Descriminalização da violência contra a mulher: eu defendo!
VAMOS AVANÇAR! 29/08/2007 18:45
Descriminalização da violência contra a mulher
Por Progressista 28/08/2007 às 12:29
Tal como no caso do aborto, ninguém é a favor da violência contra a mulher, mas da sua legalização (ou descriminalização). A violência contra a mulher existe e é um fato. Não adianta proibir, porque ela permeia toda a vida social.
A violência contra a mulher
por Rodrigo Pedroso
Lendo com atenção os argumentos com os que o movimento feminista pretende justificar a legalização do aborto, fiquei extremamente tentado a propor às feministas outra importante bandeira de luta: a legalização da violência contra a mulher.
Efetivamente, o principal argumento usado pelas feministas, para impingir ao público a decantada legalização do aborto, é o fato consumado: o aborto já é supostamente praticado por um grande número de mulheres. Do mesmo modo, a violência contra a mulher é largamente praticada em grande parte dos lares brasileiros, muito mais inclusive que o próprio aborto, como se pode comprovar por estatísticas divulgadas pelo próprio movimento feminista ( http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/index.shtml): segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo, a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Estima-se que 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos e companheiros.
O problema da penalização da violência contra a mulher reflete também toda a iniquidade da estrutura social brasileira: nas classes sociais mais altas, a violência contra a mulher é praticada com toda a segurança, sendo o marido acobertado pela hipocrisia da sociedade, e a mulher tendo acesso rápido a eficientes serviços de saúde. São os pobres as principais vítimas da proibição legal da violência contra a mulher: o marido que, coagido pelas circunstâncias, toma a difícil decisão de bater na mulher, corre ainda o risco de ser penalizado por isso, e a mulher fica privada de atendimento médico por receio de denunciar o marido.
No fundo podemos dizer que a violência contra a mulher já está legalizada: ela é proibida unicamente para os pobres, submetidos a uma legislação punitiva e excluídos da proteção hipócrita que a alta sociedade confere aos maridos violentos das classes dominantes.
Tal como no caso do aborto, ninguém é a favor da violência contra a mulher, mas da sua legalização. A violência contra a mulher existe e é um fato. Não adianta proibir, porque ela permeia toda a vida social. Inclusive, há estatísticas que demonstram que a violência contra a mulher diminuiu sensivelmente nos países em que foi legalizada. E, se o marido está mesmo resolvido a bater na mulher, que pelo menos o possa fazer com dignidade.
Na verdade, ninguém bate na mulher por quer, mas porque se vê forçado a tomar esta atitude drástica pelas circunstâncias sociais, econômicas e domésticas. Ninguém pode imaginar que seja fácil para o marido ou companheiro tomar a decisão extrema de bater na mulher a quem ama. Na maior parte das vezes, a condenação moral da violência contra a mulher procede de celibatários, que jamais experimentaram a crua realidade do convívio conjugal, e mesmo assim insistem em querer legislar a respeito da vida privada alheia.
Hoje a violência contra a mulher é praticada clandestinamente, de forma insegura e debaixo de risco para ambas as partes. A legalização permitirá que ela seja feita às claras, com o necessário acompanhamento médico e permitirá ao Estado a contenção de abusos e excessos. A violência contra a mulher não pode ser tratada como um caso de polícia, mas como um problema de saúde pública.
Aqueles que, por motivo de convicção ética ou religiosa, são contrários à prática, deveriam compreender que a violência contra a mulher, uma vez legalizada, seria facultativa, e não compulsória. Ninguém será obrigado a bater na mulher. Quem é contra a violência contra a mulher que não a pratique, mas não queira impor sua moral aos outros. Trata-se apenas de respeitar o livre arbítrio e a autonomia do indivíduo.
Finalmente, a Igreja católica declara que o Matrimônio é um Sacramento, e a Bíblia ensina que o marido deve amar sua mulher como Cristo amou a Igreja (cf. Ef 5,25). Portanto, a proibição legal da violência contra mulher está baseada em preceitos religiosos, a que não se pode submeter uma sociedade laica e pluralista. Somente o fundamentalismo religioso e a influência da Igreja católica podem explicar por que a violência contra a mulher continua sendo criminalizada e sujeita a uma legislação retrógrada e punitiva. Legalizar a violência contra a mulher é um passo para a instauração de um Estado verdadeiramente laico e isento de preconceitos religiosos.
PS - Se o leitor achou brutal esta defesa (fictícia) da legalização da violência contra a mulher, que atenta contra a integridade física do pessoa humana, o que vai dizer então da defesa da legalização do aborto, que, por sua vez, ameaça a própria vida da vítima?
Posted by oitocolunas at janeiro 3, 2005 07:11 PM
(Este é um ensaio humorístico, que visa apenas mostrar quão ridículos são os argumentos escandidos para a defesa do assassinato de bebês indefesos no ventre de suas mães. Os conceitos aqui expostos não condizem com as reais convicções do autor, que ama as mulheres e é da opinião que nelas não se deve bater nem mesmo com uma pétala de rosa).
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2 comentários:
Fantástico!!!
Deveriam publicar esse parece no DOU!!! E mandar pro Temporão!
dEPENDE DE QUE FASE DO ABORTO ESTAMOS FALANDO, MAS CONTRA A MULHER NÃO TEM FASE, É SEMPRE PERNICIOSA PARA A VÍTIMA.
Claro que eu sei aquela máxima do nelson rodrigues, mas não essa máxima que está em jogo e sim um ataque contra uma pessoa menos capaz de rebater a agressão, covardia , quase sempre.
Do Aborto eu não discutomuito, não tenho opinião formada......
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