quinta-feira, 30 de agosto de 2007

DOGMA X PÓS-MODERNÍSMO

Não há coisa mais antagônica que esses dois termos, pelo que pude verificar nos dicionários e enciclopédias. Vivemos em uma era de desencantamentos com as certezas (o que não se traduz necessariamente com incertezas) e com a consciência das muitas relativizações possíveis, ou melhor colocando, da capacidade do homem relativizar tudo, inclusive aquilo que não deve sê-lo (como a Ética, o crime, a morte, etc.).

Caímos em armadilhas que nós mesmo criamos quando tentamos nos adaptar a um mundo assim, quando tentamos admitir essa condição pós-moderna, e nos deparamos com a presença as vezes intransponível de princípios, idéias e regras das quais não queremos ou não conseguimos abrir mão.

Uma dessas armadilhas é o dogma. Nós ainda convivemos com dogmas, e ainda reproduzimos, dentro da era pós-moderna, dogmas que restringem nossa sobriedade e coerência.

Me impressiona é que, segundo as fontes mais comuns que tratam das origens e histórias do avento do pós-modernismo, este mesmo fenômeno se fragiliza por derrubar conceitos, mas implantar dogmas.

Devo ser honesto em apresentar aqui um conceito que me parece consensual: é um termo da filosofia para identificar um conceito ou uma posição que não admite contestação e nem se permite ou se obriga justificar, já que sua aceitação não se estabelece pela razão (e nem apesar dela). No mundo do saber os dogmas são um constrangimento, um elemento que de tão contraditório e incompatível com a busca da verdade e do conhecimento, passam a impor um impasse: ou a virtude/verdade está no dogma ou fora dele.

O que estranho muito é o fato dos dogmas modernos serem produzidos, na sua maioria, a partir de argumentos oriundos dos discursos de lideranças e representantes dos movimentos sociais contemporâneos. São os grupos feministas, os movimentos gays, os afrorevoltados, os defensores organizados do aborto e outros grupos de mesmo estilo que vêm se valer de argumentos e preceitos que, por pertencerem a estes grupos (seja pela autoria dos termos, seja pela exclusividade do interesse), não precisam serem justificados ou defendidos, pois são legitimados pelo próprio grupo, e não há aceitação de qualquer contestação. Toda contestação ou crítica é rechaçada por duas vias: pro ser impropria, já que geralmente criticar um dogma é um tabu na nossa cultura (criticar politicas reparatórias já é um tabu tão grave quanto falar de masturbação e a virgindade, senão mais) ou se dá pela desqualificação do contra-argumento por conta de seu suposto teor reacionário (ou a ausência de um teor humanísta ou moralmente correto). Isso é infernal, pois cria uma pseudo-dialética, onde um dos argumentadores impede a construção de um sistema de raciocínio coerente, pois fundamenta seus pontos em aspectos intangíveis e defende sua premissa como única aceitável. Além disso, estratégicamente, impõe um contexto de argumentação propositalmente estruturada para restringir as validades lógicas possíveis (mas, para este dogmatico, niconvenientes), e ao mesmo tempo favorecer o "perigo", que consiste em apontar como errôneo ou reprovável idéias, como se nelas estivesse incutido o caráter do interlocutor.

Viagei, eu sei...

Mas não suporto mais a ridícula indignação das pessoas que se apresentam como de "esquerda" , ou "liberais" ou coisas assim, e por isso se sentem não apenas superiores, mas autorizadas a recriminar e punir qualquer um que apresente argumentos que não rezem pela cartilha facistóide desse povo.

Recomendação da semana:

Apesar de estar sendo privado das maravilhosas reuniões do Barra Conexions, tive o prazer de ganhar dois presentes inesperados de dia dos pais. Um foi uma bola de football americano oficial, muito maneira. A outra é a recomendação da semana, o Chateau Clerc Milon - Grand Cru Classe, safra de 1998. Excelente aroma, bem suave, mas o que impressiona é o fato de ser tão cristalino, que sua elegância se multiplica. Fica lindo até em copo de geléia. E seu teor alcoólico é ridículo, o que faz com que, mesmo sendo um Bordeaux de Pauillac, desça bem mesmo nas gargantas mais femininas.

Vejam essa...

Descriminalização da violência contra a mulher: eu defendo!
VAMOS AVANÇAR! 29/08/2007 18:45


Descriminalização da violência contra a mulher
Por Progressista 28/08/2007 às 12:29

Tal como no caso do aborto, ninguém é a favor da violência contra a mulher, mas da sua legalização (ou descriminalização). A violência contra a mulher existe e é um fato. Não adianta proibir, porque ela permeia toda a vida social.

A violência contra a mulher

por Rodrigo Pedroso

Lendo com atenção os argumentos com os que o movimento feminista pretende justificar a legalização do aborto, fiquei extremamente tentado a propor às feministas outra importante bandeira de luta: a legalização da violência contra a mulher.

Efetivamente, o principal argumento usado pelas feministas, para impingir ao público a decantada legalização do aborto, é o fato consumado: o aborto já é supostamente praticado por um grande número de mulheres. Do mesmo modo, a violência contra a mulher é largamente praticada em grande parte dos lares brasileiros, muito mais inclusive que o próprio aborto, como se pode comprovar por estatísticas divulgadas pelo próprio movimento feminista ( http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/index.shtml): segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo, a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Estima-se que 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos e companheiros.

O problema da penalização da violência contra a mulher reflete também toda a iniquidade da estrutura social brasileira: nas classes sociais mais altas, a violência contra a mulher é praticada com toda a segurança, sendo o marido acobertado pela hipocrisia da sociedade, e a mulher tendo acesso rápido a eficientes serviços de saúde. São os pobres as principais vítimas da proibição legal da violência contra a mulher: o marido que, coagido pelas circunstâncias, toma a difícil decisão de bater na mulher, corre ainda o risco de ser penalizado por isso, e a mulher fica privada de atendimento médico por receio de denunciar o marido.

No fundo podemos dizer que a violência contra a mulher já está legalizada: ela é proibida unicamente para os pobres, submetidos a uma legislação punitiva e excluídos da proteção hipócrita que a alta sociedade confere aos maridos violentos das classes dominantes.

Tal como no caso do aborto, ninguém é a favor da violência contra a mulher, mas da sua legalização. A violência contra a mulher existe e é um fato. Não adianta proibir, porque ela permeia toda a vida social. Inclusive, há estatísticas que demonstram que a violência contra a mulher diminuiu sensivelmente nos países em que foi legalizada. E, se o marido está mesmo resolvido a bater na mulher, que pelo menos o possa fazer com dignidade.

Na verdade, ninguém bate na mulher por quer, mas porque se vê forçado a tomar esta atitude drástica pelas circunstâncias sociais, econômicas e domésticas. Ninguém pode imaginar que seja fácil para o marido ou companheiro tomar a decisão extrema de bater na mulher a quem ama. Na maior parte das vezes, a condenação moral da violência contra a mulher procede de celibatários, que jamais experimentaram a crua realidade do convívio conjugal, e mesmo assim insistem em querer legislar a respeito da vida privada alheia.

Hoje a violência contra a mulher é praticada clandestinamente, de forma insegura e debaixo de risco para ambas as partes. A legalização permitirá que ela seja feita às claras, com o necessário acompanhamento médico e permitirá ao Estado a contenção de abusos e excessos. A violência contra a mulher não pode ser tratada como um caso de polícia, mas como um problema de saúde pública.

Aqueles que, por motivo de convicção ética ou religiosa, são contrários à prática, deveriam compreender que a violência contra a mulher, uma vez legalizada, seria facultativa, e não compulsória. Ninguém será obrigado a bater na mulher. Quem é contra a violência contra a mulher que não a pratique, mas não queira impor sua moral aos outros. Trata-se apenas de respeitar o livre arbítrio e a autonomia do indivíduo.

Finalmente, a Igreja católica declara que o Matrimônio é um Sacramento, e a Bíblia ensina que o marido deve amar sua mulher como Cristo amou a Igreja (cf. Ef 5,25). Portanto, a proibição legal da violência contra mulher está baseada em preceitos religiosos, a que não se pode submeter uma sociedade laica e pluralista. Somente o fundamentalismo religioso e a influência da Igreja católica podem explicar por que a violência contra a mulher continua sendo criminalizada e sujeita a uma legislação retrógrada e punitiva. Legalizar a violência contra a mulher é um passo para a instauração de um Estado verdadeiramente laico e isento de preconceitos religiosos.

PS - Se o leitor achou brutal esta defesa (fictícia) da legalização da violência contra a mulher, que atenta contra a integridade física do pessoa humana, o que vai dizer então da defesa da legalização do aborto, que, por sua vez, ameaça a própria vida da vítima?

Posted by oitocolunas at janeiro 3, 2005 07:11 PM

(Este é um ensaio humorístico, que visa apenas mostrar quão ridículos são os argumentos escandidos para a defesa do assassinato de bebês indefesos no ventre de suas mães. Os conceitos aqui expostos não condizem com as reais convicções do autor, que ama as mulheres e é da opinião que nelas não se deve bater nem mesmo com uma pétala de rosa).

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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

PRECONCEITO

Esse seu exemplo seria verdade se a gente tivesse o mesmo comportamento em relação aos brancos de olhos verdes!
Não concordo com você,´pra mim é preconceito e racismo.
Vi um dia um sociólogo falar sobre o quanto a nossa sociedade não faz idéia o que é nascer negro, aquela coisa automática que as pessoas sentem quando dão de cara com alguém AFRODESCENDENTE=arg , se verdadeiramente a população encara com a mesma naturalidade quando aparece a pessoa que já está formada na mente dela.O que eu penso tb é que existe outros preconceitos e nem por isso as pessoas deixam de viver, exemplo típico é o preconceito e a discriminação sequelada que a população tem contra os americanos, ao ponto de torcer pelo terrorismo quando morreram 4 mil pessoas no WTC.

As provas do Racismo!?!

Um dos assuntos mais polêmicos do mundo é o racismo. O assunto é polêmico e mal debatido por esbarrar na militância, no salvacionismo e na confusão de conceitos.
Sou da tese de que racismo e preconceito racial são coisas distintas. Explico: quando você vê um negro sozinho em sua direção numa rua escura e passa para outro lado isto é preconceito mas não é racismo. A imagem dos bandidos que vemos poelos meios de comunicação geralmente é de um negro ou mulato mal vestido. Nada demais: poucas coisas são tão comuns em nosso meio como um negro ou um mulato mal vestido. Se eles são maioria entre todos , serão também maioria entre os ladrões. Pois não há nada que prove que a cor determina o caráter criminoso.
No entanto se voce impede, separa ou não tolera alguém por causa de sua cor isto é racismo. O que a pesquisa provou é que somos preconceituosos, alías como qualquer ser humano, em qualquer lugar do mundo. Eu , por exemplo, quando vejo um petista hoje em dia eu já imagino que o mesmo deve ter algum retardo mental, ou algum desvio moral e isso é preconceito.
Racismo pra valer é algo raro no Brasil. O fato de preterir o negro para casar com sua filha só reflete um comportamento preconceituoso: o imaginar que laguém por ser negro será inferior, mais pobre, mais burro, etc... Os pais sempre desejarão algo que seja ou pareça bom para seus filhos.
A proibição da convivência, do namoro, do casamento e outras coisas seriam provas do racismo.
Sim, existe racismo no Brasil. Como existe em qualquer lugar onde exista a percepação da convivência de raças diferentes. Mas esse não é um traço da nossa sociedade, digo mais, é algo repudiado pela nossa sociedade de tal forma que preconceituosos se dizem não-racistas e racistas para valer não ousam mostrar a cara.
Todavia se alguma das minhas filhas quiser casar com um petista, eu mando matar o fdp..rs!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

MANHATTAN DE ONTEM

Quem asstiu ao programa de ontem? foi muito legal a participação do Felipe Lacerda , o autor de ÔNIBUS 174.
Ele tá com um documentário sobre os Cubanos pronto para sair e falou muitas coisas legais sobre isso.
Primeiro, que não viu em CUBA esse novo homen que é tanto preconizado pelo regime, o HOMEM sem suas competições e disputas, essas babaquices que a gente fala o tempo todo.Ele acho os Cubanos exatamente iguais , nesse sentido.
Segundo, e aí uma coisa muito interessante, ele falava que quando andava na rua e conversava com os vendedores ambulantes perguntando , por exemplo: qual seu filme preferido? um deles disse SÉTIMO SELO.....rss. Eu achei impressionante, fora o fato de eu ser fã do Bergman, mas pelo motivo dessa grande diferença cultural entre eles e a gente.


SEGUNDO ASSUNTO
Foi , também ontem, o programa do roda viva, com um sociólogo que fez pesquisas qualitativas sobre o preconceito no Brasil, foi muito bom.Várias questões que a gente debate foram levadas aos números, como por exemplo: quando as pessoas iam escolher com quem seus filhos deveriam se casar , somente escolhendo pela cor, nunca os negros eram os escolhidos, mas TODOS se achavam não racistas.
Em outro ponto, as pessoas quando viam fotos de brancos com aspecto "FEIOS" eram chamados de nordestinos.
Foi muito interessante e valeu pelo debate, teve a té a participação do maluco do LOBÃO.

sábado, 25 de agosto de 2007

Alabê: não é "canto de ossanhã"!!!

Confesso que fui meio cabrero, mas extremamente curioso, assistir uma ópera brasileira pela primeira vez em minha vida. Nunca gostei de Vila-Lobos, e as peças de Chico Buarque e Milton Nascimento não passavam de musicais metidos a Brodway (divertidos, geniais, mais sem grandes compromissos cênicos assumidos em uma ópera). Se é pra ver algo precário, até prefiro cantatas ou um recital. E a distinção de musical e ópera me é muito cara, oque intensificou minha apreensão em não resisitir a um anuncio discreto mais singular de "Alabê de Jerusalém". Obra de Altay Velloso, que muitos só vão se lembrar como um dos escravos que foi torturado e teve seus olhos queimados na novela "Sinha Moça". Não!!! Também não esse cara. Muitos vão confundir esse preto com o tio Barnabé, ou com algum "icone" afrobrasileiro da TV. Muitos não, poucos. A maioria vai confundi-lo com muitos outros atores que só fazem papéis residuais, ou na verdade nem vão se ocupar de lembrar de informação tão descartável.
Eu curto musicais e operas, e assumo isso. Não sou expert: minha criação foi dada pelos meus pais via coleção da Abril Cultural. Aqueles discos de 33 rpm de óperas, MPB, etc. Material bem didático esse da Abril Cultural. Me permitiu perde preconceitos e enxergar simplicidade e propósito onde muitos exnxergam afetação. Pode parecer viadagem, mas adoro Fame, Jesus Cristo Superstar, Hair, Sweet Charity, Turandot, Madame Butterfly e La Boheme e ópera doi malandro do mesmo jeito. Sou de uma geração doutrinada pro Leonel Brizola, que aprendeu que asisitir Aida na Quinta da Boa Vista. É uma lembrança cara, um evento bonito e relevante, que qualquer proletário deveria poder apreciar. E com dinheiro público, não se pode colocar no mesmo pote Verdi e Ivete Sangalo no maraca.
Mas minha apreensão em asissitir Alabê não se dá apenas por nunca ter aceitado Carlos Gomes ou vila-Lobos da vida, mas uma coisa ainda pior. O tema é curioso. um mistério mesmo: a história de um africano de de Ifé (antiga capital de Daomé, hoje Benin) que peregrina até Jerusalém na época de Cristo, testemunhando sua história e espalhando sua mensagem na forma de um espirito africano. Uma mensagem cristã carreada por um veículo africano. Em resumo, a obra tinha tudo pra ser uma xaropada de militante dos movimentos afrobrasileiros. Tinha tudo pra ser aquelas escrotices a lá Olodum/Muzenza. E tinha tudo para ser panfletária e cheia daqueles "negros profissionais/oficiais" de sempre. Inclusive alguns medalhões estavam sim, na peça, porém muito discretos, e acima de tudo competentes.

Outra preocupação minha foi: ópera é grande produção em qualquer contexto. Tem de ter no mínimo O time de primeira vóz (dos personagens mais presentes), o time de segunda, o coral, vozes de suporte, o corpo de balé, encenadores, orqueestra, etc. Isso sem a logística, o cenário rico, a indumentária rica, nada pode ser mediocre ou improvisado. não dá pra ser feito nas coxas. É um empreendimento raro pela complexidade (que exige um profissionalismo incomum no mundo artístico brasileiro) e uma diversidade de talentos sincronizados em um único evento. Nós, que achamos carnaval superprodução, não dariamos conta de uma ópera séria.
A ausência de divulgação ou manifestação do evento (com exceção de propaganda paga) nos principais meios de informação sobre entretenimento, me fez pensar que haveria lago de precário no show. Temi em pagar um preço até razoável para casa que estava sendo ocupada. Nenhuma crítica, nenhum comentário. E o pior. Isso me deixou encafifado pra caralho: nenhum selo da Caixa, do BB, da Petrobras, nenhuma logomarca de estatais que estão sistematicamente patrocinando esses eventos de panfletagem. Que é isso?
Com a desculpa de dar um presente para minha mãe, que perdoaria seu filho por qualquer micagem, levei minha família no aniversário da coroa pra assistir o show, mal localizado nesse CityBank Hall (que já foi Claro Hall, Atl Hall, Metropólitan, e dizem que semana que vem será o novo Impecável Maré Mansa Hall...). Caro pra cacete o lugar. Qualquer aguinha vale mais que sangue. Bom... Não fomos pra comer. Fomos pra ver o show, mas nos deparamos com uma ótima infra, e algumas celebridades estavem circulando. Isso me preocupou: óticas do povo morou aqui, saia justas ali, maconheiro militante acolá, um núcleo baiano-afoxé alí, conheço essa galera desde a época do Renasceça. Mas a fauna era mais complexa: tinha também gente das "zelite" artística que não são celebridades, e que são do meu apreço justamente pela sua discrição. E tinha também os seres exóticos, tipo Malhação, Fantástico e Rede Tv. Mas oque mais me chamou a atenção é o fato de grande parte do público não aparentar nem de longe ser formada pela militância SEPPIR, mas possuir um perfil artistico-acadêmico.

E claro, tinha a velharia da meia entrada, que não diferencia o show da noite de um "Abalou Bangu". O negócio é entrar na van e curitr a noitada geriátrica. Essa geriatria ocupava 80% das mesas Vips, onde ficamos. O show, de dois atos, começou pontualmente 20 minutos atrasado, um assombro pra prática vigente no Brasil de atrasar uma hora sem pudores. E começou o transe...


Não tenho condições de escrever ainda sobre a obra em si. Apenas digo que é fantástica, original e extrtemamente rica em competência e engajamento dos atores. Foi mediúnico. Foi uma gira bonita...


Apesar de pequenas falhas técnicas que me revoltaram, que se tornaram imensas pela grandiosidade, singularidade e singeleza do espetáculo. Mas especulo que essas falhas técnicas têm por trás o problema da limitação financeira. Umas duas vezes os microfones falharam ou captaram sons irregulares. Coisa que se evita com um maior número de receptores/roteadores e com a conferência de equipamentos individualizados. Isso requer mais dinheiro. O cenário, único e discreto, também revela a limitação orçamentária, mas geralmente em grandes produções um dos efeitos iatrogênicos desses cenários muito complexos e cheios de efeito é a poluição, sem contar que muitas vezes eles acabam impondo uma dinâmica pouco amistosa para a evolução dos bailarinos e artistas de um modo geral. De qualquer forma, é uma pena o CityBank Hall ter um palco tão pouco propício para grandes peças. Os orixás ficavam com seus elmos, coroas e coberturas colados nos holofotes. Ainda assim a evolução desses "personagens"" foi fantástica.

O espetáculo foi perfeito como presente param inha mãe, pois é uma homenagem vigorosa a mãe, a mulher, a Nossa Senhora, a divina mãe judia, aos orixás femininos e as entidades femininas de todas as culturas. Não é preciso dizer que todo mundo saiu do show desidratado de tanto se emocionar. A velha guarda da meia entrada então... é um tal de bahiana passar mal no meio do desfile...
Mas é inevitável se revoltar em ver uma obra tão majestosa, brasileira, e de mensagem tão rica, ser ignorada, boicotada mesmo, pela midia e pelos orgãos públicos de financiamento da cultura e das artes. A UNIMED foi a única firma que colocou dinheiro na parada (aliás, vou trocar de plano de saúde...). Percebe-se que muito do show é generosidade e dedicação voluntária, quando não total doação, por parte dos artistas envolvidos. E ai eu tenho de reconhecer: o Pitanga só tava no show como chamariz, pra ver se atrai um público mais diversificado através de sua celebridade, mas sua ponta é tão discreta diante da obra (apesar de ótima, e bem executada), que nos faz concluir que sua participação foi uma força que ele deu, pelo jeito de bom grado. Dele, e da Isabela Filardis espero nunca mais tecer nada de mau até os últimos dias da minha vida. Da Isabela nunca falei mal na verdade. Mas o Antonio Pitanga, esse negro profisisonal oportun...(desculpe, gente...) ... bom, ele pedia pra ser xingado, né?!?!? Mas o cinema, o teatro, até sua canastrice (pô, tá difícil... são muitos anos em que esse cara me ensinou a desprezá-lo... desculpa, gente) . Enfim, ... sua arte poderá amenizar suas outras ações... parcialmente... eventually...
Comprei o DVD sobre a história antes do show, e achei muito sem-noção estarem vendendo um box de 120 reais com o DVD, CD , livro e outros produtos... Sem noção sou eu, além de pobre, pois se eu estivesse com os últimos 120 reais do mês, teria comprado o box depois do show sem pestanejar. A ópera daria dinheiro até não aguentar mais na Broadway! As musicas pegam de primeira, o tema é rico pra caramba, e o esforço de sincretísmo faz com que ela possa ser bem recebida em qualquer canto do mundo. Pelo menos em qualquer canto em que a história de Jesus não seja um mistério.
Há mais de 20 anos que o Brasil não exibe algo assim para o mundo. Nem conto com a Ópera do Malandro mais. E é uma obra com uma "afrobrasileiridade" ou "afrobrasileirismo" (foi mal, gerente do blog...) rica, mas não é militante. Sua africanidade se manifesta como uma das hastes do leque que refresca a face de Deus. É muita mistura, mas fica gostoso. E denuncia (sem intenção) como a musica, o cinema e as artes de um modo geral pouco souberam apresentar a cultura e a religião de cunho polimórfico, como a Umbanda, sem fazer merda, criando equívocos e ressaltando pontos negativos ou inexistentes.
Tem um monte de gente que contribuiu pra isso, mas vou logo na infraestrutura: Baden Powell e Vinicius de Moraes. Eles lançaram uma moda doida de falar de macumba na MPB, transpirando uma intimidade tão grande feito um Jorge Amado da bossa-nova (mas sem o preparo do dito cujo), que bagunçou tudo. E é um tal de nego se referir a canto de ossanhã, a ver moran de angola que leva chocalho na canela (alguém já viu!?!?!??! Heim!?!?! Alguma angolana com chocalho?!?! Pois é! Nem na NATGEO ou Discovery...) e palavras que não são yorubá,nem keto, nem nada, mas se tornaram africanas por causa dessa gente. E derrepente não se podia falar de aforcentricidade sem o aval de antropólogos.
Essa negritude brasileira antropológica, cheia de modernos preconceitos, tem de acabar. E acho que isso demanda um amadurecimento cultural bastante elevado, além da disposição de fazer oque o corajoso Altay Velloso fez. Colocou seu braco no mar sem o adesivo do BB, da Caixa ou da Petrobras. Só isso conferiria a obra de Altay uma dignidade rara no Brasil.
Mas isso não é nada. Sua obra é tão bonita que mesmo coberta por estatais, só faria conferir ao financiamento dessas estatais a coerência, a justeza e a dignidade que elas deveriam buscar. E claro que o dinheiro de qualquer Eletrobras que entra no Alabê, irá enriquecer a cultura brasileira. Diferente de um Circo de Soleil.
Obrigado, Altay Velloso. Pelo presente que deste a minha e a todas as mães . Inclusive à mãe do Vencedor!!

Quero ver um dia essa obra sendo consagrada no mundo!! Para o bem do mundo, da humanidade!!!

Alah Akbah!!


sábado, 18 de agosto de 2007

Always look on the bright side of the life.

O papapárapan.

Tenho observado o burburinho do parapan. Competição estranha. Uma olimpíada para deficientes físicos que leva a pensar no conceito de "deficiência" (não, eu não serei relativista). Acontece que a diferença de grau de deficiência física entre os atletas é muito grande. Ao ponto de eu me questionar se alguns deles são realmente deficientes. Bom, é claro que são, estabelecemos um padrão de normalidade e tudo segue.
Então eu olho pra Manuela, deficiência auditiva neurosensorial bilateral severa a profunda: surda. Um ano de idade. Bato palmas, ela bate também. Segura as minhas mãos e faz o movimento de palmas. Quando quer algo, grita. Quando está feliz, sorri. Quando se aborrece chora. Dá comida pro cachorro, depois finge que vai dar, puxa o biscoito e ri do bicho. Joga qualquer coisa no chão e olha para mim esperando que eu pegue. Assiste ao DVD da Xuxa sacode os braços e pula sentada. Se faz faz arte e é chamada a atenção, fica quieta com cara de que fez coisa errada.
Pega um telefone de brinquedo leva a orelha e diz: aooooo!
Leva ,depois, o fone aos meus ouvidos.
De vez em quando, distraidamente diz: ba, ba, ma, ma, ma.
Sabemos quando está irritada, feliz, com sono, com fome e para onde quer ir.
Tem um ano de idade e é surda.
Eu teria dificuldades de expressar se fosse surdo, tentaria usar a palavra escrita. Manuela não sabe falar, não ouve e comunica o necessário para uma criança de um ano. Entre os deficientes auditivos as proteses são chamadas de papapá. Então eu fico pensando: óculos é papapá de olho, sapato é papapá de pé, palavra escrita é papapá de quem não consegue se comunicar falando, peruca é papapá de careca, sibutramina é papapá de gordo, roupa é papapá de quem nasce pelado, celular é papapá pra falar com quem está longe.
Ainda não inventaram um papapá para eu entender o mundo.
Mas eu entendo Manuela sem papapá nenhum.
Manuela Calvert Costa, medalha de ouro!

Pós-modernismo x Gnosticismo

Há um consenso neste blog: o tal do pós-modernismo é uma m*%$#erda.Há outro consenso: o pós-modernismo é hegemônico. O pós-modernismo é o nome mais charmoso de um dos maiores inimigos de Bento XVI, o relativismo acadêmico e moral.
No entanto, aqui fazendo uma digressão irresponsável, acho que este tipo de pensamento surge como resposta a uma era (o modernismo) em que utopias salvacionistas na economia, na política, nas ciências e nas artes pregavam o fim dos tempos e nascimento de uma nova era de deleite e prazer. Era como dizia Cazuza "...eu quero uma pra viver". O modernismo talvez tenha sido a mais radical experiência do gnosticismo: a idéia de que se pode inaugurar o paraíso terrestre pela razão do homem, pela negação do absoluto espiritual, a negação de Deus como busca pelo império da razão.
O mais engraçado disso tudo é que as duas formas de pensamento hoje se misturam se se retroalimentam. Os partidários das utopias acolhem as maiores bobagens pós-modernas como forma de aumentar sua força política. É a união das forças de "esquerda" com o multiculturalismo. O maior exemplo desta maluquice é o Fórum mundial social: o evento liderado por utopistas de esquerda marxistas até a medula (logo modernistas) com movimentos dos mais diversos tipos: seitas esotéricas, xamãs, feministas, sem-terra, indígenas, hare-krishnas, ecologistas e tudo o mais que você puder imaginar. O lema é "um outro mundo é posível".
Os caras se comportam como se fossem a força do bem, a liga da justiça, os superamigos. Fica difícil ser contra coisas como: a natureza, o bem-estar físico mental e social, a luta contra a desigualdade, a luta contra o racismo, a luta contra a pobreza, a justiça social e etc...
A alternativa a isso não tem uma cara boa e nem promete o paraíso. O conservadorismo, a despeito da idéia equivocada de que tudo deve ser conservado como está (o bom e o ruim), busca melhorar o presente a partir de experiências passadas. É aliado da tradição e da evolução do pensamento testado do homem. O conservadorismo é aliado da religião por um motivo óbvio. Só a religião pode trazer a idéia de em algum lugar ou em alguma coisa está o absoluto que só pose ser alcançável pela fé. Algo que não está no homem, que não está na razão humana. A idéia de que não há salvação neste mundo, afasta seus crentes de utopias como: comunismo, socialismo, nazismo, fascismo além criar repulsa a falta de conceitos, cria repulsa ao realtivismo pósmoderno.
Não, eu não virei crente. Continuo agnóstico. Só não mais ataco as religiões como aprendi a atacar na escola e na faculdade.
Antes eu considerava ignorante o crente, hoje eu o considero protegido. Protegido desse outro mundo possível que não é bonito como pintam. A experiência tem mostrado.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

PÓS MODERNISMO

Não consigo ver muitos dogmas nesse movimento, e sim um monte de tropeço em suas própias críticas....
É como se tivesse tudo errado, mas não sabemos como resover nada.
Se estruturam e se vangloriam de uma ética pluralista onde qualquer pessoa pode emitir uma opinião em qualquer assunto e deve ser levado em conta, indepedentemente do seu conhecimento, aliás, essa palavra é sinônimo de arrogância nesse movimento.
Acaba assim, a gente não sabe quem tá errado: infraero, anac, tam ou aeronáutica. Qualquer um que falar a gente pensa que é uma mentira, pela total falta de referência e consequentemente de liderança.
UMA ANARQUIA COVARDE, SEM MOSTRAR A CARA PARA APANHAR......

Excedente...

Das poucas pessoas que conheço que assistiram "Apocalypto" sem o espirito de assistir um "Maquina Mortifera 6", quase nenhuma percebeu ou especulou uma diferença entre a tribo de indios "caçados" e a tribo "predadora": você não nota deficientes e doentes na tribo mocinha, e nem mesmo idosos pouco vigorosos. Todo mundo sarado. Na civilização que vem caça-los, o vigr de seus guerreiros é evidente, mas ao conhecermos sua urbe, seus burgos, encontramos pessoas com evidentes sinais de deformidades, apesar desses deformados se mostrarem integrados no metablismo social dessa civilização.

Não consigo deixar de pensar que esse toque foi provocação de Mel Gibson (assim como a fala do sacerdote - "Nós somos o povo escolhido..."). Não haveria outro motivo para que se evidenciasse deformados, deficientes na tribo mais evoluida.

Também não consigo parar de pensar nesse filme depois de ler a reportagem da Veja, que trata do infanticídio entre os índios no Brasil. e o pior, a conivência cínica e arrogante de antropólogos e indianístas, que alegam ser necessário preservar costumes como infanticídio, para o bem da cultura e da perpetuação da herança indigena.

É um imbecil quem não percebe que a ocorrência de suicídios advindos com essa cultura, como descritos no contexto da reportagem, assim como a manifestada e documentada ocorrência de contrariedades dos próprios indigenas, apontam que cultura não é consenso e muito menos algo cristalizado.

Não vou aqui decrever todo a história sobre a prática de infanticidio como controle de excendente e recursos vitais nas diversas culturas orientais e ocidentais. E não o farei porque não tõ com essa bola toda. As referências mais óbvias (os espartanos, os Celtas, os Mongós, os Chineses, etc., etc.) tão ai. Já dá conta de permitr que o infanticídio é um processo de seleção limitado e primitivo, dispensável e mesmo nos contextos menos favoráveis um drama, um conflito profundo.

Com que facilidade então antropólogos e especialistas conseguem aceitar tal prática nos dias atuais, especialmente sendo esses oriundos de uma civilização mais evoluida? Como eles não pensam em alternativas para defender a vida?

Suspeito que, ladeado com a possível cureldade de se pensar que infanticídio entre indios não é problema mas solução, esses especialistas também possuém uma crença honesta e assumida de que a cultura é um dogma supremo. Um dogma que precisa ser defendido, afinal é esse dogma que financia, justifica a existência de algumas disciplinas das ciências humanas como instrumentos de regulação da humanidade. Oque faz um juiz depender de um parecer de um antropólogo (e em seguida acatar esse parecer), sem pensar na vida e no humanísmo?

Dógma é a palavra com a qual eu vou implicar nos próximos dias.

E já começo alegando que o pós-modernísmo e um ocnjunto de dógmas.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

RESISTIMOS, AQUI SERÁ QUE SE DESTINA?

Só tem maluco....
Faltou o inimigo mortal "pósmordenismo"
Esse atrasa, iguala pesamento, horizontaliza os desejos, padroniza raciocínio, cria receita de bolo, faz com que não tenha diferença entre participar ou não de um debate, afinal de contas, não é necessário o conhecimento, ou melhor, como diz o MOGLI "SOMENTE O NECESSÁRIO, O EXTRAORDINÁRIO É DEMAIS" ARHG=HORRÍVEL.

Das "Furadas".

Nesta cidade litorânea do extremo ocidente encontros entre um morador da Barra da Tijuca, da Tijuca e de Campo Grande são uma grande acontecimento. O trânsito, as esposas "golpistas" , o imperialismo norte-americano, o neoliberalismo, a globalização e o aquecimento global têm sido grandes obstáculos no nosso caminho em direção aos mais profundos ideiais. Resistir é preciso! Repitam comigo: "No pasarám, no pasarám".

terça-feira, 14 de agosto de 2007

FURADA GERAL

Essa turma do barra conexions sabe escrever muito bem, mas marcar a reunião!!!!!!
Sabe aquela galera: "vamos marcar, tudo certo..... na hora H. ah, tá chovendo e vai fazer sol....rss
VAMOS LÁ GALERA!!!!!!
Parabéns pelo o que escreveram sobre os Pais. Vcs, apesar de serem furões, são brilhantes.

"Pai é função social"

Mãe é mãe, mãe só tem uma, carrego papai no bolso e mamãe no coração... Certo dia ouvi de uma assistente social a frase do título deste post. Função social...assim como, policial militar, bombeiro, gari, deputado,etc.
"Temos que acabar com o patriarcado". O patriarcado já está quase acabado. Não quero lutar por poder algum, apenas pelo direito de ser respeitado na formação de meus filhos tanto quanto são as mães.E se não for possível quero aquilo que o Luiz falou: que me deixem dormir em paz.

Barra Conexions

Barra conexions é um blog para a publicação de qualquer coisa que gente quiser. A gente significa os 3 malucos que se encontram (pelo menos foi assim em 2007)na Barra, bebem vinho e jogam conversa fora.