esperadas, como a indignação que desencadearam, porque o caos aéreo vinha sendo denunciado havia tempos. Até nosso presidente, em 2002, ainda candidato, publicou um veemente artigo sobre "a morte anunciada da aviação brasileira", exigindo providências. Mas até dias atrás nada tinha sido feito ainda.
Vou tentar – sou má cumpridora de meus propósitos – focar a atenção nos meus temas queridos, vida e morte, relacionamentos humanos, o mistério de tudo e o sentido de algumas coisas. (Antes, desejo boa sorte ao novo ministro, o que não diz bobagens a cada duas frases, o que tem autoridade, energia e boa vontade, e talvez consiga começar a botar nos trilhos o que anda à deriva por aqui. Porque a gente precisa não só de uma tábua de salvação, mas de uma ilha inteira, um continente.)
Falarei do assunto mais óbvio, nesta véspera de Dia dos Pais: este não precisa ser um tema sentimentalóide ou artificial. Pode ser provocador, mexer com nossos sentimentos, com nossa culpa e desculpas... e por isso escrevo. Estive recentemente num aeroporto esperando uma pessoa. Junto a mim, uma jovem mãe com sua filhinha de uns 4 ou 5 anos. De repente, desembarcou um grupo, vindo pela sala da esteira, e a menina correu para o vidro que a separava de onde devia estar seu pai. Ficou atenta, olho arregalado. Então a mãe disse alto e claro apontando para alguém: "Olha ali, o boca-aberta do seu pai!". Meu coração bateu em falso. Que representação da figura paterna aquela moça passava para a criança, talvez sem se dar conta, por ignorante, ou de propósito, por magoada? Doeu-me ainda mais quando vi um rapaz de cara iluminada vir ao encontro delas, pegando nos braços, cheio de ternura, a filhinha que esperneava de alegria.
É duro o papel do homem na família. E não me critiquem – ou me critiquem à vontade – as mães metidas a mártires, que por interesse ou covardia ficam ao lado de um homem a quem desprezam, que querem cooptar os filhos por frustradas e alijar emocionalmente o pai, mostrando-o como mero provedor. Afinal, a gente precisa dele. Sempre me impressionou a solidão dos homens, medida também da solidão de suas mulheres, que têm uma poderosa ponte afetiva para filhos, famílias, amigas ou vizinhas, algo que o marido raramente tem.
Ilustração Atômica Studio
Lembrei-me, naquele dia e muitas vezes, da importância da figura paterna – portanto, masculina – em minha vida. Quando eu era criança, o carro de meu pai entrando pelo portão, seu passo no corredor, o cheiro de sua água-de-colônia, sua máquina de escrever batucando noite adentro na biblioteca do outro lado da parede do meu quarto, tudo isso era mais que metade da minha segurança e felicidade. Seu jeito de falar comigo, nunca como se eu fosse uma criança boba, mas uma pessoa, suas respostas às minhas eternas curiosidades, seu acolhimento, sua paciência, até sua brabeza. Sua preocupação comigo, sua severidade em questões de vida escolar (em que eu era apenas sofrível), seus elogios e seu interesse, tudo me marcou tanto que ainda hoje, tantas décadas depois, me pego pensando: o que será que ele diria disso? O que me aconselharia? Que palavras escolheria para me confortar, animar ou até censurar?
O personagem positivo, amoroso, do pai que cuidava sem podar, atendia sem cobrar, acompanhava sem aprisionar, e me fazia sentir uma princesa mesmo que estivesse atrapalhada, é fundamental para minha relação com o mundo, sobretudo com o masculino. Não conheci o homem arrogante e bruto, egoísta, tirano, infantilóide ou metido a garotão, de que tantas mulheres se queixam, como pai ou companheiro, e por isso lhe agradeço ainda hoje. Conheci o masculino confiável – não perfeito, porque apenas humano, mas presente e bom. Por isso, possivelmente, não cresci desconfiada dos homens, nem agressiva, nem irônica. Não por virtude minha, mas pela beleza e bondade daquela presença primeira.
Nunca, neste mundo tumultuado, perigoso e tão fascinante, o pai foi tão importante. Não importa se é pai separado, pai solteiro, pai sem grana, pai sem graça, pai sem muito jeito, pai que a mãe procura diminuir, ou pai amado e feliz. O amigo, o orientador, que dá apoio, que confia, que indica os caminhos (e nos ama mesmo se não seguimos por eles), é um bem inefável. Todo pai devia se orgulhar e se comover por ter esse papel. Com defeitos e dificuldades, como todo mundo, sendo apenas um pobre ser humano como todos nós, o pai tem de ser glorificado, procurado, amado, aplaudido, pelo menos no dia a ele dedicado. E, se puder ser, de um jeito ou de outro, todos os dias, é o que a gente – mulheres, homens, filhos e filhas – merece e devia tentar.
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Luiz é EMO
Luiz anda deprimido e logorreico. Só falta a tinta branca.
Vou botar música no seu texto, vai ficar EMO demais...
hehe
Vou botar música no seu texto, vai ficar EMO demais...
hehe
terça-feira, 7 de agosto de 2007
A necessidade de ser parte da História
Preciso me explicar sobre algumas coisas do texto anterior.
Quando falei da "carência" que se tem no mundo político, não estava sendo Emo, não. Estou convicto de que, nos dias atuais, todos nós fomos formados para atuarmos no processo histórico. E isso não é novo. Até a idade média, o plebeu, o burguês, o cléro, o militar, mesmo o nobre, todos eram seres passivos a vontade divbina, ao processo histórico, que nada mais era senão a vontade Divina. Com o racionalismo e o iluminísmo, ou seja, o advento da fase moderna da humanidade ocidental, vem Hobbes, Descartes, Maquiavel, e uma pá de pensadores apontarem o homem como atuante no seu destino. Dizem que foi ai que a História renasceu, e a pré-história é coisa de duas fases: antes do homem e durante a idade média. Até a idade média, não existia papel histórico para o homem.
A idade moderna aponta que o homem é o construtor da história, é seu condutor. Como isso se dá é que se torna o ponto de competição entre esses pensadores. Uns apontam que somente os eleitos por uma natureza nobre podem conduzir a história; outros evoluem essa idéia, e afirmam que existe um conjunto de classes que organiza essa condução, sendo lógicamente definida para uma classe o papel de protagonista desse processo(a nobreza, a elite, o clero, whatever...), existindo ainda assim uma parcela de atores coadjuvantes e subordinados (o povo, o proletariado, a massa, os parias,...), e não raro existem os que migram (ativamente ou não) entre esses espaços, essas fatias (os pensadores, o militar, vê lá quem mais...). Aos do andar de cima , aos protagonistas, está reservado o papel de conduzir a História, e entre os membros desse primeiro andar é permitido e é legtimo o conflito, a disputa pelo volante e pelas velas da História. Aos de baixo resta o enjôo no tumbeiro, sofrer os saculejos e os impactos provocados pelos condutores. De Erasmo de Rotterdan e Maquiavel até Tommas Hobbes existe um ponto pacífico: o condutor da história está na elite, no segmento privilegiado de uma sociedade, e geralmente acredita-se que esse condutor não é sequer uma classe ou um grupo. Pode ser um homem. Discute-se apenas como configurar ou identificar o sujeito, ou como qualifica-lo, prepará-lo. Em resumo, quem tem papel histórico é a elite.
Mas desde o séc. XV tem gente querendo zonear, como Thomas More, Campanella, Babeuf e outros que começam a sugerir uma sociedade mais igualitária, isto é , a possibilidade de se compartilhar o leme da História como o pessoal da fossa. Ai, abriram o reverso. O mundo moderno é invadido por uma idéia abusrda. A idéia de que os verdadeiros condutores da História, por direito, é o pessoal do andar de baixo, e se esse se organizar, poderá tomar o leme, e desviar o navio da história para Atlântida. Ai vem essa galera do socialismo utópico (Saint-simon, Forieur e tal) que começa a falar do poder das massas, do povo, fala de diferentes estados ou classes sociais, e defende que a disputa pela condução do leme da história tem um novo candidato: o povo. O materialismo de Marx levou essa questão ao máximo, dizendo que existe uma luta histórica de classes, e que o leme deve ser conduzido no final das contas pelo Proletariado. Esses teóricos são testemuinhas ou os primeiros educados pelos frutos da independência americana e a revolução francesa. Para eles, assume-se a idéia de que o povo é que faz a história, não apenas como uma possibilidade, mas como uma missão, um dever, quase um destino. Coisa meio romântica, quase mística. Não que as outras faes não tivessem o teor romântico e místico. E na verdade, as fases anteriores até hoje contaminam pensamentos modernos. Procuramos o divíno e o herói nos estadístas, nos lideres, nos governantes. Procuramos os esclhido. Se ele sai da elite (como Collor) ou do povo (como Lula), a idéia é a mesma. E isso não é só no Brasil, e nem somente no terceiro mundo.
O foco da idéia aqui é mostrar que a partir do séc. XIX surge o espirito (no sentido hegeliano mesmo) de se defender um Estado que garanta igualdade, liberdade e justiça. Direito para todos, e oportunidade para todos. A Inlgaterra saiu na frente na revolução Cromwell (ainda séc. XVII), mas os EUA deram um salto gigantesco no séc XVIII, França vacilou, e até Alemanha chegou no séc. XX preprada para responder essa expectativa: uma nação de oportunidades. Cada um deu seu jeito, seja eliminando a monarquia, enforcando o rei, criando um parlamento, inaugurando uma republica, separando os poderes, sei lá. O chato é que a periferia tentou fazer o mesmo, achando que o processo precederia a estrutura. O Brasil, por exemplo, saiu de colônia para império, inaugurou a república, e até acabou com a escravidão, mas não mudou nada na natureza de sua sociedade.
Descontando essas disparidades, toda nação passou a reproduzir uma cultura moderna, onde se vende o discurso muito bonito do homem como condutor da história, e esse homem pode ser qualquer um que arque o preço desse empreendimento. O mercado permite isso. A política eleitoral permite isso, a democracia, a cultura, a educação, o sanitarísmo permite isso. Benvindos ao auge da era moderna, ao nacionalismo, ao urbanismo. todo homem tem o direito de fazer parte da construção da história.
Todos no século XX passaram a receber uma educação, que romanticamente ou como projeto de sociedade, passaria a reproduzir a idéia de que todo indivíduo pode ser um reformulador da História, qualquer filho de campones pode ser premier; qualquer filho de policial pode se trnar chanceler, é um mundo onde o uindividuo constrói a História. E venham os Hitlers, os Kruchevs, os quaisquer. A única divisão se dá pelo liberalísmo ou pelo intervencionísmo, também disfarçados de capitalismo, socialismo, comunismo, capitalísmo de estado (URSS, Alemanha Nazista?), anarquismo, sei lá. Busca-se a definição de um modelo econômico, um sistema político e de um modelo de estado e um ideal de sociedade. Mas a tônica comum é: o homem, como indivíduo que exerce a cidadania ou briga por ela, é protagonista da história.
Com a possibilidade vem a carência. Somos criados desde o século XX para acreditar que a plenitude de nossa vida somente se dará quando fizermos parte de um momento importante para a História da Humanidade.
Afinal, são tantos exemplos: a luta pelos direitos civís nos EUA; o movimento hyppie; 1968 em Paris; as lutas pela independência na India, na China, nas diversas colônias africanas; Vietnãn e Afeganistão, o Heszboalah, a OLP, etc, etc, etc... São todos eventos traduzidos, de uma forma ou de outra, como eventos onde individuos se organizaram para mudar o mundo. Quem nasceu nos anos 70 como eu ,ainda viu na sua adolescência a queda do muro de Berlin e outros chiliques da história, onde o povo, o coletivo tomou as rédeas da História.
Surge na cabeça de qualquer um nesse período pós grande guerra, a idéia de que o homem relevante é atuante nesses fenõmenos, não pode ser mero espectador. Somos desde pequenos convocados para tomar partido, jurar amores e fidelidades profundas. Independente do lado que você está, é determinado que nesse lado você faça diferença. Hoje não existe um sujeito no mundo que seja urbano, civilizado ou economicamente relevante, que não tenha um enquadramento político, não tenha uma "missão". Não basta escrever um livro, pois esse livro tem de ter o impacto de Gramsci; não basta ter um filho, pois seu filho tem de ser um George W. Bush; e não basta plantar uma arvore, mas desfilar feito o Sting, com um Paiacó do lado, ou jogar um rebocador para abalroar um petroleiro.
Se temos essa necessidade de ser agente ativo da História, no Brasil, onde a coisa ainda é pré-absolutista, o anseio pelo engajamento plítico vive sempre de extremos: da máxima negação ao máximo envolvimento. O exercício de cidadania, no aspecto político principalmente, é bissexto e superficial, e por isso, quando existe algum processo mais cativante, fica difícil resistir. Voc~e qeu sabe que seus pais enfrentaram tanques na Central do Brasil; você que teve seu avô enviado para a Italia na FEB; e você não tem nada disso, mas foi criado para achar muito bonito ser revolucionário, ser hyppie, ser militnte, ser revoltado, ser contextador; todos nós, temos vontade de um dia poder dizer que fizemos algo de importante, que tomamos parte de um momento triunfal ou um marco fundamental para um novo mundo. Não pude desfilar com M.L. King em Alabama; não desembarquei na praia de Omaha, em Dunquerke no dia D; não pude fazer o quinto gol do Brasil na final da copa do México; não sai na capa do Times com Yoko; não estava em Dallas quando Kennedy foi baleado e nem estava no seu gabinete na crise dos misseis; e não, gente! não estava em Berlim para tirar lascas do Muro.
Cresci achando que minha geração não faria nada de relevante. Muito menos um periférico como eu.
Por isso, na primeira oportunidade que encontrei, entrei de cabeça. Votei em 2002 como havia votado em 98 e em 94 e 89: Lula como primeira ou segunda opção. Em 2002, a convicção que fez paulistas elegerem Erundinas, nordestinos elegerem Collor e e o Brasil eleger o Lula tem uma origem: todos exploraram nossa necessidade de mudar o rumo , fazer algo maior, algo transformador. Algo histórico.
É esse o papel do político: explorar, manipular essa necessidade de fazer algo histórico.
Não estou com isso querendo explicar ou justificar o erro. Isso fica pra outra postagem.
Quando falei da "carência" que se tem no mundo político, não estava sendo Emo, não. Estou convicto de que, nos dias atuais, todos nós fomos formados para atuarmos no processo histórico. E isso não é novo. Até a idade média, o plebeu, o burguês, o cléro, o militar, mesmo o nobre, todos eram seres passivos a vontade divbina, ao processo histórico, que nada mais era senão a vontade Divina. Com o racionalismo e o iluminísmo, ou seja, o advento da fase moderna da humanidade ocidental, vem Hobbes, Descartes, Maquiavel, e uma pá de pensadores apontarem o homem como atuante no seu destino. Dizem que foi ai que a História renasceu, e a pré-história é coisa de duas fases: antes do homem e durante a idade média. Até a idade média, não existia papel histórico para o homem.
A idade moderna aponta que o homem é o construtor da história, é seu condutor. Como isso se dá é que se torna o ponto de competição entre esses pensadores. Uns apontam que somente os eleitos por uma natureza nobre podem conduzir a história; outros evoluem essa idéia, e afirmam que existe um conjunto de classes que organiza essa condução, sendo lógicamente definida para uma classe o papel de protagonista desse processo(a nobreza, a elite, o clero, whatever...), existindo ainda assim uma parcela de atores coadjuvantes e subordinados (o povo, o proletariado, a massa, os parias,...), e não raro existem os que migram (ativamente ou não) entre esses espaços, essas fatias (os pensadores, o militar, vê lá quem mais...). Aos do andar de cima , aos protagonistas, está reservado o papel de conduzir a História, e entre os membros desse primeiro andar é permitido e é legtimo o conflito, a disputa pelo volante e pelas velas da História. Aos de baixo resta o enjôo no tumbeiro, sofrer os saculejos e os impactos provocados pelos condutores. De Erasmo de Rotterdan e Maquiavel até Tommas Hobbes existe um ponto pacífico: o condutor da história está na elite, no segmento privilegiado de uma sociedade, e geralmente acredita-se que esse condutor não é sequer uma classe ou um grupo. Pode ser um homem. Discute-se apenas como configurar ou identificar o sujeito, ou como qualifica-lo, prepará-lo. Em resumo, quem tem papel histórico é a elite.
Mas desde o séc. XV tem gente querendo zonear, como Thomas More, Campanella, Babeuf e outros que começam a sugerir uma sociedade mais igualitária, isto é , a possibilidade de se compartilhar o leme da História como o pessoal da fossa. Ai, abriram o reverso. O mundo moderno é invadido por uma idéia abusrda. A idéia de que os verdadeiros condutores da História, por direito, é o pessoal do andar de baixo, e se esse se organizar, poderá tomar o leme, e desviar o navio da história para Atlântida. Ai vem essa galera do socialismo utópico (Saint-simon, Forieur e tal) que começa a falar do poder das massas, do povo, fala de diferentes estados ou classes sociais, e defende que a disputa pela condução do leme da história tem um novo candidato: o povo. O materialismo de Marx levou essa questão ao máximo, dizendo que existe uma luta histórica de classes, e que o leme deve ser conduzido no final das contas pelo Proletariado. Esses teóricos são testemuinhas ou os primeiros educados pelos frutos da independência americana e a revolução francesa. Para eles, assume-se a idéia de que o povo é que faz a história, não apenas como uma possibilidade, mas como uma missão, um dever, quase um destino. Coisa meio romântica, quase mística. Não que as outras faes não tivessem o teor romântico e místico. E na verdade, as fases anteriores até hoje contaminam pensamentos modernos. Procuramos o divíno e o herói nos estadístas, nos lideres, nos governantes. Procuramos os esclhido. Se ele sai da elite (como Collor) ou do povo (como Lula), a idéia é a mesma. E isso não é só no Brasil, e nem somente no terceiro mundo.
O foco da idéia aqui é mostrar que a partir do séc. XIX surge o espirito (no sentido hegeliano mesmo) de se defender um Estado que garanta igualdade, liberdade e justiça. Direito para todos, e oportunidade para todos. A Inlgaterra saiu na frente na revolução Cromwell (ainda séc. XVII), mas os EUA deram um salto gigantesco no séc XVIII, França vacilou, e até Alemanha chegou no séc. XX preprada para responder essa expectativa: uma nação de oportunidades. Cada um deu seu jeito, seja eliminando a monarquia, enforcando o rei, criando um parlamento, inaugurando uma republica, separando os poderes, sei lá. O chato é que a periferia tentou fazer o mesmo, achando que o processo precederia a estrutura. O Brasil, por exemplo, saiu de colônia para império, inaugurou a república, e até acabou com a escravidão, mas não mudou nada na natureza de sua sociedade.
Descontando essas disparidades, toda nação passou a reproduzir uma cultura moderna, onde se vende o discurso muito bonito do homem como condutor da história, e esse homem pode ser qualquer um que arque o preço desse empreendimento. O mercado permite isso. A política eleitoral permite isso, a democracia, a cultura, a educação, o sanitarísmo permite isso. Benvindos ao auge da era moderna, ao nacionalismo, ao urbanismo. todo homem tem o direito de fazer parte da construção da história.
Todos no século XX passaram a receber uma educação, que romanticamente ou como projeto de sociedade, passaria a reproduzir a idéia de que todo indivíduo pode ser um reformulador da História, qualquer filho de campones pode ser premier; qualquer filho de policial pode se trnar chanceler, é um mundo onde o uindividuo constrói a História. E venham os Hitlers, os Kruchevs, os quaisquer. A única divisão se dá pelo liberalísmo ou pelo intervencionísmo, também disfarçados de capitalismo, socialismo, comunismo, capitalísmo de estado (URSS, Alemanha Nazista?), anarquismo, sei lá. Busca-se a definição de um modelo econômico, um sistema político e de um modelo de estado e um ideal de sociedade. Mas a tônica comum é: o homem, como indivíduo que exerce a cidadania ou briga por ela, é protagonista da história.
Com a possibilidade vem a carência. Somos criados desde o século XX para acreditar que a plenitude de nossa vida somente se dará quando fizermos parte de um momento importante para a História da Humanidade.
Afinal, são tantos exemplos: a luta pelos direitos civís nos EUA; o movimento hyppie; 1968 em Paris; as lutas pela independência na India, na China, nas diversas colônias africanas; Vietnãn e Afeganistão, o Heszboalah, a OLP, etc, etc, etc... São todos eventos traduzidos, de uma forma ou de outra, como eventos onde individuos se organizaram para mudar o mundo. Quem nasceu nos anos 70 como eu ,ainda viu na sua adolescência a queda do muro de Berlin e outros chiliques da história, onde o povo, o coletivo tomou as rédeas da História.
Surge na cabeça de qualquer um nesse período pós grande guerra, a idéia de que o homem relevante é atuante nesses fenõmenos, não pode ser mero espectador. Somos desde pequenos convocados para tomar partido, jurar amores e fidelidades profundas. Independente do lado que você está, é determinado que nesse lado você faça diferença. Hoje não existe um sujeito no mundo que seja urbano, civilizado ou economicamente relevante, que não tenha um enquadramento político, não tenha uma "missão". Não basta escrever um livro, pois esse livro tem de ter o impacto de Gramsci; não basta ter um filho, pois seu filho tem de ser um George W. Bush; e não basta plantar uma arvore, mas desfilar feito o Sting, com um Paiacó do lado, ou jogar um rebocador para abalroar um petroleiro.
Se temos essa necessidade de ser agente ativo da História, no Brasil, onde a coisa ainda é pré-absolutista, o anseio pelo engajamento plítico vive sempre de extremos: da máxima negação ao máximo envolvimento. O exercício de cidadania, no aspecto político principalmente, é bissexto e superficial, e por isso, quando existe algum processo mais cativante, fica difícil resistir. Voc~e qeu sabe que seus pais enfrentaram tanques na Central do Brasil; você que teve seu avô enviado para a Italia na FEB; e você não tem nada disso, mas foi criado para achar muito bonito ser revolucionário, ser hyppie, ser militnte, ser revoltado, ser contextador; todos nós, temos vontade de um dia poder dizer que fizemos algo de importante, que tomamos parte de um momento triunfal ou um marco fundamental para um novo mundo. Não pude desfilar com M.L. King em Alabama; não desembarquei na praia de Omaha, em Dunquerke no dia D; não pude fazer o quinto gol do Brasil na final da copa do México; não sai na capa do Times com Yoko; não estava em Dallas quando Kennedy foi baleado e nem estava no seu gabinete na crise dos misseis; e não, gente! não estava em Berlim para tirar lascas do Muro.
Cresci achando que minha geração não faria nada de relevante. Muito menos um periférico como eu.
Por isso, na primeira oportunidade que encontrei, entrei de cabeça. Votei em 2002 como havia votado em 98 e em 94 e 89: Lula como primeira ou segunda opção. Em 2002, a convicção que fez paulistas elegerem Erundinas, nordestinos elegerem Collor e e o Brasil eleger o Lula tem uma origem: todos exploraram nossa necessidade de mudar o rumo , fazer algo maior, algo transformador. Algo histórico.
É esse o papel do político: explorar, manipular essa necessidade de fazer algo histórico.
Não estou com isso querendo explicar ou justificar o erro. Isso fica pra outra postagem.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Perdi essa...
Tô lendo o Reizinho e o relatório do dia do protesto contra Lula. E vou confessar que fiquei de fora na pior hora possível. Sim. Fui convocado, até mais de uma vez , via orkut, para o evento. Mas meu PC tá off-service.
Sou da geração Diretas Já e Fora Collor (tô sempre me credenciando pela minha idade, como se tivesse tido uma vida intensa e engajada...), e sempre lamentei não ter me enfiado em algo mais profundo durante minha vida estudantil, que não fosse certa qualidade de moças estudantes. Sou muito carente nesse sentido... nunca botei fogo em carro em Paris, poxa! Não fui perseguido por PE nos corredores da faculdade! Nem fiz nada de pseudo-revolucionário, apesar de ter sido criado pra achar isso muito edificante e nobre.
E olha que o esforço dos professores e funcionários das instituições públicas de ensino em arregimentar seus alunos não é péqueno e nem discreto. Não foram duas nem três vezes que professores e diretores interroperam aulas bem no meio para convocar alunos para passeata e protesto. Isso no segundo grau. Na faculdade as coisas eram ainda mais bizzaras, coisa de profisisonal. Primeiro pela expectativa dos mestres e alunos pertencentes a militância universitária profissional de que eu - pobre, preto e oriundo de rede púbica - já tivesse o maior know-how em agitação política. Segundo que a cooptação era bem estruturada, bem sofisticada, e não havia nenhum pudor de se pensar aquilo como, no mínimo, imoral e desonesto. O período "Fora Collor" deixou bem nítido como a coisa era fabril. Só escapavam da "mobilização" os alunos que já estavam muito avançados na sua formação e pouco comprometidos com os meandros políticos institucionais. Isto é: não eram da boquinha. Não tinham bolsa-militante (geralmente disfarçadas de PIBC), não eram de CAs ou DCEs, não estavam em mnenhuma sub-reitoria. Estavam apenas estudando. Eu me engraçei nos primeiros períodos, pensando em ressucitar um CA, mas não levo jeito pra ser militante profissional. Fui criado pra ser honesto e decente... Com isso abortei a possibilidade de eliminar a carência pós-moderna de fazer parte da história.
O resultado dessa carência artificial: no processo eleitoral do Lula 2002 eu aderi descaradamente. Botei broche, comprei adesivo pros outros . E não tava sozinho nessa não! Muita gente boa, e hoje coerentemente arrependida, entrou na dança. Pois aprendemos que temos de promover a mudança, a revolução. De forma democrática, é claro, pelo voto. Foi lindo votar com convicção e festa. Também foi bom perder a inocência e a ingenuidade. Pra mim, morreu o PT e o Lula. Não quero saber desse politiburo, e desse proto-chaves.
A carência em participar de algo nobre e mobilizador voltou com esse movimento "Cansei" (chamarei de TOPUTO, que cansei é meio EMO...).
Meu Deus! um movimento que não é tutelado por nenhum partido e nem regulado por nenhum cardeal político (não tem Betinho, não tem Boff, não tem ONG, sindicato, nenhuma porra dessas...) é lindo! Não tá envolvido com a industria dos protestos e passeatas, que tem e produz estoques imensos de cartazes, roteiros, frotas de carros de som em segundos em qualquer parte do Brasil. Não tem servidor público ou estudante sendo liberado cedo para protestar. Não é algo profissional, como o PT, o PSOL e o PCO fazem (e o DEM, o PMDB e outros contratam para fazer).
Agora vamos estipular os cenários futuros:
Cenário Negativo (mais provável) - O movimento se esvazia e se constrange com o patrulhamento da mídia esquerdista e dos esquerdistas que são "classe média envergonhada de sê-lo".
Cenário Moderado - O movimento é absorvido por algum veio político- partidário. Começa a ter camisa, broche, megaestrutura de showmício e o escambau!...Bem... ainda assim faz com que a praga do Bornhausen vingue: Lula e PT, nunca mais...
Cenário Positivo (viagem, né!) - O movimento se mantém "autêntico", consegue mobilizar as massas, Lula é impedido, não se sustenta o vice, nem Calheiros, nem ninguém que ai está; eleições são convocadas (o dollar chega a 4 reais) e Christovam Buarque é eleito.
Só sei de uma coisa: eu tenho a maior vergonha de um dia ter de dizer pro meu filho que votei no Lula em 2002, e perdi a chance de compensar e poder dizer: "Ah!! mais eu era um dos duzentos de Sparta que desfilou contra o Lula em 2007!...".
Que venham outros protestos. Uma segunda chance, por favor.
Sei que o "estabiliximente" vai acabar com essa festa. E não é por pouca coisa que o governo e seus comparsas se esforçasm tanto para atacar a classe média. Se as pessoas perderem a vergonha de assim se apresentarem, vão começar a se identificar como os fianciadores primários dessa orgia que é o governo Lula. claro! Afinal quem é que contribui financeiramente, através de tirbutos violentos, para esse Estado corrupto sequestrado pelo PT e outros vampiros? É a classe média que sustenta isso tudo. Se ela começar a pensar: "Perai! Por que eu tenho de pagar esse Iptu se não uso esses serviços municipais? Quero pagar menos, ou não pago porra nenhuma!!!". Ou então: "não uso o SUS, não ganho bolsa família, não tenho nenhum benefício com serviços ou programas federais. vou iniciar um movimento contra o imposto de renda. Vamos deixar de fazer declaração!". Se as mesmas pessoas que vaiaram o Lula no Maracanã passassem a não ter vegonha de pensar assim, os urutus já estariam circulando e a porrada comendo.
Mas temos uma classe média metida a Guevara. Recentemente quase fui açoitado por afirmar que o IPTU deveria ter isneção por não-uso de serviços. coisa óbvia: meu filho não frequenta escola municipal, portanto a parcela do meu IPTU referente a cobertura com gastos em educação deveria ser descontado. Eu pagari menos pois não uso. "Onde está a soidariedade?", me perguntaram. Eu respondi na lata: na igreja, em uma doação, ou em lugar nenhum, pois não sou obrigado a ser soidário, e nem deveria ser ogbrigado a sustentar a educação dos outros. Imagino e calculo as implicações de tantos que não usam a rede públicva de ensino não contribuirem com a mesma. Simplesmente ficaria tudo como tá! Não ocorreria nenhum caos não! Pois muito doque se arrecada em nome da educação vi pra outros fins mesmo. É ruim com ou sem dinheiro. Mas é evidentemente pior quando se é ruim com dinheiro, ainda mais o meu. Prefiro comprar um Max Steel pro meu garoto, doque inverstir em um sistema sucatado, pelêgo e corrupto. E isso vale pra Saúde também, pros que me conhecem. Cês não imaginam a revolta das moças que estavam em volta, querendo dar na minha cara. Que heresia cometi...
Sou da geração Diretas Já e Fora Collor (tô sempre me credenciando pela minha idade, como se tivesse tido uma vida intensa e engajada...), e sempre lamentei não ter me enfiado em algo mais profundo durante minha vida estudantil, que não fosse certa qualidade de moças estudantes. Sou muito carente nesse sentido... nunca botei fogo em carro em Paris, poxa! Não fui perseguido por PE nos corredores da faculdade! Nem fiz nada de pseudo-revolucionário, apesar de ter sido criado pra achar isso muito edificante e nobre.
E olha que o esforço dos professores e funcionários das instituições públicas de ensino em arregimentar seus alunos não é péqueno e nem discreto. Não foram duas nem três vezes que professores e diretores interroperam aulas bem no meio para convocar alunos para passeata e protesto. Isso no segundo grau. Na faculdade as coisas eram ainda mais bizzaras, coisa de profisisonal. Primeiro pela expectativa dos mestres e alunos pertencentes a militância universitária profissional de que eu - pobre, preto e oriundo de rede púbica - já tivesse o maior know-how em agitação política. Segundo que a cooptação era bem estruturada, bem sofisticada, e não havia nenhum pudor de se pensar aquilo como, no mínimo, imoral e desonesto. O período "Fora Collor" deixou bem nítido como a coisa era fabril. Só escapavam da "mobilização" os alunos que já estavam muito avançados na sua formação e pouco comprometidos com os meandros políticos institucionais. Isto é: não eram da boquinha. Não tinham bolsa-militante (geralmente disfarçadas de PIBC), não eram de CAs ou DCEs, não estavam em mnenhuma sub-reitoria. Estavam apenas estudando. Eu me engraçei nos primeiros períodos, pensando em ressucitar um CA, mas não levo jeito pra ser militante profissional. Fui criado pra ser honesto e decente... Com isso abortei a possibilidade de eliminar a carência pós-moderna de fazer parte da história.
O resultado dessa carência artificial: no processo eleitoral do Lula 2002 eu aderi descaradamente. Botei broche, comprei adesivo pros outros . E não tava sozinho nessa não! Muita gente boa, e hoje coerentemente arrependida, entrou na dança. Pois aprendemos que temos de promover a mudança, a revolução. De forma democrática, é claro, pelo voto. Foi lindo votar com convicção e festa. Também foi bom perder a inocência e a ingenuidade. Pra mim, morreu o PT e o Lula. Não quero saber desse politiburo, e desse proto-chaves.
A carência em participar de algo nobre e mobilizador voltou com esse movimento "Cansei" (chamarei de TOPUTO, que cansei é meio EMO...).
Meu Deus! um movimento que não é tutelado por nenhum partido e nem regulado por nenhum cardeal político (não tem Betinho, não tem Boff, não tem ONG, sindicato, nenhuma porra dessas...) é lindo! Não tá envolvido com a industria dos protestos e passeatas, que tem e produz estoques imensos de cartazes, roteiros, frotas de carros de som em segundos em qualquer parte do Brasil. Não tem servidor público ou estudante sendo liberado cedo para protestar. Não é algo profissional, como o PT, o PSOL e o PCO fazem (e o DEM, o PMDB e outros contratam para fazer).
Agora vamos estipular os cenários futuros:
Cenário Negativo (mais provável) - O movimento se esvazia e se constrange com o patrulhamento da mídia esquerdista e dos esquerdistas que são "classe média envergonhada de sê-lo".
Cenário Moderado - O movimento é absorvido por algum veio político- partidário. Começa a ter camisa, broche, megaestrutura de showmício e o escambau!...Bem... ainda assim faz com que a praga do Bornhausen vingue: Lula e PT, nunca mais...
Cenário Positivo (viagem, né!) - O movimento se mantém "autêntico", consegue mobilizar as massas, Lula é impedido, não se sustenta o vice, nem Calheiros, nem ninguém que ai está; eleições são convocadas (o dollar chega a 4 reais) e Christovam Buarque é eleito.
Só sei de uma coisa: eu tenho a maior vergonha de um dia ter de dizer pro meu filho que votei no Lula em 2002, e perdi a chance de compensar e poder dizer: "Ah!! mais eu era um dos duzentos de Sparta que desfilou contra o Lula em 2007!...".
Que venham outros protestos. Uma segunda chance, por favor.
Sei que o "estabiliximente" vai acabar com essa festa. E não é por pouca coisa que o governo e seus comparsas se esforçasm tanto para atacar a classe média. Se as pessoas perderem a vergonha de assim se apresentarem, vão começar a se identificar como os fianciadores primários dessa orgia que é o governo Lula. claro! Afinal quem é que contribui financeiramente, através de tirbutos violentos, para esse Estado corrupto sequestrado pelo PT e outros vampiros? É a classe média que sustenta isso tudo. Se ela começar a pensar: "Perai! Por que eu tenho de pagar esse Iptu se não uso esses serviços municipais? Quero pagar menos, ou não pago porra nenhuma!!!". Ou então: "não uso o SUS, não ganho bolsa família, não tenho nenhum benefício com serviços ou programas federais. vou iniciar um movimento contra o imposto de renda. Vamos deixar de fazer declaração!". Se as mesmas pessoas que vaiaram o Lula no Maracanã passassem a não ter vegonha de pensar assim, os urutus já estariam circulando e a porrada comendo.
Mas temos uma classe média metida a Guevara. Recentemente quase fui açoitado por afirmar que o IPTU deveria ter isneção por não-uso de serviços. coisa óbvia: meu filho não frequenta escola municipal, portanto a parcela do meu IPTU referente a cobertura com gastos em educação deveria ser descontado. Eu pagari menos pois não uso. "Onde está a soidariedade?", me perguntaram. Eu respondi na lata: na igreja, em uma doação, ou em lugar nenhum, pois não sou obrigado a ser soidário, e nem deveria ser ogbrigado a sustentar a educação dos outros. Imagino e calculo as implicações de tantos que não usam a rede públicva de ensino não contribuirem com a mesma. Simplesmente ficaria tudo como tá! Não ocorreria nenhum caos não! Pois muito doque se arrecada em nome da educação vi pra outros fins mesmo. É ruim com ou sem dinheiro. Mas é evidentemente pior quando se é ruim com dinheiro, ainda mais o meu. Prefiro comprar um Max Steel pro meu garoto, doque inverstir em um sistema sucatado, pelêgo e corrupto. E isso vale pra Saúde também, pros que me conhecem. Cês não imaginam a revolta das moças que estavam em volta, querendo dar na minha cara. Que heresia cometi...
Emo... Roidas!
Primeiro vou encher o saco docês com um papo chato pelos próximos cinco parágrafos, mas cês podem pular direto pro sexto, se interessa saber o porquê desse texto.
O mundo da cultura e contra-cultura perdeu seu sentido por falta de referências, já que vivemos na éra pós-moderna, onde a perda de limites se dá inclusive no abandono de coerências cronológicas ou teóricas. Qualquer um pode afirmar ter sido o criador ou o precurssor de qualquer coisa, pois alega-se uma integração tão intesa de culturas e manias nesse mundo novo, que não se pode garantir purezas culturais. É mais ou menos como alegar que o Rock ´n Roll não tem nação pois é tão mesclado (inclusive étnicamente), que hoje pode-se afirmar que existe um Rock Japon~es "legitmo", um rock espanhol "de raiz", e um rock brasileiro "puro". Isso, é clro, é pura irreasponsabilidade e falta de seriedade (quando não é ignorância e incompetência mesmo)dos formuladores dessas alegações. Não reconhecer a descarada colonização na música, por exemplo, é um erro duplo.
Primeiro pela ridicula negação hipócrita, é passar um atestado de puisilanimidade. Não há rock nacional que não possa ser flagrado em perfeito decalque de qualquer banda ou movimento estrangeiro. Tente disfarçar o reagge e o ska estilo UB40 dos Paralamas do Sucesso? Desafio alguém negar que tudo que o Legião Urbana queria se tornar era uma mistura de The Smiths com The Cure. Mesmo o rei RC nada mais é que um projeto tupiniquim de Elvis. Não são ruins, se deram bem e até produziram algo legal. Mas todos se espelharam em produtos estrangeiros. Isso não dá pra negar.
O segundo erro é: no que se alega uma nacionalidade nesses produtos, cria-se uma perpectiva de exotísmo para oque se faz lá fora. O original que é produzido offshore não é reconhecido por sua excelência e originalidade. Em pouco tempo é possível encontrar gente ouvindo The Clash e achando que eles estão deturpando o rock original do Camisa de Vênus. A ignorânci se reproduz ela negação da essência. Tem gente que gosta de Nirvana e desconhece David Bowe. Gosta de Sepultura e cospe em Judas Priest. Eu, heim...
É claro que existem inovações e originalidades mil, tipo Chico Science e Nação Zumbi. Mas ai, vamos e venhamos, não é Rock! Los Hermanos é balada, samba-canção, um monte de coisas, e só assume o rótulo de rock por um aspecto comercial. Só pode ser! E aqueles caras do SAMBA POCONÉ que são apontados como rock.... os Skanks?!?!? É rock? Vamos parar com isso. Mesmo uma componente da santissima trindade do Rock Nacional, Rita Lee, reconhece que boa parte de seu repertório é feito de marchinhas e frevos (músicas carnavalescas, de modo geral)disfarçados de rock. Num é roque!!
Mas tudo bem... do delta do rio Mississipi, de onde saiu o lamento negro dedilhado na guitarra, até se tornar um bem universal de diversas gerações, o Rock and Roll adquiriu como virtude justamente a sua capacidade de ser extrememente camaleônico e vulgar, a ponto de combinar com qualquer coisa, qualquer cultura, qualquer etnia, qualquer nação. Já tentaram restringi-lo, limitando o rock a um segmento jovem ( hoje os enciclopédicos Rolling Stones ainda estão rolando), apontando-o como pseudo-arte ou algo tecnicamente pobre (bote uma orquestra sinfônica de Praga para executar "hell patroll", pra tu ver oque é complexidade harmônica. É coisa operística, é Rachmaninoff na veia, véio!). Deram os anos 80 como prazo de validade para o Rock, com o advento da música eletrônica (quem comeu quem? num sei, mas o rock está ai...).
Já disseram até que o rock mata, mas pergunta ao Sinhô se o samba não mata, e aproveita a viagem ao purgatório e pergunta a Charles Parker se o Jazz não mata, e também cutuca o Mozart pra saber se modernizar o barroco italiano e criar finalmente uma música moderna alemã não mata. Arte e abuso da vida às vezes anda junto, pô! Nem digo que uma coisa determina, viabiliza, prejudica ou benenficia outra. Só afirmo a indefectível intimidade entre qualquer manifestação artística e a transgressão de limites (isso mesmo, o rock não é trangressor por natureza, ou não é o único e nem o primeiro...).
É aqui mesmo! É nesse parágrafo que venho dizer o motivo de escrever hoje. É que outro dia assisti um baguhlo horroroso sobre essa moda Emo. Horroroso, não. foi interessante. Horroroso é o tema.
Sou um senhor de 30 e tantos anos, e tento me manter atualizado na música e dos movimentos culturais, mas sem a profundidade de antigamente, quando não tinha conta pra pagar. E no mundo do Rock e da "contracultura" já vi muita escrotice ser nacionalizada no Brasil, como o movimento SkinHead (os carecas), esses neonazistas. Eles tem seu rock, sua música, sua mitologia e discografia. E esses caras não tem noção de que a pregação deles muito provavelmente os mandaria para um Auschwitz, sem escala? Não que eu me inportasse com a ida deles, mas esse contexto infelizmente pressuporia a minha ida também, e provavelmente no primeiro lote. A incoerência de se apresentar neonazista com traços negróides e/ou mongolóides estampados na fuça não acontece só no Brasil, mas não justifica e nem ameniza a babaquice. Tem coisa mais escrota que um pardo, um beiçudo dá uma de hitlerista?!?!?
Bom, esse Emo não é tão escroto. É quase... Essa moda Emo (Emotional Hadcore, SIC), pra começar, não tem nada de original: é o gótico, o pós-punk, o dark. Sabe aquela babaquice de andar com maquiagem, brilho, vestido de sobretudo num calor da porra, todo de preto, pra se parecer um londrino underground?! É essa mesma merda. Tudo isso eu vi na reportagem da MTV, um trabalho bem legal do Marcos Mion e company, inclusive por expor opiniões de Kid Vinil e Dado Villa Lobos (esse último apontado como "pré EMO" por conta do legião urbana).Alega-se que os EMO se diferenciam por escancararem músicas com som pesado, mas letras e mensagens assumidamente pré-adolescentes e melosas, beirando oque é referido no brasil como bréga. Bem Bruno e Marrone, bem Calypso mesmo... Não tem nem a poesia gótica, romântica, fantasmagórica, erótica, paudurescente e mística de Edgar alan Poe, Rimbaud, Oscar Wilde e Baudelaire. Nem a inspiração ideológica existencialista e pós-existencialista presente até em um movimento proletário e detergente como o Punk.
Segundo a reportagem, pra ser EMO é preciso ser deprimido também, revoltado com pai, mãe, escola, car~encias, chifres, um teenager bem boçal, sem suma. E pelo jeito a única coisa que eles acham que seja viadagem é ter qualquer poesia nas letras. Elas tem de ser explicitas e pobres em termos de prosódia, versdos, prosopopéia e metaforas. Nada de criatividade. Desconfio que na verdade isso não seja uma exigência, e sim sinal da pobreza, da dificuldade desses caras que se mantém adolescentes feito o Chorão do Charlie Brown Junior (com 43 anos!!!) de construir um argumento mais rebuscado mesmo. Se você der uma de João Gilberto perto deles ("olha como o vento despenteia as arvores..."), com certeza eles repreenderiam a frase do coitado.
Não me espantei com a lista dos meliantes: Lin Kim Park, Evanescense, e tal. Até ai , tudo bem! Eu até curto. E não preciso sair por ai fantasiado a la Marilyn Maison (Ahã, também é Emo...) pra curti esse som. É palatável. Deixa a garotada curtir esse hamburguer ai. O problema é quando quem gosta de Harry Potter vai pro alistamento militar vestido de Grifinória...
Cês não imaginam a pancada de calcinhas e cuécas vestidos de Maryln Maison e Amy Lee. Há toda uma afetação para se mostrar uma postura down ridícula. Tem um vocalista de uma banda Emo não assumida, que disse a seguinte pérola: "eu não me imagino de bom humor... se eu fosse divertido eu seria muito infeliz..."! Ai Caray!!! Alguém tem de cortar o danoninho desse cara, pr ele cair na real! A maioria dos entrevistados não se contem em perceber o ridículo, e acabam rfeconhecendo que é tudo uma palhaçada. Um dos Emos confessou "nunca ví emo mau humorado no Brasil... todo mundo tá de bem com a vida". É claro, pois pra ser emo tem de ser muito burguês. Sai caro essa viadagem, e o papito é que tem de bancar essa deprê. Essa depressão de shopping center só pode ser sustentada por filhinhos de papai. Aliás, quando criou-se o termo Rock Nacional, esse labor saiu da elite, pois dos anos 80 pra cá, é só os filhos da elite (filho de diplomata, almirante, banqueiro, cineasta, etc.) é que puderam curtir esse negócio de rock nacional, proclamar essa falsa independência cultural(proclamação de independência, mudança de regime, revolta, golpe, revolução, reforma, essas coisas no Brasil nunca tem a participação do povo). Não é a toa que esse negócio cmeçou entre adolescentes de Brasilia na era Geisel/Figueiredo.
Poderia-se concluir com a reportagem que todo Emo nada mais é doque um Boy George disfarçado de Morrissey. Ainda não assumiu. No caso das calcinhas, o negócio é falsamente inofensivo, pois ficar de xilique e lamuriando besteira é coisa que ensinam as mulheres há séculos. E digo "falsamente" (tá!!! Eu não disse, eu escrevi...) porque essas minas Emo são deprê de ficar se cortando com papel, passam três dias sem comer, bebem a própria urina, só menstruam quatro vezes por ano de tão anêmicas. E são bregas. Algumas são discretas no dia a dia, e se tornam uma armadilha perigosa. Se tu tá procurando uma calcinha, tente escapar dessas minas. Se mulher é um bicho que nunca está safisteita, nunca tá feliz, as Emo tem orgulho disso. Adoram ser infelizes. Tem coisa pior? Um parâmetro interessante pra identificar uma mina "namorável" é ouvi-la dizer: "Cara.. não tenho paciência pra essa Amy Lee...". Bingo! Encontraste um tesouro! Pois se ela gosta, ou mesmo atura ou se mostra insalubrimente indiferente a essa cantora, pode ter certeza de que uma noite, lá pras duas da madruga, ela te acordará perguntando "porque você não a ama?" ou "Oqué quitutá pensanu?..." . E ai de você se não tiver uma resposta bem Mcgayver. Ela vai cortar os pulsos na banheira e deixar uma carta tão deprê que vai acabar te botando na cadeia por negligência moral e psicológica, seu desalmado.
Por fim, a última coisa que a reportagem deixou evidente: não tem negro Emo! Negros não são Emo, não tem tempo pra ser, pelo jeito. Estão ocupados fazendo uns funks de sacanagem, divertidos, alegres e festivos. Ou mesmo um Rock, um reagge. Aparentemente para ser Emo, é preciso eliminar qualquer afrodescendência. Ou pelo menos ressaltar a caucasianidade. Pelo jeito eles afastaram os afrodescendentes não pelo visual, mas pelo espirito triste. Mais uma manifestação que pressupõe uma coerência étnica? Tô fora...
Depois da reportagem, esse negócio de Emo, se é um rótulo, um movimento u um fenõmeno, não sei. Só sei que suas característica nunca me lembram "emotional". Me lembram hemorragia, hemoptise, hemorróidas e afins.
O mundo da cultura e contra-cultura perdeu seu sentido por falta de referências, já que vivemos na éra pós-moderna, onde a perda de limites se dá inclusive no abandono de coerências cronológicas ou teóricas. Qualquer um pode afirmar ter sido o criador ou o precurssor de qualquer coisa, pois alega-se uma integração tão intesa de culturas e manias nesse mundo novo, que não se pode garantir purezas culturais. É mais ou menos como alegar que o Rock ´n Roll não tem nação pois é tão mesclado (inclusive étnicamente), que hoje pode-se afirmar que existe um Rock Japon~es "legitmo", um rock espanhol "de raiz", e um rock brasileiro "puro". Isso, é clro, é pura irreasponsabilidade e falta de seriedade (quando não é ignorância e incompetência mesmo)dos formuladores dessas alegações. Não reconhecer a descarada colonização na música, por exemplo, é um erro duplo.
Primeiro pela ridicula negação hipócrita, é passar um atestado de puisilanimidade. Não há rock nacional que não possa ser flagrado em perfeito decalque de qualquer banda ou movimento estrangeiro. Tente disfarçar o reagge e o ska estilo UB40 dos Paralamas do Sucesso? Desafio alguém negar que tudo que o Legião Urbana queria se tornar era uma mistura de The Smiths com The Cure. Mesmo o rei RC nada mais é que um projeto tupiniquim de Elvis. Não são ruins, se deram bem e até produziram algo legal. Mas todos se espelharam em produtos estrangeiros. Isso não dá pra negar.
O segundo erro é: no que se alega uma nacionalidade nesses produtos, cria-se uma perpectiva de exotísmo para oque se faz lá fora. O original que é produzido offshore não é reconhecido por sua excelência e originalidade. Em pouco tempo é possível encontrar gente ouvindo The Clash e achando que eles estão deturpando o rock original do Camisa de Vênus. A ignorânci se reproduz ela negação da essência. Tem gente que gosta de Nirvana e desconhece David Bowe. Gosta de Sepultura e cospe em Judas Priest. Eu, heim...
É claro que existem inovações e originalidades mil, tipo Chico Science e Nação Zumbi. Mas ai, vamos e venhamos, não é Rock! Los Hermanos é balada, samba-canção, um monte de coisas, e só assume o rótulo de rock por um aspecto comercial. Só pode ser! E aqueles caras do SAMBA POCONÉ que são apontados como rock.... os Skanks?!?!? É rock? Vamos parar com isso. Mesmo uma componente da santissima trindade do Rock Nacional, Rita Lee, reconhece que boa parte de seu repertório é feito de marchinhas e frevos (músicas carnavalescas, de modo geral)disfarçados de rock. Num é roque!!
Mas tudo bem... do delta do rio Mississipi, de onde saiu o lamento negro dedilhado na guitarra, até se tornar um bem universal de diversas gerações, o Rock and Roll adquiriu como virtude justamente a sua capacidade de ser extrememente camaleônico e vulgar, a ponto de combinar com qualquer coisa, qualquer cultura, qualquer etnia, qualquer nação. Já tentaram restringi-lo, limitando o rock a um segmento jovem ( hoje os enciclopédicos Rolling Stones ainda estão rolando), apontando-o como pseudo-arte ou algo tecnicamente pobre (bote uma orquestra sinfônica de Praga para executar "hell patroll", pra tu ver oque é complexidade harmônica. É coisa operística, é Rachmaninoff na veia, véio!). Deram os anos 80 como prazo de validade para o Rock, com o advento da música eletrônica (quem comeu quem? num sei, mas o rock está ai...).
Já disseram até que o rock mata, mas pergunta ao Sinhô se o samba não mata, e aproveita a viagem ao purgatório e pergunta a Charles Parker se o Jazz não mata, e também cutuca o Mozart pra saber se modernizar o barroco italiano e criar finalmente uma música moderna alemã não mata. Arte e abuso da vida às vezes anda junto, pô! Nem digo que uma coisa determina, viabiliza, prejudica ou benenficia outra. Só afirmo a indefectível intimidade entre qualquer manifestação artística e a transgressão de limites (isso mesmo, o rock não é trangressor por natureza, ou não é o único e nem o primeiro...).
É aqui mesmo! É nesse parágrafo que venho dizer o motivo de escrever hoje. É que outro dia assisti um baguhlo horroroso sobre essa moda Emo. Horroroso, não. foi interessante. Horroroso é o tema.
Sou um senhor de 30 e tantos anos, e tento me manter atualizado na música e dos movimentos culturais, mas sem a profundidade de antigamente, quando não tinha conta pra pagar. E no mundo do Rock e da "contracultura" já vi muita escrotice ser nacionalizada no Brasil, como o movimento SkinHead (os carecas), esses neonazistas. Eles tem seu rock, sua música, sua mitologia e discografia. E esses caras não tem noção de que a pregação deles muito provavelmente os mandaria para um Auschwitz, sem escala? Não que eu me inportasse com a ida deles, mas esse contexto infelizmente pressuporia a minha ida também, e provavelmente no primeiro lote. A incoerência de se apresentar neonazista com traços negróides e/ou mongolóides estampados na fuça não acontece só no Brasil, mas não justifica e nem ameniza a babaquice. Tem coisa mais escrota que um pardo, um beiçudo dá uma de hitlerista?!?!?
Bom, esse Emo não é tão escroto. É quase... Essa moda Emo (Emotional Hadcore, SIC), pra começar, não tem nada de original: é o gótico, o pós-punk, o dark. Sabe aquela babaquice de andar com maquiagem, brilho, vestido de sobretudo num calor da porra, todo de preto, pra se parecer um londrino underground?! É essa mesma merda. Tudo isso eu vi na reportagem da MTV, um trabalho bem legal do Marcos Mion e company, inclusive por expor opiniões de Kid Vinil e Dado Villa Lobos (esse último apontado como "pré EMO" por conta do legião urbana).Alega-se que os EMO se diferenciam por escancararem músicas com som pesado, mas letras e mensagens assumidamente pré-adolescentes e melosas, beirando oque é referido no brasil como bréga. Bem Bruno e Marrone, bem Calypso mesmo... Não tem nem a poesia gótica, romântica, fantasmagórica, erótica, paudurescente e mística de Edgar alan Poe, Rimbaud, Oscar Wilde e Baudelaire. Nem a inspiração ideológica existencialista e pós-existencialista presente até em um movimento proletário e detergente como o Punk.
Segundo a reportagem, pra ser EMO é preciso ser deprimido também, revoltado com pai, mãe, escola, car~encias, chifres, um teenager bem boçal, sem suma. E pelo jeito a única coisa que eles acham que seja viadagem é ter qualquer poesia nas letras. Elas tem de ser explicitas e pobres em termos de prosódia, versdos, prosopopéia e metaforas. Nada de criatividade. Desconfio que na verdade isso não seja uma exigência, e sim sinal da pobreza, da dificuldade desses caras que se mantém adolescentes feito o Chorão do Charlie Brown Junior (com 43 anos!!!) de construir um argumento mais rebuscado mesmo. Se você der uma de João Gilberto perto deles ("olha como o vento despenteia as arvores..."), com certeza eles repreenderiam a frase do coitado.
Não me espantei com a lista dos meliantes: Lin Kim Park, Evanescense, e tal. Até ai , tudo bem! Eu até curto. E não preciso sair por ai fantasiado a la Marilyn Maison (Ahã, também é Emo...) pra curti esse som. É palatável. Deixa a garotada curtir esse hamburguer ai. O problema é quando quem gosta de Harry Potter vai pro alistamento militar vestido de Grifinória...
Cês não imaginam a pancada de calcinhas e cuécas vestidos de Maryln Maison e Amy Lee. Há toda uma afetação para se mostrar uma postura down ridícula. Tem um vocalista de uma banda Emo não assumida, que disse a seguinte pérola: "eu não me imagino de bom humor... se eu fosse divertido eu seria muito infeliz..."! Ai Caray!!! Alguém tem de cortar o danoninho desse cara, pr ele cair na real! A maioria dos entrevistados não se contem em perceber o ridículo, e acabam rfeconhecendo que é tudo uma palhaçada. Um dos Emos confessou "nunca ví emo mau humorado no Brasil... todo mundo tá de bem com a vida". É claro, pois pra ser emo tem de ser muito burguês. Sai caro essa viadagem, e o papito é que tem de bancar essa deprê. Essa depressão de shopping center só pode ser sustentada por filhinhos de papai. Aliás, quando criou-se o termo Rock Nacional, esse labor saiu da elite, pois dos anos 80 pra cá, é só os filhos da elite (filho de diplomata, almirante, banqueiro, cineasta, etc.) é que puderam curtir esse negócio de rock nacional, proclamar essa falsa independência cultural(proclamação de independência, mudança de regime, revolta, golpe, revolução, reforma, essas coisas no Brasil nunca tem a participação do povo). Não é a toa que esse negócio cmeçou entre adolescentes de Brasilia na era Geisel/Figueiredo.
Poderia-se concluir com a reportagem que todo Emo nada mais é doque um Boy George disfarçado de Morrissey. Ainda não assumiu. No caso das calcinhas, o negócio é falsamente inofensivo, pois ficar de xilique e lamuriando besteira é coisa que ensinam as mulheres há séculos. E digo "falsamente" (tá!!! Eu não disse, eu escrevi...) porque essas minas Emo são deprê de ficar se cortando com papel, passam três dias sem comer, bebem a própria urina, só menstruam quatro vezes por ano de tão anêmicas. E são bregas. Algumas são discretas no dia a dia, e se tornam uma armadilha perigosa. Se tu tá procurando uma calcinha, tente escapar dessas minas. Se mulher é um bicho que nunca está safisteita, nunca tá feliz, as Emo tem orgulho disso. Adoram ser infelizes. Tem coisa pior? Um parâmetro interessante pra identificar uma mina "namorável" é ouvi-la dizer: "Cara.. não tenho paciência pra essa Amy Lee...". Bingo! Encontraste um tesouro! Pois se ela gosta, ou mesmo atura ou se mostra insalubrimente indiferente a essa cantora, pode ter certeza de que uma noite, lá pras duas da madruga, ela te acordará perguntando "porque você não a ama?" ou "Oqué quitutá pensanu?..." . E ai de você se não tiver uma resposta bem Mcgayver. Ela vai cortar os pulsos na banheira e deixar uma carta tão deprê que vai acabar te botando na cadeia por negligência moral e psicológica, seu desalmado.
Por fim, a última coisa que a reportagem deixou evidente: não tem negro Emo! Negros não são Emo, não tem tempo pra ser, pelo jeito. Estão ocupados fazendo uns funks de sacanagem, divertidos, alegres e festivos. Ou mesmo um Rock, um reagge. Aparentemente para ser Emo, é preciso eliminar qualquer afrodescendência. Ou pelo menos ressaltar a caucasianidade. Pelo jeito eles afastaram os afrodescendentes não pelo visual, mas pelo espirito triste. Mais uma manifestação que pressupõe uma coerência étnica? Tô fora...
Depois da reportagem, esse negócio de Emo, se é um rótulo, um movimento u um fenõmeno, não sei. Só sei que suas característica nunca me lembram "emotional". Me lembram hemorragia, hemoptise, hemorróidas e afins.
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
OLAVO DE CARVALHO
Esse mer
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02 de agosto de 2007
Opinião: Receita de suicídio
Olavo de Carvalho, filósofo
O prefeito de São Paulo deve estar se achando um Ph.D. em maquiavelismo por fazer passar uma lei "anti-homofóbica" antes do governo federal. Uma década e meia transcorrida desde que o Foro de São Paulo concebeu seu plano estratégico abrangente para a conquista do poder total na América Latina, os políticos "de direita" neste país ainda acreditam estar vivendo dentro do velho modelo brasileiro de concorrência mercadológica entre partidos ideologicamente inócuos, no qual copiar o programa do adversário para sugar os votos dele era o cúmulo da esperteza. Mas o cenário em que se movem é puramente imaginário. O Brasil real é o terreno de uma transição revolucionária em marcha. A elite que comanda o processo não está interessada em miudezas eleitorais, e sim na mudança radical do sistema, pouco lhe importando que realize cada capítulo dela com suas próprias mãos ou por intermédio de adversários que imaginam ludibriá-la quando fazem precisamente o que ela faria no seu lugar. Não que lhes fique grata por isso, é claro. A ninguém a revolução despreza mais do que a seus servidores involuntários. Quanto mais para a esquerda estes vão deslizando, na ilusão de roubar-lhe o discurso, mais ela os rotula como direitistas típicos e até radicais, somando ao aproveitamento do esforço alheio a vantagem adicional de estreitar cada vez mais a margem de direitismo socialmente admissível.
A falsa astúcia que se deixa guiar pelo chavão de "fazer a revolução antes que o povo a faça" esquece que o povo jamais faz revoluções. Quem as faz são as elites: a elite revolucionária, avançando sem parar; a elite conservadora, recuando, acomodando-se, hipnotizada pelo mito da inevitabilidade histórica. Quem começou a Revolução Francesa foi Luís XVI; a Russa, foi o tzar. E a nossa "revolução contra-revolucionária" de 1930, guiada por essa frase idiota, foi o começo da ascensão comunista que depois nem mesmo o interregno militar conseguiu deter.
Mas a obra-prima do colaboracionismo inconsciente são os protestos pontuais, "apolíticos e suprapartidários", que, voltados contra alvos soltos e desconexos, desperdiçam a ira popular em descargas emocionais sem nenhum projeto político por trás, as quais, por isso mesmo, são facilmente tomadas como provas de alguma grande e temível manobra secreta em curso, fornecendo ao esquema esquerdista dominante o pretexto que ele queria para alertar contra o "golpe iminente", a "ameaça fascista" etc. etc.
A fuga ao enfrentamento ideológico, a recusa covarde de pronunciar o verdadeiro nome do inimigo, é a fórmula infalível do suicídio político.
[ 02/08/2007 ] 02:01
merece publicar , principalmente pelo o que fala dos "servidores da revoluçao"
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02 de agosto de 2007
Opinião: Receita de suicídio
Olavo de Carvalho, filósofo
O prefeito de São Paulo deve estar se achando um Ph.D. em maquiavelismo por fazer passar uma lei "anti-homofóbica" antes do governo federal. Uma década e meia transcorrida desde que o Foro de São Paulo concebeu seu plano estratégico abrangente para a conquista do poder total na América Latina, os políticos "de direita" neste país ainda acreditam estar vivendo dentro do velho modelo brasileiro de concorrência mercadológica entre partidos ideologicamente inócuos, no qual copiar o programa do adversário para sugar os votos dele era o cúmulo da esperteza. Mas o cenário em que se movem é puramente imaginário. O Brasil real é o terreno de uma transição revolucionária em marcha. A elite que comanda o processo não está interessada em miudezas eleitorais, e sim na mudança radical do sistema, pouco lhe importando que realize cada capítulo dela com suas próprias mãos ou por intermédio de adversários que imaginam ludibriá-la quando fazem precisamente o que ela faria no seu lugar. Não que lhes fique grata por isso, é claro. A ninguém a revolução despreza mais do que a seus servidores involuntários. Quanto mais para a esquerda estes vão deslizando, na ilusão de roubar-lhe o discurso, mais ela os rotula como direitistas típicos e até radicais, somando ao aproveitamento do esforço alheio a vantagem adicional de estreitar cada vez mais a margem de direitismo socialmente admissível.
A falsa astúcia que se deixa guiar pelo chavão de "fazer a revolução antes que o povo a faça" esquece que o povo jamais faz revoluções. Quem as faz são as elites: a elite revolucionária, avançando sem parar; a elite conservadora, recuando, acomodando-se, hipnotizada pelo mito da inevitabilidade histórica. Quem começou a Revolução Francesa foi Luís XVI; a Russa, foi o tzar. E a nossa "revolução contra-revolucionária" de 1930, guiada por essa frase idiota, foi o começo da ascensão comunista que depois nem mesmo o interregno militar conseguiu deter.
Mas a obra-prima do colaboracionismo inconsciente são os protestos pontuais, "apolíticos e suprapartidários", que, voltados contra alvos soltos e desconexos, desperdiçam a ira popular em descargas emocionais sem nenhum projeto político por trás, as quais, por isso mesmo, são facilmente tomadas como provas de alguma grande e temível manobra secreta em curso, fornecendo ao esquema esquerdista dominante o pretexto que ele queria para alertar contra o "golpe iminente", a "ameaça fascista" etc. etc.
A fuga ao enfrentamento ideológico, a recusa covarde de pronunciar o verdadeiro nome do inimigo, é a fórmula infalível do suicídio político.
[ 02/08/2007 ] 02:01
merece publicar , principalmente pelo o que fala dos "servidores da revoluçao"
Agora juntaram tudo.
Foi publicado ontem ( no JB, no Globo e no Estadão) mais um panfleto do Ministério da Saúde sobre aborto, que tenta ganhar força com um outro tabu, que é o racismo. Foi divulgada uma pesquisa PPP (parceria público pilantragem) encabeçada por uma ONG e pesquisadores da UERJ, cuja natureza do trabalho se comprometia em afirmar que existe mais de um milhão de abortos (?!) realizados a cada ano no Brasil, e que esses abortos geram mortes dantescas na população feminina, e o pior: o aborto causa três vezes mais morte nas mulheres negras que nas demais cores.
Pra começar, é preciso observar que só esse mês foram divulgados 17 trabalhos na área da saúde (a grande maioria, 12, com finaciamento público) o comprometimento da étinia na saúde do cidadão ou sobre o malefício do aborto. Tá na moda. Uma passada na Bibliotéca virtual da Saúde indica que comparando as safras de artigos nos anos de 1998, 2001 com 2006, é possível encontrar o tema aborto com um peso triplicado. Não é coisa do Temporão o negócio do aborto na agenda do Ministério, mas sim um movimento da academia e representações das instituições de saúde que tem essa bandeira do Aborto como uma conquista do movimento feminino, sem contar com os malthusianos de plantão nos gabinetes das secretarias de saúde. É uma bandeira da "esquerda aristocrática" que temos na Saúde e na Educação.
Mas agora, uma forma que acharam de constranger qualquer um que se oponha ao aborto é vinculá-lo a um assunto que todo mundo tem medo de debater, inclusive no meio acadêmico, que é a questão do racismo brasileiro. E faço questão de reforçar: o RACISMO BRASILEIRO, pois não dá pra falar de racismo no Brasil tendo como parâmetro Comptom, Detroit, Alabama e Mississipi. Na verdade erro ao afirmar que não existe tal discussão sobre racismo na academia brasileira. Ou melhor, sou impreciso. discussão tem saim, mas o debate é de um discurso monocórdico e monopolizado por questões ideológicas e políticas que não permite qualquer dialética. O negócio e panfletário mesmo. qualquer dissonância, e a patrulha de costumes das Ongs já desse as acusações de racista, reacionário e feitor no quengo de qualquer um.
Negando as mínimas premissas de particularidades do racismo no Brasil, as pesquisas aqui produzidas não são mais que meros panfletos dos movimentos socias que capitalizam a culpa e o constrangimento dessa sociedade sequelada, que sequer consegue reagir aos abusos de Ongs e congêneres, por simples pudor ibérico. Todo mundo tem vergonha de ser classe média, de ver filme estrangeiro sem legenda, de ter dentes bonitos e de não saber sambar. Nesse clima ideológico, portanto, você nunca vai encontrar um senador que aponte o ridículo de uma Secretaria da Igualdade Racial. Neguinho (aqui se trata apenas de um sujeito indeterminado, uma terceira pessoa do singular indefinida...) já descobriu que qualquer assunto, se você mescla com racismo, tá feito: ninguém vai contestar. E não é difícil fazê-lo.
O primeiro passo pra se contestar essas "pesquisas" étnicas é perguntar de que "negros" o trabalho fala. Porque a malandragem tem como definição a idéia de que negro nada mais é doque a soma dos pretos e pardos. Por isso que ficam falando besteiras como " a maioria dos brasileiros são negros" e outros absurdos. Qualquer um que tenha estudado Moral e Civísmo ou Estudos Sociais com a tia Lenora na segunda série vai se lembrar das definições básicas, e sabe que pardo nada mais é doque aquele que não é índio, não é amarelo, não é preto e não é branco. Isto é, pardo é qualquer mistura, inclusive o de branco com índio, índio com japonês, tijucano com corintiano, coca-cola com menthos, etc. Então, se o "negro" que a pesquisa determina é a junção irresponsável de pretos com pardos, já tá furada de longe. A miscigenação entre brancos e índios no Brasil foi maior, muito maior que a mistura entre pretos e brancos. Então esse negócio de apontar uma afrodesncendência pelo pardo é totalmente inadequado. Mas é conveniente, se existe a intenção de mentir, burlar, esconder, maquear e falsear argumentos.
Se o trabalho fala de aborto, dê outro pulo na BVS, no LILACs, no SCielo e equivalentes e você encontrará diversas estatísticas (todas meras sacações) sobre a incidência do aborto no Brasil. Cada um tem seu método de estimar seu valor (e alguns não têm método nenhum, pois sabem que não precisam, afinal estão reproduzindo um mantra), mas poucos são honestos o bastante para explicitar a fragilidade metodológica e estatística de seus resultados. Principalmente porque a fonte de dados utilizada por muitos são os registros de procedimentos como curetagem e outras intervenções ginecológicas não exclusivas do aborto. É a mesma coerência de estimar o número de hipertensos do pais através do número de pressões arteriais aferidas nas unidades de saúde do Brasil. O procedimento não é tão aderente a patologia. E o mais curioso: como que se deu a determinação da cor do aborto? Essa alquimia é discussão para outro texto, mas claro que é improvavel que se tenha feito algo sério, se preservaram os critérios étnicos citados no parágrafo anterior.
Coloco aqui coisas óbvias, e eu sei que todo mundo tá cansado de saber. Mais se a coisa é tão óbivia, se a estratégia se evidência como a mais descarada empulhação, por que razão então ela não é combatida com vigor? Por que gente tão qualificada como o Sr. Temporão e outras figuras políticas se assumem (ou se omitem) nessas questões com argumentos tão idiótas. O ministro outro dia veio com a chantagem ridícula de declarar que se fosse pra condenar o aborto, deveriam ser condenados os médicos e enfermeiros do SUS que se envolveram neles também. Pois é! É isso mesmo, sem tirar nem por, concordo completamente, e só questiono então porque esses não foram condenados?!?!? Como é que o SUS reconhece que atende a casos, segundo eles, flagrantes de aborto ilegal, e não abrem nem uma sindicância e nem encaminham a questão a justiça? Ninguém é exonerado ao cometer um crime? Tenho certeza que se as mulheres tivessem a expectativa de sair de uma emergência pra cadeia por causa de um aborto, a incidência das tais curetagens iria cair absurdamente também. Elas contam com a cumplicidade do SUS, que o ministro assume orgulhosamente. Claro que ele fala uma coisa dessas utilizando a retórica de vitima da opressão que a esquerda tanto gosta. Soma-se a questão do aborot o racismo, e a coisa da vitimização se pontencializa de tal modo que ninguém nem contesta.
Sou contra o Aborto? Não, mas sou contra o aborot ser uma exclusividade da mulher, e me irrita as pessoas reagirem a essa minha colocação como se fosse absurdo: "Mas é um problerma feminino, meu deus!!". Não, não é. Muhler não fica gravida sozinha, por isso não deveria ser a única a decidir pela continuidade ou interrupção de uma gravidez. Como isso se daria, tenho lá minhas idéias, mas no geral coloco que tanto a maternidade como a paternidade não pode ser uma condição imposta ou acidental, fruto do acaso. Tem de ser uma vontade e uma decisão, da qual qualquer poderia pular fora até o aborto. Inlcusive o homem. Enquanto isso não se dá, prefiro o contexto atual.
Apenas resolvi abordar esse assunto porque me incomodou demais esse golpe baixo de generalizar e misturar racismo e aborto. Os dois são problemas, e agora um está sendo usado pra amenizar ou justificar o outro. Nos dados do DATASUS/MS está registrado que há dez anos menos de 200 mulheres morrem por ano de aborto (oficialmente) emtodo o Brasil. Desde de 1979 os óbitos por aborto só têm caido. Não é melhor pesquisar sobre tuberculose, Leishmaniose e coisas que realmente matam? Ou o status da morte é critério para se pesquisar?
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Barra Conexions
Barra conexions é um blog para a publicação de qualquer coisa que gente quiser. A gente significa os 3 malucos que se encontram (pelo menos foi assim em 2007)na Barra, bebem vinho e jogam conversa fora.