Primeiro vou encher o saco docês com um papo chato pelos próximos cinco parágrafos, mas cês podem pular direto pro sexto, se interessa saber o porquê desse texto.
O mundo da cultura e contra-cultura perdeu seu sentido por falta de referências, já que vivemos na éra pós-moderna, onde a perda de limites se dá inclusive no abandono de coerências cronológicas ou teóricas. Qualquer um pode afirmar ter sido o criador ou o precurssor de qualquer coisa, pois alega-se uma integração tão intesa de culturas e manias nesse mundo novo, que não se pode garantir purezas culturais. É mais ou menos como alegar que o Rock ´n Roll não tem nação pois é tão mesclado (inclusive étnicamente), que hoje pode-se afirmar que existe um Rock Japon~es "legitmo", um rock espanhol "de raiz", e um rock brasileiro "puro". Isso, é clro, é pura irreasponsabilidade e falta de seriedade (quando não é ignorância e incompetência mesmo)dos formuladores dessas alegações. Não reconhecer a descarada colonização na música, por exemplo, é um erro duplo.
Primeiro pela ridicula negação hipócrita, é passar um atestado de puisilanimidade. Não há rock nacional que não possa ser flagrado em perfeito decalque de qualquer banda ou movimento estrangeiro. Tente disfarçar o reagge e o ska estilo UB40 dos Paralamas do Sucesso? Desafio alguém negar que tudo que o Legião Urbana queria se tornar era uma mistura de The Smiths com The Cure. Mesmo o rei RC nada mais é que um projeto tupiniquim de Elvis. Não são ruins, se deram bem e até produziram algo legal. Mas todos se espelharam em produtos estrangeiros. Isso não dá pra negar.
O segundo erro é: no que se alega uma nacionalidade nesses produtos, cria-se uma perpectiva de exotísmo para oque se faz lá fora. O original que é produzido offshore não é reconhecido por sua excelência e originalidade. Em pouco tempo é possível encontrar gente ouvindo The Clash e achando que eles estão deturpando o rock original do Camisa de Vênus. A ignorânci se reproduz ela negação da essência. Tem gente que gosta de Nirvana e desconhece David Bowe. Gosta de Sepultura e cospe em Judas Priest. Eu, heim...
É claro que existem inovações e originalidades mil, tipo Chico Science e Nação Zumbi. Mas ai, vamos e venhamos, não é Rock! Los Hermanos é balada, samba-canção, um monte de coisas, e só assume o rótulo de rock por um aspecto comercial. Só pode ser! E aqueles caras do SAMBA POCONÉ que são apontados como rock.... os Skanks?!?!? É rock? Vamos parar com isso. Mesmo uma componente da santissima trindade do Rock Nacional, Rita Lee, reconhece que boa parte de seu repertório é feito de marchinhas e frevos (músicas carnavalescas, de modo geral)disfarçados de rock. Num é roque!!
Mas tudo bem... do delta do rio Mississipi, de onde saiu o lamento negro dedilhado na guitarra, até se tornar um bem universal de diversas gerações, o Rock and Roll adquiriu como virtude justamente a sua capacidade de ser extrememente camaleônico e vulgar, a ponto de combinar com qualquer coisa, qualquer cultura, qualquer etnia, qualquer nação. Já tentaram restringi-lo, limitando o rock a um segmento jovem ( hoje os enciclopédicos Rolling Stones ainda estão rolando), apontando-o como pseudo-arte ou algo tecnicamente pobre (bote uma orquestra sinfônica de Praga para executar "hell patroll", pra tu ver oque é complexidade harmônica. É coisa operística, é Rachmaninoff na veia, véio!). Deram os anos 80 como prazo de validade para o Rock, com o advento da música eletrônica (quem comeu quem? num sei, mas o rock está ai...).
Já disseram até que o rock mata, mas pergunta ao Sinhô se o samba não mata, e aproveita a viagem ao purgatório e pergunta a Charles Parker se o Jazz não mata, e também cutuca o Mozart pra saber se modernizar o barroco italiano e criar finalmente uma música moderna alemã não mata. Arte e abuso da vida às vezes anda junto, pô! Nem digo que uma coisa determina, viabiliza, prejudica ou benenficia outra. Só afirmo a indefectível intimidade entre qualquer manifestação artística e a transgressão de limites (isso mesmo, o rock não é trangressor por natureza, ou não é o único e nem o primeiro...).
É aqui mesmo! É nesse parágrafo que venho dizer o motivo de escrever hoje. É que outro dia assisti um baguhlo horroroso sobre essa moda Emo. Horroroso, não. foi interessante. Horroroso é o tema.
Sou um senhor de 30 e tantos anos, e tento me manter atualizado na música e dos movimentos culturais, mas sem a profundidade de antigamente, quando não tinha conta pra pagar. E no mundo do Rock e da "contracultura" já vi muita escrotice ser nacionalizada no Brasil, como o movimento SkinHead (os carecas), esses neonazistas. Eles tem seu rock, sua música, sua mitologia e discografia. E esses caras não tem noção de que a pregação deles muito provavelmente os mandaria para um Auschwitz, sem escala? Não que eu me inportasse com a ida deles, mas esse contexto infelizmente pressuporia a minha ida também, e provavelmente no primeiro lote. A incoerência de se apresentar neonazista com traços negróides e/ou mongolóides estampados na fuça não acontece só no Brasil, mas não justifica e nem ameniza a babaquice. Tem coisa mais escrota que um pardo, um beiçudo dá uma de hitlerista?!?!?
Bom, esse Emo não é tão escroto. É quase... Essa moda Emo (Emotional Hadcore, SIC), pra começar, não tem nada de original: é o gótico, o pós-punk, o dark. Sabe aquela babaquice de andar com maquiagem, brilho, vestido de sobretudo num calor da porra, todo de preto, pra se parecer um londrino underground?! É essa mesma merda. Tudo isso eu vi na reportagem da MTV, um trabalho bem legal do Marcos Mion e company, inclusive por expor opiniões de Kid Vinil e Dado Villa Lobos (esse último apontado como "pré EMO" por conta do legião urbana).Alega-se que os EMO se diferenciam por escancararem músicas com som pesado, mas letras e mensagens assumidamente pré-adolescentes e melosas, beirando oque é referido no brasil como bréga. Bem Bruno e Marrone, bem Calypso mesmo... Não tem nem a poesia gótica, romântica, fantasmagórica, erótica, paudurescente e mística de Edgar alan Poe, Rimbaud, Oscar Wilde e Baudelaire. Nem a inspiração ideológica existencialista e pós-existencialista presente até em um movimento proletário e detergente como o Punk.
Segundo a reportagem, pra ser EMO é preciso ser deprimido também, revoltado com pai, mãe, escola, car~encias, chifres, um teenager bem boçal, sem suma. E pelo jeito a única coisa que eles acham que seja viadagem é ter qualquer poesia nas letras. Elas tem de ser explicitas e pobres em termos de prosódia, versdos, prosopopéia e metaforas. Nada de criatividade. Desconfio que na verdade isso não seja uma exigência, e sim sinal da pobreza, da dificuldade desses caras que se mantém adolescentes feito o Chorão do Charlie Brown Junior (com 43 anos!!!) de construir um argumento mais rebuscado mesmo. Se você der uma de João Gilberto perto deles ("olha como o vento despenteia as arvores..."), com certeza eles repreenderiam a frase do coitado.
Não me espantei com a lista dos meliantes: Lin Kim Park, Evanescense, e tal. Até ai , tudo bem! Eu até curto. E não preciso sair por ai fantasiado a la Marilyn Maison (Ahã, também é Emo...) pra curti esse som. É palatável. Deixa a garotada curtir esse hamburguer ai. O problema é quando quem gosta de Harry Potter vai pro alistamento militar vestido de Grifinória...
Cês não imaginam a pancada de calcinhas e cuécas vestidos de Maryln Maison e Amy Lee. Há toda uma afetação para se mostrar uma postura down ridícula. Tem um vocalista de uma banda Emo não assumida, que disse a seguinte pérola: "eu não me imagino de bom humor... se eu fosse divertido eu seria muito infeliz..."! Ai Caray!!! Alguém tem de cortar o danoninho desse cara, pr ele cair na real! A maioria dos entrevistados não se contem em perceber o ridículo, e acabam rfeconhecendo que é tudo uma palhaçada. Um dos Emos confessou "nunca ví emo mau humorado no Brasil... todo mundo tá de bem com a vida". É claro, pois pra ser emo tem de ser muito burguês. Sai caro essa viadagem, e o papito é que tem de bancar essa deprê. Essa depressão de shopping center só pode ser sustentada por filhinhos de papai. Aliás, quando criou-se o termo Rock Nacional, esse labor saiu da elite, pois dos anos 80 pra cá, é só os filhos da elite (filho de diplomata, almirante, banqueiro, cineasta, etc.) é que puderam curtir esse negócio de rock nacional, proclamar essa falsa independência cultural(proclamação de independência, mudança de regime, revolta, golpe, revolução, reforma, essas coisas no Brasil nunca tem a participação do povo). Não é a toa que esse negócio cmeçou entre adolescentes de Brasilia na era Geisel/Figueiredo.
Poderia-se concluir com a reportagem que todo Emo nada mais é doque um Boy George disfarçado de Morrissey. Ainda não assumiu. No caso das calcinhas, o negócio é falsamente inofensivo, pois ficar de xilique e lamuriando besteira é coisa que ensinam as mulheres há séculos. E digo "falsamente" (tá!!! Eu não disse, eu escrevi...) porque essas minas Emo são deprê de ficar se cortando com papel, passam três dias sem comer, bebem a própria urina, só menstruam quatro vezes por ano de tão anêmicas. E são bregas. Algumas são discretas no dia a dia, e se tornam uma armadilha perigosa. Se tu tá procurando uma calcinha, tente escapar dessas minas. Se mulher é um bicho que nunca está safisteita, nunca tá feliz, as Emo tem orgulho disso. Adoram ser infelizes. Tem coisa pior? Um parâmetro interessante pra identificar uma mina "namorável" é ouvi-la dizer: "Cara.. não tenho paciência pra essa Amy Lee...". Bingo! Encontraste um tesouro! Pois se ela gosta, ou mesmo atura ou se mostra insalubrimente indiferente a essa cantora, pode ter certeza de que uma noite, lá pras duas da madruga, ela te acordará perguntando "porque você não a ama?" ou "Oqué quitutá pensanu?..." . E ai de você se não tiver uma resposta bem Mcgayver. Ela vai cortar os pulsos na banheira e deixar uma carta tão deprê que vai acabar te botando na cadeia por negligência moral e psicológica, seu desalmado.
Por fim, a última coisa que a reportagem deixou evidente: não tem negro Emo! Negros não são Emo, não tem tempo pra ser, pelo jeito. Estão ocupados fazendo uns funks de sacanagem, divertidos, alegres e festivos. Ou mesmo um Rock, um reagge. Aparentemente para ser Emo, é preciso eliminar qualquer afrodescendência. Ou pelo menos ressaltar a caucasianidade. Pelo jeito eles afastaram os afrodescendentes não pelo visual, mas pelo espirito triste. Mais uma manifestação que pressupõe uma coerência étnica? Tô fora...
Depois da reportagem, esse negócio de Emo, se é um rótulo, um movimento u um fenõmeno, não sei. Só sei que suas característica nunca me lembram "emotional". Me lembram hemorragia, hemoptise, hemorróidas e afins.
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