Foi publicado ontem ( no JB, no Globo e no Estadão) mais um panfleto do Ministério da Saúde sobre aborto, que tenta ganhar força com um outro tabu, que é o racismo. Foi divulgada uma pesquisa PPP (parceria público pilantragem) encabeçada por uma ONG e pesquisadores da UERJ, cuja natureza do trabalho se comprometia em afirmar que existe mais de um milhão de abortos (?!) realizados a cada ano no Brasil, e que esses abortos geram mortes dantescas na população feminina, e o pior: o aborto causa três vezes mais morte nas mulheres negras que nas demais cores.
Pra começar, é preciso observar que só esse mês foram divulgados 17 trabalhos na área da saúde (a grande maioria, 12, com finaciamento público) o comprometimento da étinia na saúde do cidadão ou sobre o malefício do aborto. Tá na moda. Uma passada na Bibliotéca virtual da Saúde indica que comparando as safras de artigos nos anos de 1998, 2001 com 2006, é possível encontrar o tema aborto com um peso triplicado. Não é coisa do Temporão o negócio do aborto na agenda do Ministério, mas sim um movimento da academia e representações das instituições de saúde que tem essa bandeira do Aborto como uma conquista do movimento feminino, sem contar com os malthusianos de plantão nos gabinetes das secretarias de saúde. É uma bandeira da "esquerda aristocrática" que temos na Saúde e na Educação.
Mas agora, uma forma que acharam de constranger qualquer um que se oponha ao aborto é vinculá-lo a um assunto que todo mundo tem medo de debater, inclusive no meio acadêmico, que é a questão do racismo brasileiro. E faço questão de reforçar: o RACISMO BRASILEIRO, pois não dá pra falar de racismo no Brasil tendo como parâmetro Comptom, Detroit, Alabama e Mississipi. Na verdade erro ao afirmar que não existe tal discussão sobre racismo na academia brasileira. Ou melhor, sou impreciso. discussão tem saim, mas o debate é de um discurso monocórdico e monopolizado por questões ideológicas e políticas que não permite qualquer dialética. O negócio e panfletário mesmo. qualquer dissonância, e a patrulha de costumes das Ongs já desse as acusações de racista, reacionário e feitor no quengo de qualquer um.
Negando as mínimas premissas de particularidades do racismo no Brasil, as pesquisas aqui produzidas não são mais que meros panfletos dos movimentos socias que capitalizam a culpa e o constrangimento dessa sociedade sequelada, que sequer consegue reagir aos abusos de Ongs e congêneres, por simples pudor ibérico. Todo mundo tem vergonha de ser classe média, de ver filme estrangeiro sem legenda, de ter dentes bonitos e de não saber sambar. Nesse clima ideológico, portanto, você nunca vai encontrar um senador que aponte o ridículo de uma Secretaria da Igualdade Racial. Neguinho (aqui se trata apenas de um sujeito indeterminado, uma terceira pessoa do singular indefinida...) já descobriu que qualquer assunto, se você mescla com racismo, tá feito: ninguém vai contestar. E não é difícil fazê-lo.
O primeiro passo pra se contestar essas "pesquisas" étnicas é perguntar de que "negros" o trabalho fala. Porque a malandragem tem como definição a idéia de que negro nada mais é doque a soma dos pretos e pardos. Por isso que ficam falando besteiras como " a maioria dos brasileiros são negros" e outros absurdos. Qualquer um que tenha estudado Moral e Civísmo ou Estudos Sociais com a tia Lenora na segunda série vai se lembrar das definições básicas, e sabe que pardo nada mais é doque aquele que não é índio, não é amarelo, não é preto e não é branco. Isto é, pardo é qualquer mistura, inclusive o de branco com índio, índio com japonês, tijucano com corintiano, coca-cola com menthos, etc. Então, se o "negro" que a pesquisa determina é a junção irresponsável de pretos com pardos, já tá furada de longe. A miscigenação entre brancos e índios no Brasil foi maior, muito maior que a mistura entre pretos e brancos. Então esse negócio de apontar uma afrodesncendência pelo pardo é totalmente inadequado. Mas é conveniente, se existe a intenção de mentir, burlar, esconder, maquear e falsear argumentos.
Se o trabalho fala de aborto, dê outro pulo na BVS, no LILACs, no SCielo e equivalentes e você encontrará diversas estatísticas (todas meras sacações) sobre a incidência do aborto no Brasil. Cada um tem seu método de estimar seu valor (e alguns não têm método nenhum, pois sabem que não precisam, afinal estão reproduzindo um mantra), mas poucos são honestos o bastante para explicitar a fragilidade metodológica e estatística de seus resultados. Principalmente porque a fonte de dados utilizada por muitos são os registros de procedimentos como curetagem e outras intervenções ginecológicas não exclusivas do aborto. É a mesma coerência de estimar o número de hipertensos do pais através do número de pressões arteriais aferidas nas unidades de saúde do Brasil. O procedimento não é tão aderente a patologia. E o mais curioso: como que se deu a determinação da cor do aborto? Essa alquimia é discussão para outro texto, mas claro que é improvavel que se tenha feito algo sério, se preservaram os critérios étnicos citados no parágrafo anterior.
Coloco aqui coisas óbvias, e eu sei que todo mundo tá cansado de saber. Mais se a coisa é tão óbivia, se a estratégia se evidência como a mais descarada empulhação, por que razão então ela não é combatida com vigor? Por que gente tão qualificada como o Sr. Temporão e outras figuras políticas se assumem (ou se omitem) nessas questões com argumentos tão idiótas. O ministro outro dia veio com a chantagem ridícula de declarar que se fosse pra condenar o aborto, deveriam ser condenados os médicos e enfermeiros do SUS que se envolveram neles também. Pois é! É isso mesmo, sem tirar nem por, concordo completamente, e só questiono então porque esses não foram condenados?!?!? Como é que o SUS reconhece que atende a casos, segundo eles, flagrantes de aborto ilegal, e não abrem nem uma sindicância e nem encaminham a questão a justiça? Ninguém é exonerado ao cometer um crime? Tenho certeza que se as mulheres tivessem a expectativa de sair de uma emergência pra cadeia por causa de um aborto, a incidência das tais curetagens iria cair absurdamente também. Elas contam com a cumplicidade do SUS, que o ministro assume orgulhosamente. Claro que ele fala uma coisa dessas utilizando a retórica de vitima da opressão que a esquerda tanto gosta. Soma-se a questão do aborot o racismo, e a coisa da vitimização se pontencializa de tal modo que ninguém nem contesta.
Sou contra o Aborto? Não, mas sou contra o aborot ser uma exclusividade da mulher, e me irrita as pessoas reagirem a essa minha colocação como se fosse absurdo: "Mas é um problerma feminino, meu deus!!". Não, não é. Muhler não fica gravida sozinha, por isso não deveria ser a única a decidir pela continuidade ou interrupção de uma gravidez. Como isso se daria, tenho lá minhas idéias, mas no geral coloco que tanto a maternidade como a paternidade não pode ser uma condição imposta ou acidental, fruto do acaso. Tem de ser uma vontade e uma decisão, da qual qualquer poderia pular fora até o aborto. Inlcusive o homem. Enquanto isso não se dá, prefiro o contexto atual.
Apenas resolvi abordar esse assunto porque me incomodou demais esse golpe baixo de generalizar e misturar racismo e aborto. Os dois são problemas, e agora um está sendo usado pra amenizar ou justificar o outro. Nos dados do DATASUS/MS está registrado que há dez anos menos de 200 mulheres morrem por ano de aborto (oficialmente) emtodo o Brasil. Desde de 1979 os óbitos por aborto só têm caido. Não é melhor pesquisar sobre tuberculose, Leishmaniose e coisas que realmente matam? Ou o status da morte é critério para se pesquisar?
2 comentários:
Imagina se vc tivesse com o pc e sem demerol e rivotril!? rss
Esse texto é muito bom e deveria merecer um debate profundo , sem essas sequelas do ESQUERDISMO DE COMUNISMO.
A posição acadêmica sobre o aborto está repleta de mentiras com boas-intenções que é o que qualquer esquerdista quer dizer quando fala a palvra "retórica". Coitado de Aristóteles.
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